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Política

Estopim aceso – 3ª parte

1 Se formos aplicar a Lei do “Olho por Olho” o país ficará cego. As manifestações populares não farão os políticos mudarem o comportamento; elas, por si, não são o suficiente para sensibilizá-los, muito pelo contrário, continuarão os mesmos personagens agindo da mesma forma, só que daqui pra frente com um olho na missa e o outro no padre, prevenidos contra ataques diretos. Para mostrar serviço, adoçar a boca dos crentes eleitores, o atual profissional da política diz legislar a favor do povo, assina a autoria de projetos rocambolescos, adota medidas populistas – estratégias que o permitem lançar uma cortina de fumaça em torno de si, porque sabe que ele é o problema e não quer ser identificado. Para a infelicidade geral da nação, a Justiça está seguindo idêntico caminho. O Brasil está de luto. Precisamos de um Deus que nos perdoe muito. Como transformar as ameaças em oportunidades se as possibilidades de melhorar não existem.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Albino Zavascki (desde 29/11/2012, substituindo o ministro Cezar Peluso), na segunda-feira, 19 de maio de 2014, determinou a soltura de todos os presos na Operação da Polícia Federal “Lava-Jato”. Nesse mesmo dia, por volta das 16h30min o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi libertado da ratoeira, perdão, da prisão – Superintendência da PF em Curitiba / Paraná. Ao todo, foram 12 os detidos no último mês de março pela Polícia Federal. Teori Zavascki “entendeu” que o juiz Sérgio Moro, lotado na 13ª Vara Federal em Curitiba ultrapassou os limites da sua competência legal ao investigar o deputado federal André Vargas (ex-PT), uma vez que possui foro privilegiado. Outros parlamentares, nas mesmas condições, foram também citados nas investigações da PF. Por “pressões” de extraterrestres, o ministro Teori Zavascki reconsiderou a sua decisão na terça-feira, 20, desta feita, 11 ratos continuam presos, entre eles o doleiro Alberto Youssef, considerado o eixo central do esquema de lavagem de dinheiro, cuja movimentação ultrapassa a casa dos R$ 10 bilhões (valor parcial). Dinheiro da Petrobras, dinheiro da nação brasileira, dinheiro do povo. Mesmo com a determinação do STF de não sai da cidade e de entregar o passaporte, ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ficará de braços cruzados aguardando a sua volta à prisão no desenrolar do processo? Alguém acredita que ele permanecerá no país? Crimes políticos, crimes financeiros que revoltam os cidadãos. Mais lenha na fogueira, mais pólvora atirada ao fogo. Estão gozando da nossa cara e depois reclamam das manifestações populares como se elas fossem absurdas.

O ressurgimento dos protestos pode vir acompanhado de mais violência. É um forte sintoma. Um quadro preocupante. Até o presente momento ninguém, seja do governo, seja dos órgãos de repressão, seja da mídia, seja da sociedade organizada, mostrou o “termômetro social” que marca a real temperatura do corpo mobilizado, e esse é o verdadeiro e o grande “X” da questão. Se a febre alta está persistindo, há iminente risco de mortes súbitas, dos hospitais ficarem congestionados e os necrotérios superlotados a espera do reconhecimento dos cadáveres. Isso não é romance policial, algo conceituado como abstrato. A imprevisibilidade e a imponderabilidade nos pegam de surpresa. Devemos estar preparados para o pior.

Logo após a área evacuada, o governo tentará realizar o rescaldo, promover um conjunto de operações necessárias para completar a extinção do fogo, impedir a reigniçao e colocar o local em condições de segurança temporária. No ano passado cerca de 3 milhões de pessoas saíram às ruas, fizeram manifestações contra os gastos com as obras dos estádios da Copa, reivindicaram aumento dos recursos federais para a saúde e educação, pediram a redução do valor das passagens dos transportes públicos, gritaram o fim da corrupção e da impunidade. Foram movimentos pouco nostálgicos, mas que serviram para me fazer lembrar das Greves gerais, das Passeatas e das Manifestações ocorridas nas décadas de 60, 70 e 80. Tempos bons aqueles, tudo era maiúsculo. O galo cantava e você sabia onde ele estava. As pancadarias eram orquestradas dentro da ética e dos bons costumes. Não havia inimigos, só discordantes. Éramos respeitados e respeitávamos. Oprimidos e opressores, vítimas e algozes, cada grupo no seu quadrado e quando as “comunidades” se encontravam cumpriam religiosamente o papel que lhes cabia por opção e não por determinação. Não existiam as tais “Redes Sociais”, Internet, Intranet ou coisa que o valha. Celular, nem pensar. Tudo era de boca em boca, até os beijos nos policiais, cantados em verso e prosa – pura poesia da guerra.

O Papa Francisco e a Internet – uma relação divina. “A Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro” é o tema da 48ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais que a Igreja Católica celebrará no dia 1º de junho de 2014, Solenidade da Ascensão do Senhor, o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais (PCCS) fez uma convocatória para uma “mesa em comum”. O Santo Padre Francisco apresentou a sua mensagem no dia 24 de janeiro deste ano, na memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. “Entre estas ruas também se encontram as digitais, povoadas de humanidade, aos poucos ferida: homens e mulheres que buscam uma salvação ou uma esperança. Graças também às redes, a mensagem cristã pode viajar ‘até os confins da terra’ (Atos 1,8). Abrir as portas das Igrejas significa abri-las no mundo digital, tanto para que a gente entre, em qualquer condição de vida na que se encontre como para que o Evangelho possa cruzar o umbral do templo e sair ao encontro de todos. A rede digital pode ser um lugar rico em humanidade: não uma rede de cabos, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos meios de comunicação é aparente: só quem comunica pondo-se em jogo a si mesmo pode representar um ponto de referência. O compromisso pessoal é a raiz mesma da fiabilidade do comunicador. Precisamente por isso o testemunho cristão, graças à rede, pode alcançar as periferias existenciais. Estamos chamados a dar testemunho de uma Igreja que seja a casa de todos. Somos capazes de comunicar este rosto da Igreja? A comunicação contribui para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja; e as redes sociais são hoje um dos lugares onde viver esta vocação redescobrindo a beleza da Fé, a beleza do encontro com Cristo. Também no contexto da comunicação serve uma Igreja que logre levar calor e ascender os corações” – disse o Papa Francisco.

Francisco de Sales, nascido François de Sales (Castelo de Sales, Thorens-Glières, 21 de agosto de 1567 – Lião, 28 de dezembro de 1622) foi um sacerdote católico, bispo de Genebra. Possui o título de Doutor da Igreja Católica, é titular e patrono da Família Salesiana, fundada por São João Bosco. São Francisco de Sales é também patrono dos escritores, dos jornalistas e dos deficientes auditivos. Sublinho. Nessas três classes de “protegidos” eu me situo: sou escritor, sou jornalista e começo a ter problemas de audição por conta de tanta besteira que sou obrigado a ouvir dos políticos, sobretudo daqueles que habitam o “Planalto Infernal”.

A Indústria Cultural, representada pelas diversas mídias, precisa rever valores, pesar conteúdos, respeitar o público alvo e, sobretudo, escolher melhor os senhores aos quais serve. Os internautas estão conectados full-time e podem fazer a diferença e provocar as mudanças que o sistema se nega a fazer. Em um artigo que publiquei neste meu Blog em 10/03/2012, na categoria Política, de título “Polítitica – 1ª Crônica – Nota 11” eu escrevi o seguinte: “A produção da comunicação de massa se fundamenta numa estratégia de linguagem que permite mecanismos de manipulação, dominação, doutrinação e alienação pessoal, grupal e coletiva. Mas, que ‘estratégia de linguagem’ é essa, sobre a qual repousa a produção da propalada comunicação de massa? São os signos linguísticos que deslizam num mar de significantes e significados, dando uma roupagem e um rótulo próprios à mensagem. Os meios de comunicação de massa valem-se, em outras palavras, de uma linguagem conotativa (função apelativa) sendo que essa mesma linguagem tem a propriedade de influenciar, de persuadir o indivíduo a optar favoravelmente por alguma coisa ou situação previamente planejada”.

A contagem regressiva continua. Os robôs estão a postos!

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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