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Política

Sequestro da decência – 6ª parte

1Reafirmo que o Brasil é um paraíso de ladrões, de pulhas mequetrefes. Por conta e risco disso, Dilma Rousseff continua mandando na Petrobras, tomou para si a “galinha dos ovos podres”, achando que um dia a postura voltará a ser de ouro. A Petrobras dos brasileiros está precisando urgentemente de “Certificações de Qualidade” voltadas à índole humana. Caso isso seja impossível pela má qualidade das pessoas, então que o governo (o próximo) crie um “Código de Postura Estatal”, uma ordem emanada dos três Poderes da República que obriga ao cumprimento de certos deveres de ordem pública constitucional. É mais uma tentativa no sentido de enquadrar os funcionários públicos (e agregados) a determinadas regras – o que estamos vendo hoje é justamente o contrário, as regras são adaptadas aos interesses dos indivíduos sem caráter. Infelizmente, todos foram jogados na mesma vala comum – uma parte consegue se agarrar a bons instintos, porém, considerável parcela se deixa levar pelo ganho fácil, pelo prazer de sacanear os outros armando ciladas, pelo egoísmo exacerbado. Estamos vivendo tempos difíceis e não vislumbro saídas de emergência. Salvem-se quem puder.

De um modo geral, dentro das previsões, o mercado reagiu mal à indicação do bancário Aldemir Bendine para presidir a Petrobras em substituição a Graça Foster, que foi cantar em outro terreiro, ou espantar criancinhas em noite de lua cheia. A presidente-bolchevista Dilma Rousseff trocou seis por meia dúzia, vestiu um santo e despiu outro, trocou pedras no mesmo tabuleiro de xadrez. Dilma se comportou como “Dama da meia-noite”, também conhecida como “Dama de vermelho” ou “Dama de branco”. Nesse caso, da dama Dilma, não se trata de um mito universal. Segundo a realidade, uma mulher velha, que não sabe que já morreu, vive andando pelas ruas de Brasília, aparentemente perdida. A tal mulher, que anda vestida de vermelho, tentou várias vezes encantar algum executivo solitário para ocupar a presidência da Petrobras. Essa mulher velha é a Dilma Rousseff, uma alma penada, com corpo nada jovem e, portanto, nada sedutor. Mesmo assim, ela se aproximou de Aldemir Bendine deixando-o encantado com promessas mirabolantes, e o convenceu a levá-la para casa, ou melhor, para o Palácio do Planalto – o Palácio dos Despachos da “Dama da meia-noite”. Enfeitiçado, Aldemir Bendine não percebeu que estava diante do cemitério político e se deixou levar pela voz grossa, nada suave e nada encantadora, da primeira dama solitária: “Entre, é aqui que eu darei a você as novas ordens para serem cumpridas na Petrobras”. Dilma desapareceu, o sino da igreja tocou e o relógio marcava meia-noite. Não é preciso ser muito inteligente para saber que a meia-noite é o horário em que começa a madrugada, de modo que é o marco zero do início de um dia, que um dia, será o último para a “Dama da meia-noite”. Quando isso ocorrer, de fato, Aldemir Bendine tomará um grande porre num bar qualquer de Brasília, rezará pela alma penada e mandará currículo para o Banco do Brasil na esperança de ser readmitido.

Está mais do que claro que a nomeação do presidente do Banco do Brasil para assumir o lugar de Graça Foster não dará transparência à gestão da Petrobras, por três motivos: 1º. A sua estreita ligação com a presidente Dilma Rousseff e, sobretudo, com o ex-presidente Lula; 2º. Não terá independência para agir; 3º. O Palácio do Planalto continuará interferindo na estatal. O oxigênio é pouco e a Petrobras corre sério risco de morrer sufocada. A meu sentir, a Petrobras entrará numa fase de “pré-liquidação” (apuração dos haveres, cumprimento do pagamento do passivo com a venda dos ativos e prestação de contas ao final da liquidação) e depois liquidada definitivamente, ou seja, pagos todos os credores com a alienação do ativo, e, uma vez havendo saldo credor este seria distribuído aos sócios como residual da liquidação. Por outro lado, uma “liquidação extrajudicial” envolveria procedimentos estabelecidos / convencionados entre as partes – acho difícil. Não se descarta, a rigor, uma “liquidação judicial”. São muitas ações correndo na Justiça, dentro e fora do país.

O tão esperado “choque de credibilidade” caiu no descrédito. E por falar em credibilidade, no ano passado, a imprensa divulgou aos mil ventos que Aldemir Bendine favoreceu a apresentadora de TV, e sua amiga, Val Marchiori, com empréstimo de R$ 2,7 milhões (juros de 4% ao ano e abaixo da inflação), com base em uma linha subsidiada pelo BNDES, contrariando frontalmente as normas internas das duas instituições financeiras. Aldemir Bendine negou as acusações, classificando-as como “absurdas”. O processo corre na Justiça. Como se vê, o queridinho de Dilma Rousseff também é vidraça, não é à prova de denúncias – se fosse “ficha limpa” não iria para a Petrobras.

O problema da Petrobras é estrutural, é muito mais complexo do que se imagina. A estatal está em “papo de aranha”, precisa divulgar o balanço auditado relativo ao 4º trimestre de 2014, mencionando as perdas reais com a corrupção. Especialistas em finanças dizem que essa é uma tarefa impossível dado ao tempo em que a “sangria” prevaleceu na empresa e por conta de um problema da maior gravidade, ou seja, a pulverização da corrupção, dificultando juntar as peças e os pedaços. “É provável que se a empresa não entregar os números auditados perderá o grau de investimentos. Por isso, esse é o evento crucial no curto prazo. […] A Petrobrás passa por uma fase complicada, com grandes investimentos, alto endividamento e preços de petróleo em baixa”, disse o economista Hersz Ferman, da Elite Corretora Ferman. Por esses motivos, a preocupação com a nomeação dos diretores fica no segundo plano.

A continuidade da interferência do Palácio do Planalto na gestão da Petrobras é um sintoma que perdurará com a nomeação do bancário Aldemir Bendine, cujo currículo não foi levado à discussão, em função da necessidade de conhecimento específico. Três pontos chamam a atenção: primeiro ponto, Dilma Rousseff “obrigou” Aldemir Bendine a assumir o mais alto posto da estatal para administrar os números contábeis; segundo ponto, maquiar os balanços fiscais; terceiro ponto, por ser um bom garoto de recado, criar uma cortina de fumaça em torno das provas de corrupção que ainda estejam represadas nos gabinetes das diretorias – e quem sabe até nos banheiros dos demais departamentos. A corrupção na Petrobras é um axioma, ou seja, é tão evidente cuja comprovação é dispensável por ser óbvia; um princípio evidente por si mesmo. Só um cego dos dois olhos e burro de pai e mãe que não consegue considerar Lula e Dilma como duas evidências corruptas.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Sequestro da decência – 6ª parte

  1. A maior segurança que se pode ter é colocar um ladrão pra tomar conta de outros ladrões.

    Publicado por nair | 25/02/2015, 23:14
  2. Acabariam cometendo canibalismo.

    Publicado por augustoavlis | 26/02/2015, 07:06

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