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Política

Sequestro da decência – 4ª parte

1O Brasil é um paraíso de ladrões. Tudo indica que continuará por algum tempo. A Brasília dos políticos tem lógica própria: conviver pacificamente com as “crises existenciais impostas”, porque o estado emocional com que os políticos vêem o próprio comportamento faz sentido e tem significado, ou seja, não se importam com nada e estão “cagan@#$*do” e andando pra tudo e pra todos. Corrupção, crimes financeiros e impunidade têm lógica própria. De todo modo, os políticos não estão errados porque cumprem o seu papel ordinário; nós, simples mortais, estamos errados, literalmente, porque não fazemos nada para mudar isso, apenas contabilizamos as perdas a nosso modo. Para infelicidade geral da nação, tem brasileiro (e olha que são muitos) que não esconde a sua vontade de estar no lugar do político corrupto, de ter a oportunidade de roubar um pouco também, de se dar bem no decorrer do mandato! Tal juízo de valor explica o fato da predisposição de uma significativa parte do eleitorado em votar nos políticos descomprometidos com a moral e ética pública. Faz sentido.

A crise da Petrobras parece não ter fim. No artigo anterior comentei sobre a demissão de Graça Foster, pois bem, a ex-presidente da estatal preferiu adotar a postura de renunciar e pular do barco em chamas na próxima sexta-feira, dia 06, descumprindo acordo com a sua amiga Dilma Rousseff de permanecer no cargo até o final deste mês, dando à presidente da República um tempo para escolher um substituto. Cinco diretores acompanharam Graça Foster no ato da renúncia, confirmado ontem, quarta-feira, 04. Foram eles: Almir Guilherme Barbassa (Diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores), José Miranda Formigli (Diretor de Exploração e Produção), José Carlos Cosenza (Diretor de Abastecimento), José Alcides Santoro (Diretor de Gás e Energia), José Antônio de Figueiredo (Diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais). Tanto o mercado financeiro quanto os acionistas privados aguarda com bastante ansiedade os seis novos nomes para recompor a alta direção da empresa. O Conselho de Administração da Petrobras, sob a presidência do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocado onde está pela presidente Dilma Rousseff como prêmio por ter quebrado a economia brasileira, vai se reunir nesta sexta-feira, 06, para eleger os novos membros da diretoria – a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já foi informada a respeito da mudança. Vale lembrar que a ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, também faz parte do Conselho de Administração da Petrobras. Fica a comprovação de um conceito que eu defendo: “Os ratos migram de uma toca para outra, dependendo da disponibilidade da comida”. A cavalgadura da Dilma Rousseff interferirá na escolha dos nomes e prevalecerá o critério meramente político – da ingerência (intrometimento) na gestão da Petrobras Dilma Rousseff não abrirá mão enquanto estiver no governo.

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, autorizou hoje, quinta-feira, 05, a instauração de uma nova CPI da Petrobras e, em plenário, leu o ato de sua criação. Os trabalhos estão previstos para começar logo após o Carnaval. A indicação dos 27 membros da CPI será feita pelos partidos políticos através das suas lideranças, cuja distribuição de cargos na CPI é feita de maneira proporcional às bancadas, de modo que o PMDB e o PT devem ficar com a presidência e com a relatoria da Comissão, respectivamente. Das 182 assinaturas obtidas (171 mínimas seriam necessárias), 52 foram de deputados da própria base aliada do governo. A CPI da Petrobras, no âmbito da Câmara dos Deputados, com poderes de investigação iguais aos do Judiciário, terá no máximo 180 dias (120 dias de funcionamento normal + 60 dias de prorrogação) para concluir os trabalhos. Público e notório que houve a prática de atos ilícitos e irregulares de toda ordem na Petrobras; está comprovada a gestão temerária na construção de refinarias no Brasil e na compra de refinarias no exterior; o superfaturamento dos contratos era dever de ofício da quadrilha do Petrolão; a corrupção era ato institucionalizado na Petrobras desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula (2003) e mantido pela presidente Dilma Rousseff como “forma legal” de cooptar parlamentares e assim materializar e revitalizar o “projeto de poder” do PT. A CPI recém aprovada na Câmara dos Deputados somente terá validade se conseguir a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, se processar criminalmente o Lula, se cassar todos os políticos envolvidos com o esquema de propinas e se colocar na cadeia todos os envolvidos direta ou indiretamente no maior esquema de corrupção da República Brasileira. Tudo o mais será perda de tempo e os repetitivos trabalhos paralelos da CPI poderão de certa forma atrapalhar a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal de Curitiba.

Nunca, em toda a história política brasileira, o decoro parlamentar será posto à prova e cobrado comportamento decente. O publicitário João Santana, marqueteiro responsável pela campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT) pintou o Brasil como se fosse um quadro de Rembrandt e cobrou um preço alto pela sua obra acabada. A então candidata Dilma Rousseff, como boa curadora de arte, exibiu orgulhosa o quadro Brasil para a massa de eleitores durante a sua campanha. Um mês depois de confirmada a sua vitória nas urnas o povo brasileiro descobriu que o quadro de Rembrandt era falso. Ficou a impressão de “obra fraudulenta”, exposta ao público que não entende absolutamente de arte, assinada pela então candidata à reeleição. O sequestro da decência e da dignidade pelo governo federal não o habilita a pedir resgate ao povo brasileiro, ainda que ameace não revelar o local do cativeiro caso não seja atendido no seu pleito. Pactos de generosidade propostos pela oposição levarão a mais intempestividade e intransigência. Mudar as regras políticas no meio do jogo é impossível. Na essência da palavra, dignidade é a forma correta do indivíduo se portar; compostura digna, maneira de agir ou de falar que denota pudor, moralidade ou resguardo. Porém, este conceito é jogado às ravinas por um simples motivo: “Onde reina a força, o direito não tem lugar”. No cemitério Brasil jaz a Justiça.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Sequestro da decência – 4ª parte

  1. É tanta roubalheira que fica difícil de encontrar quem começou primeiro a roubar, parece um polvo com seus tentáculos. Já pensaram que o Brasil poderá se transformar em terra do NUNCA.

    Publicado por nair | 07/02/2015, 19:42

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