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A Missão do Blog

A Missão do Blog

Algumas pessoas esperavam que fosse enunciar os tópicos de responsabilidade como a ISO determina a missão para uma empresa que busca a certificação de qualidade. Não é bem assim. A princípio pode parecer estranho esse posicionamento, todavia, a situação social e profissional que me encontro me alerta para seguir no caminho da honestidade, segundo princípios herdados do meu pai desde os primeiros momentos da minha vida. Por ele tenho verdadeira admiração, respeito e saúdo a sua memória. O Blog opiniaosemfronteiras.wordpress.com tem proposições bem claras: informar, entreter no sentido de ocupar a atenção de alguém, contraditar, criar controvérsia oral ou escrita e, sobretudo, não ensinar a língua portuguesa para os brasileiros.

Após ter lido a matéria BBB – 2ª parte (Big Brother Brasil em 6 Atos), disponibilizada no Blog, um amigo me telefonou e observou: “A palavra idéia não tem mais acento”. Vejam que eu mantive o acento tônico na penúltima sílaba, mesmo transcrevendo a sua fala. O acordo para reforma da língua portuguesa, no que tange à mudança ortográfica, estabelece que não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Quero deixar transparente que não ficarei em crise pessoal diante da mudança ortográfica, mesmo porque continuarei escrevendo do mesmo jeito. As correções de textos que fiquem a cargo do Revisor da editora. As palavras continuarão sendo pronunciadas da mesma maneira, assim como o vocabulário e a sintaxe, ou seja, a organização dos termos na oração. Deram-se bem as letras K, W e Y, incluídas no alfabeto – os estrangeirismos agradecem. O Y é uma vogal, o K é uma consoante e o W é bissexual, conforme o uso. Estou tremendo até agora com a morte do trema. Eu disse que não ensinaria Português. Essa matéria deveria ter sido ensinada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Confesso que os meus ouvidos estão doendo até agora devido aos ornejos por ele emitidos ao longo de oito anos. Concordâncias verbais e nominais, nem pensar! Lulaéreo teve tempo suficiente para saber o que era certo ou errado, mesmo assim, assinou em 29/09/08 o Decreto de nº 6583 que sugere algumas normas durante o período de transição para a nova grafia. Esse período teve início em 1º de janeiro de 2009 e irá até 31 de dezembro de 2012. Sendo assim, durante esse tempo, coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida. A convivência entre ambas deverá ser pacífica. Portanto, não estou cometendo nenhum pecado com a língua; só com a cabeça. Em que pese o cunho colonial-cultural que se queira dar ao projeto de texto de ortografia unificada da língua portuguesa, esquecem-se os políticos que estamos aquém-mar, e evoluímos. Que venham as opiniões.

Opinião, modo de ver, de sentir a respeito de um determinado assunto; parecer. As pessoas comumente opinam segundo conceitos particulares, íntimos, formados a partir da estrutura do saber. Nesse sentido, não há rigidez estética, tampouco um compromisso formal com a verdade explícita, ao contrário do jornalismo tradicional, que precisa de uma ou mais fontes, sejam pessoas, documentos, instituições, etc, que forneçam periodicamente informações ao repórter para dar sustentabilidade e credibilidade às matérias. Daí se conclui que podemos falar o que bem entendemos e quando o assunto é colocar no papel, tratamos logo de desconversar. Pelo menos essa prática se sobressai à teoria. Por verdades também endossamos as nossas opiniões – quando queremos que elas sejam representação de realidade, independentemente se é livre a manifestação do pensamento, por teoria. Fato é que sempre tem gente disposta a ouvir o que dizemos numa “opinião disfarçada” e outras pessoas há que ouvidos de mercador fazem na constatação da “opinião declarada” – quando dita. A gente também opina quando quer. Não é sempre que estamos dispostos, ou predispostos, sobretudo quando achamos que os temas são desinteressantes ou que provocam desinteresse segundo ouvidos alheios. Pensar, falar, escrever. Três verbos, três ações. Tem coisas que a gente pensa, fala e escreve. Outras há que pensamos, não falamos e tampouco escrevemos. O pensar é isso; simplesmente refletir, cogitar, raciocinar, meditar. Por consequência, falamos ou não o que se passa na nossa cabeça e nem tudo se escreve, ou quase. Verdade é que nunca dizemos ou escrevemos tudo o que queremos, mas ouvimos. Como morto não ressuscita – senão o Lulacolá –, por isso, escrevi consequência sem o trema. Notaram?

Falar de futebol, sobretudo de preferências sexuais, quase sempre as pessoas não chegam a lugar algum, a um final feliz. Falar de política e, principalmente sobre políticos, não é muito diferente; se bem que o povo brasileiro, com sua peculiar irreverência, insiste nessa prática não é de hoje. Sem abandonar o ineditismo, procurarei trazer para dentro do meu Blog um pedacinho do que chamo de “Filosofia popular”, que se somou ao meu espírito interpretativo-irreverente. Para isso, bastou apenas empregar um pouco de perspicácia e deixar ligado o meu inseparável gravador indiscreto para registrar as opiniões de cidadãos comuns, e não comuns, que compõem a sociedade do bem e, por vezes, marginalizados, esquecidos e escravizados pela indústria do capital, cultural e plural. Os cenários para a captura de tais “impressões filosóficas” não poderiam ser melhores do que os pontos de ônibus, filas de bancos, tumultos generalizados em postos de saúde, portas das agências do INSS, nos velórios de estranhos, nos botequins imundos, nos armazéns ordinários, nas choças, nas privadas públicas, nos comícios de políticos e candidatos honestos, nas delegacias, nos aglomerados que se formam sobre defuntos frescos recém abatidos a tiros, nas bocas de fumo, enfim, em qualquer lugar, ou coisa que o valha, que se encontre gente disposta a dar com a língua nos dentes. Meus ouvidos estão calejados por culpa do Lulinha paz e amor. Um amigo literato, de origem portuguesa, disse-me uma vez que o Lula só falava bem quando permanecia calado. Procede.

Prometi a mim mesmo ficar quieto aqui na minha praia de Itaparica. Peitos e bundas aos montes. Concluí que permanecer omisso não é legal; não posso deixar de fazer ou dizer alguma coisa nesse momento em que a mediocridade prevalece. Tem gente em cima do muro precisando conhecer, e talvez ler, algumas verdades. Quando sentir a barra pesar para o meu lado, ameaço com o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003) e elejo outro jornalista para segurar o bastão – se inadvertidamente, é problema única e exclusivamente dele. Jornalista mulher também serve.

Enquanto isso, a Secretaria de Segurança do Estado da Bahia contabiliza 115 assassinatos desde o início da greve dos policiais militares, em 31 de janeiro último. Barril de pólvora. Esperemos que o Carnaval não seja banhado a sangue.

Terça-feira, 7 de fevereiro de 2012.

Augusto Avlis

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