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Política

Sequestro da decência – 5ª parte

1O Brasil continua sendo um paraíso de ladrões. Nomeada a nova diretoria da Petrobras fica a sensação de o governo querer tapar o sol com a peneira, ou simplesmente colocar a tranca na porta depois de arrombada. A Petrobras, muito mais do que substituir a cúpula de comando, porque não conseguirá saneá-la no longo prazo, precisa de uma intervenção internacional, sobretudo norte-americana, uma vez que processos correm em paralelo nos EUA. Os fatos que emergem diariamente do poço de corrupção na estatal são múltiplos e exigem muitas frentes de investigações simultâneas. A BR Distribuidora agora é a bola da vez. A Operação Lava-Jato chegou na 9ª fase e a temperatura sobe a cada divulgação de um novo escândalo, e isso pode provocar incêndios inesperados totalmente fora de controle. E por falar em fora de controle, o PT perdeu o controle da Câmara dos Deputados, perdeu o controle da sua base aliada, perdeu o controle da Petrobras e só falta agora perder a presidência da República, caso a presidente Dilma Rousseff sofra processo de impeachment que, aliás, já está sendo cogitado. O Partido dos Trabalhadores está mais perdido do que cego em tiroteio, tenta encontrar o rumo, mas os políticos da legenda insistem em dizer que estão tranquilos, mesmo com as calças cagadas.

Na última quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi arrancado à força de sua residência pela Polícia Federal, que cumpria mandado de condução coercitiva (consiste em um meio conferido à autoridade para fazer comparecer aquele que injustificadamente desatendeu a sua intimação, e cuja presença é essencial para o curso da persecução penal), para prestar depoimento na sede da Polícia Federal em São Paulo. Sob delação premiada, o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou à força tarefa da Operação Lava-Jato que João Vaccari Neto recebeu US$ 50 milhões em propinas decorrentes de 90 contratos firmados pela Petrobras no período de 2003 a 2013, cujo valor ele teria embolsado. Segundo Barusco, João Vaccari Neto também recebeu US$ 4,5 milhões a título de propina do estaleiro Kepell Fels. As denúncias não param por aí; Pedro Barusco disse, ainda, na sua delação, que foram pagos ao Partido dos Trabalhadores, a título de propina, cerca de US$ 200 milhões no mesmo período (2003/2013), dinheiro esse desviado dos cofres da Petrobras. O ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, se comprometeu a devolver US$ 97 milhões, amealhados dos cofres da estatal – ele era o braço direito de Renato Duque naquela Diretoria. Para não ser preso ele, Pedro Barusco, resolveu fazer acordo de delação premiada e suas informações explosivas provocaram a deflagração da 9ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de “My Way”. O Partido dos Trabalhadores nega todas as acusações que pesam contra ele, salvo se ressurgisse o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações / Centro de Operações de Defesa Interna) para aconselhar alguns de seus ilustres membros a abrir a boca, em carinhosas confissões. Quem sabe.

O ex-diretor da área de Serviços da Petrobras, Renato Duque, que, segundo Pedro Barusco, recebeu US$ 40 milhões em propinas por sua participação na quadrilha, é a terceira peça-chave no esquema de corrupção desvendado na maior estatal brasileira. Renato Duque também pode ser qualificado como “operador” do PT na distribuição das propinas, lembrando que ele foi indicado para o cargo pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT-SP), réu condenado no processo do Mensalão (Ação Penal 470). Renato Duque era uma espécie de “fiel soldado” do PT na Petrobras, foi preso no dia 14 de novembro de 2014, em sua casa, na Barra da Tijuca (RJ). Quatro dias após, ou seja, no dia 18, o juiz federal Sérgio Moro converteu a sua prisão temporária em prisão preventiva. Renato Duque teve o seu pedido de Habeas Corpus negado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que tem sede na cidade de Porto Alegre (RS), e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na terça-feira, 02 de dezembro de 2014, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, concedeu uma liminar revogando a prisão preventiva de Renato Duque, limitando-se a solicitar o recolhimento do seu passaporte, dessa feita, o ex-diretor de Serviços da Petrobras deixou, às 12h45min da quarta-feira, 03 de dezembro de 2014, a carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR). Na saída da superintendência da PF, ele disse: “Só quero ver minha família”. Renato Duque ficou preso apenas 19 dias e sentiu saudades da família. Rodrigo Janot, Procurador-geral da República, emitiu parecer favorável à volta da prisão preventiva do ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras depois de analisar o mérito do Habeas Corpus ajuizado por ele, Renato Duque, no STF. Ficam muitas perguntas no ar; a principal delas: Por que Teori Zavascki mandou soltar o operador do PT no esquema de propinas? Outras perguntas seguem: Estaria o eminente ministro a serviço de alguma organização criminosa? Esta organização criminosa seria o PT? Estaria a instância máxima da Justiça brasileira cooptada pela quadrilha instalada no governo federal? Na verdade, a atuação do ministro Teori Zavascki no STF não deixa dúvidas quanto às suspeitas levantadas. Fazendo dupla com o ministro Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki livrou os réus José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, todos da cúpula petista, da condenação por “Formação de Quadrilha” no julgamento do Mensalão, fato determinante para não cumprirem pena em regime fechado. A “dupla dinâmica”, formada por Zavascki & Barroso, goza de enorme prestígio junto ao PT e petistas amorfos. É aquele velho ditado: Cada homem tem o seu preço, e o valor da vantagem obtida estabelece destinos.

As três horas que João Vaccari Neto passou na sede da Polícia Federal em São Paulo, onde prestou depoimento, não o fizeram desistir da viagem a Belo Horizonte para participar da reunião do Diretório Nacional do PT e da comemoração do 35º aniversário do Partidão, criado com a bandeira da moral e da ética, mas que agora se vê mergulhado no lamaçal da corrupção – com os olhinhos de fora como jacaré na lagoa infestada de piranhas. A reunião do Diretório Nacional do PT aconteceu na manhã desta sexta-feira, 06, e o evento de comemoração dos 35 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores começou logo após o término da reunião. Como tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto defendeu alguns pontos na reunião e, evidentemente, professou transparência, lisura, tranquilidade e honestidade na administração das verbas do PT. Quem não o conhece que o compre. Todo mundo é considerado inocente até que se prove o contrário – no caso do Petrolão as provas estão em poder da Justiça Federal do Paraná e o PT tenta desqualificá-las a todo custo. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula participaram dos encontros e não perderam a oportunidade de conclamar a militância raivosa para que saia em defesa do PT evitando que seja julgado por “golpistas”. Um discurso manjado, uma invocação persistente que não levará a lugar algum. A segunda etapa do 5º Congresso Nacional do PT acontecerá entre os dias 11 e 14 de junho de 2015, na cidade de Salvador, capital do Estado da Bahia. Assuntos a serem debatidos: atualização do projeto partidário; o aprimoramento da organização interna; o aperfeiçoamento do Processo de Eleições Diretas (PED); a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros; estratégias eleitorais; atualização do projeto petista no governo federal; o cenário internacional; entre outros assuntos não divulgados – mas, que podemos antecipar, como: marco regulatório da imprensa e mídia; como se safar da operação Lava-Jato; como impedir o impeachment de Dilma Rousseff; como livrar da cadeia os petistas corruptos; como preservar a imagem de Lula como o Santo Salvador de um país miserável. Para um bom entendedor, meia palavra basta. O “projeto de poder” do PT está mais uma vez oficializado na agenda do 5º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, sobretudo quando discutirá o tema “atualização do projeto petista no governo federal”.

O ex-presidente Lula participou, na tarde da quarta-feira, 10 de dezembro de 2014, do lançamento da primeira etapa do 5º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, em Brasília, realizado no Auditório Parlamundi da Legião da Boa Vontade (LBV). Lula, com a sua natural protérvia, conclamou que o PT deve sair da defensiva e ajudar a presidente Dilma Rousseff, que, na sua avaliação, enfrenta uma tentativa de golpe. No evento, Lula disse, ainda, que o partido é a “bola da vez”, previu tempos difíceis pela frente e afirmou que ninguém deve pensar agora na eleição de 2018. Lula criticou a elite e os meios de comunicação e pediu aos petistas que não aceitem a pecha de corruptos. “Agora, a bola da vez somos nós”, disse, ao falar sobre o escândalo da Petrobras. E quem foi a “bola da vez” no escândalo do Mensalão? Para ele, Lula, a imprensa já condenou o PT, seja qual for o resultado da Operação Lava-Jato. Grande FDP – traduzindo para o bom Português, Grande Filho da Puta.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Sequestro da decência – 5ª parte

  1. É ser muito cínico, esses dois lula e dilma. Falar no covil deles, que tem que acabar com a corrupção, e com as própinas dos empresários é dose cavalar do cinismo.

    Publicado por nair | 07/02/2015, 20:25
    • Os discursos do PT sempre foram voltados para a massa de ignorantes, para a militância raivosa, pessoas desprovidas de senso crítico, que não têm um juízo claro, portanto, se deixam manipular facilmente.

      Publicado por augustoavlis | 08/02/2015, 04:40

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