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Política

Estopim aceso – 2ª parte

1Amigos leitores. O que vou escrever agora pode parecer hilário, mas não é, e posso garantir a vocês que é a mais pura expressão de seriedade. Imaginemos uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, sob a batuta da presidente dentuça. Ao redor da majestosa mesa oval impolutos representantes da nação brasileira com aquelas normais caras de cumpridores do dever constitucional. De repente, um terrível cheiro de ovo podre toma conta do ambiente deixando a atmosfera irrespirável. Alguém soltou um pum, e em ato instantâneo, todos olham para a presidente da Copa, que, sem perder a pose de peidona número um, ela solta essa: “Estamos todos cagados, literalmente. Cada um de nós carrega consigo um monte de merda”. A ministra Ideli Salvatti (PT – Secretária Especial de Direitos Humanos, em exercício desde 1º de abril de 2014), que padece de prisão de ventre desde que nasceu, sugeriu “que os donos das merdas não fossem castigados e os tais excrementos descarregados na população”. Mas é o que está acontecendo. Uma fina mistura de Copa do Mundo corrompida com Eleições fraudadas. Veja o caso do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), mais do que presidente atual do Senado Federal, agora é o lixeiro nº 1 do Executivo, jogando para debaixo do tapete as denúncias de corrupção envolvendo direta ou indiretamente o governo federal, que não para de fazer merda a todo instante – basta assistir a mais recente e comovente propaganda da Petrobras, exibida na televisão, paga com o nosso dinheiro, como tentativa de limpar um pouco da imagem da estatal, depois de religiosamente assaltada pelos fieis companheiros do Rei e da Rainha do Brasil. Por falar em lixeiro, Renan Calheiros entende muito bem de lixo, o escândalo de corrupção que ficou conhecido como “Renangate” o fez renunciar da presidência do Senado em 11 de novembro 2007, mas ele não abriu mão do cargo de senador e do lixo acumulado.

O governo federal aposta no bom desempenho da Seleção brasileira nessa Copa do Mundo, a Copa das Copas, e aí o povinho de merda esquecerá de todos os problemas que um dia o afligiram tanto – ainda em clima de comemoração correrá em massa para as urnas fraudadas, perdão, eletrônicas, para votar novamente nos Petralhas, nessa gentalha de merda. Estou pensando em usar o termo “Petrabras”. Falando em merda, outra grande merda de respeito que está vindo por aí (expelida pelo ânus governamental) é a “compra oficial da Copa” pelas autoridades brasileiras. Não se trata da compra definitiva do caneco, ou melhor, da taça, mas do campeonato de 2014, com a prestimosa colaboração da FIFA, sócia do governo. Em ano de eleição o Brasil tem que ser campeão. Para quem gastou R$ 50 bilhões com o evento, gastar mais R$ 20 bilhões por fora não representa nada para os cofres públicos. Já somos hexa campeões mundiais em três coisas: corrupção, criação de ratos e roubalheira.

Um fenômeno interessante ocorre nas manifestações populares, basta uma pessoa tomar a iniciativa para servir de motivo pros demais manifestantes acompanharem as ações. Se alguém parte para a agressão, será seguido por indivíduos igualmente violentos. Se alguém depreda o patrimônio, estimulará outros vândalos. É desse modo que se caracteriza a escalada da violência, reações em cadeia com desproporcionalidade crescente. O comportamento humano sempre esteve conectado a exemplos, a condutas dos semelhantes, de modo que se uma pessoa faz alguma coisa eu também posso fazer, e até melhor, dependendo da vontade própria ou não. Nas ações delituosas e/ou criminosas geralmente não se mede o grau da gravidade, tampouco as consequências pelo seu cometimento. Outro ponto a observar nessas manifestações populares, de extrema preocupação, é o fato de que no calor dos protestos não se escolhe alvos e vítimas – tudo, literalmente, entra no bolo, fica sob o rolo compressor. O MPL – Movimento Passe Livre provocou uma série de adesões, de engajamentos espontâneos. Aí reside um perigo, na medida em que se observou o aumento do nível de intelectualidade das pessoas, preparadas para a realização de planejamentos tático-operacionais que resultem em maior eficácia.

Em que pese o pacto de governabilidade em favor do Brasil proposto pelo governo federal, segundo discurso da presidente da República, Dilma Rousseff, durante reunião com governadores e prefeitos de capitais, proferido no Palácio do Planalto no dia 24 de junho de 2013 (17h55min), não aconteceu absolutamente nada até hoje, mas, por outro lado, aconteceu tudo de pior, promessas, falácia, pura enganação. No próximo dia 24 de junho, daqui a um mês praticamente, terá passado um ano do “forçado” discurso da presidente da Copa 2014 – o povo gritando nas ruas obrigou-a a fazer promessas que não foram cumpridas. O dia 24 de junho é um dia simbólico, quando o Brasil festeja São João, o povo acende fogueiras e solta balões. Como não pode soltar balões, resta-lhe acender fogueiras. Amigos leitores, leiam parte do discurso romântico de Dilma Rousseff, de 24/06/2013, no auge das manifestações populares: “O primeiro pacto é pela responsabilidade fiscal, para garantir a estabilidade da economia e o controle da inflação. O segundo pacto é em torno da construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular e amplie os horizontes da cidadania. Devemos também dar prioridade ao combate à corrupção, de forma ainda mais contundente do que já vem sendo feito em todas as esferas. Nesse sentido, uma iniciativa fundamental é uma nova legislação que classifique a corrupção dolosa como equivalente a crime hediondo, com penas severas, muito mais severas. O terceiro passo é na questão da Saúde. Quero propor aos senhores e às senhoras acelerar os investimentos já contratados em hospitais, UPAs e unidades básicas de saúde. O quarto pacto se propõe a dar um salto de qualidade no transporte público nas grandes cidades, mudar a matriz desse transporte. Fazer mais metrôs, VLTs e corredores de ônibus. Concluo com o Pacto da Educação Pública. Nenhuma nação se desenvolve sem alfabetização na idade certa e sem creches para a população que mais precisa, sem educação em tempo integral, sem ensino técnico profissionalizante, sem universidade de excelência, sem pesquisa, ciência e inovação”.

Amigos leitores. Eu sinto saudades do meu tempo de infância na fazenda do meu tio. Quando os porcos estavam gordos ele mandava matar, quando as galinhas paravam de por ovos ele mandava jogá-las na panela. O meu tio ainda dizia: “Esses bichos estão comendo demais e me dando prejuízo”. Ah, se esse procedimento pudesse ser adotado na política, nela não falta porco nem galinha – só que na fazenda Brasil está faltando tios como o meu; infelizmente o meu tio morreu antes de mandar matar a última inútil galinha do terreiro e um porco sequelado que anda infernizando a pocilga. A contagem regressiva continua.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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