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Esportes

Copa do Mundo – 3ª parte – CPI da Copa

3“Sem assinaturas suficientes, Senado aborta CPI da Copa do Mundo”. A quem essa notícia interessou? Quanto custou aos cofres públicos a virada de mesa? A FIFA teve alguma participação nesse episódio? As empreiteiras “contratadas” ameaçaram botar a boca no trombone, dizer quem são os verdadeiros cupins do erário? As forças ocultas que se escondem atrás das pilastras do Palácio do Planalto e em outros cômodos oficiais mostraram as caras? Como ficam os contribuintes brasileiros nessa história toda? São seis perguntas feitas à época, por mim, e que até hoje estão sem resposta, e ficarão. E de nada adianta ficar se esgoelando porque o Brasil não tem solução, pelo menos no médio prazo. O governo federal está fazendo uma autópsia num corpo vivo sem anestesia geral. Essa é a sensação de dor que eu tenho quando comprovo o mau uso do dinheiro público pelo governo, desregradamente, sem critérios técnicos, sem precisão, à revelia, sem cobertura legal, apenas o faz com fins meramente políticos, com propósitos inconfessáveis, para enriquecer meia dúzia, talvez, de companheiros empresários que garantem a comissãozinha de sempre – as mesmas sanguessugas, ou popularmente Chamichungas, que financiam as campanhas políticas e ainda subvertem a ordem natural das coisas.

Viva o Brasil! Terra tupiniquim, que não consegue aprender com as suas mazelas tropicais. Povinho de merda, que bate palmas quando ouve a mensagem do Diabo vestindo Prada. Povinho sem-vergonha, que pede desculpas porque deu a bunda aos políticos devassos. Vamos vivendo conforme os políticos querem, e também não importa se os pesados impostos que pagamos não retornam em forma de serviços essenciais à população. Fodam-se aqueles que ainda acreditam em salvação total. Estou me lixando. Dane-se também se o seu pai morrerá na porta de um hospital público, se o seu filho é um analfabeto funcional, se na sua mesa pão dormido é repartido com os poucos que estão presentes, porque o restante do pessoal deve estar batendo pernas na rua atrás de emprego, ou encostado num balcão de bar esperando que alguém pague uma dose da boa cana. Cadê sua mulher? Cadê seu marido? Saíram de casa? Provavelmente, foram em busca de esperança, de alguém que possa confortá-los. A bala perdida já levou o primogênito. Mas, não tem nenhum problema, o cartão Bolsa Família é a redenção da alma – contentem-se meus irmãos. Salve a Seleção. Dia 12 de junho o Brasil jogará com a Croácia e a boa cachaça já está encomendada no botequim do seu Zé, que colocará a conta no prego, e ficará lá até a próxima Copa.

Babaca, perdão, infeliz foi o deputado federal Izalci Lucas Ferreira (PSDB-DF) que protocolou junto à Secretaria-Geral da Mesa do Congresso Nacional um pedido de abertura de uma CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, formada por deputados e senadores, com a finalidade de investigar as supostas irregularidades no uso de dinheiro público nas obras da Copa do Mundo FIFA de Futebol 2014. Eram 17h10min de uma quarta-feira, 17 de julho de 2013. Fadas madrinhas e duendes passeavam nos jardins de Brasília. No princípio, a CPMI da Copa teve o apoio de 178 deputados federais e de 28 senadores, somando 206 assinaturas, representando uma folga de 08 assinaturas. O Brasil vive de aparências, e esse incondicional apoio político não passou disso. O inocente do deputado Izalci Lucas Ferreira acreditava que isso seria possível, ou seja, a instalação da CPMI, e, num lapso de memória, esqueceu que o seu partido político é o maior desafeto do PT. O governo federal jamais ficaria parado diante de tamanho risco e tudo faria para convencer os parlamentares da “base aliada” – não tão aliada assim – a retirar as assinaturas do tal requerimento. Pelo regimento da casa, para a criação de uma CPMI são necessárias 198 assinaturas no total, sendo 171 de deputados federais e 27 de senadores. O governo não é ingênuo, e para derrubar a CPMI da Copa bastava “fazer a cabeça” de dois senadores (28 – 2 = 26), portanto, abaixo do mínimo exigido de 27 senadores; ou encher os bolsos de 08 deputados federais (178 – 08 = 170), também abaixo do mínimo exigido de 171 deputados. No frigir dos ovos, no Senado, o requerimento não atingiu as 27 assinaturas mínimas, porque 04 dos 28 senadores retiraram as suas assinaturas, enterrando de vez a CPMI da Copa. Todo o político tem o seu preço. Zezé Perrella (PDT-MG), João Durval (PDT-BA), Jayme Campos (DEM-MT) e Clésio Andrade (PMDB-MG) foram os 04 senadores da República, nesta leva, que retiraram o apoio sem dramas de consciência. “O jogo é muito pesado, o governo atuou, os presidentes de partido e as pessoas ligadas ao evento. É desanimador ver que não há preocupação do Congresso com a fiscalização destes gastos” – comentou o deputado federal Izalci Lucas Ferreira (PSDB-DF). Será que ele esperava algo diferente dos seus pares corruptos?

A pressão das redes sociais, a pauta de reivindicações das manifestações, o superfaturamento de obras em diversos estádios, as suspeitas em obras de infraestrutura não foram razões suficientes para a abertura da CPMI da Copa do Mundo. A divisão dos lucros com a Copa, os direitos de transmissão dos jogos para o mundo (movimentando bilhões de dólares) foram duas questões que pesaram muito politicamente. Afinal, as grandes corporações colocaram dinheiro no negócio Copa do Mundo e exigem retorno, e os intermediários que se virem para que isso aconteça. Todos os que estão envolvidos no evento, governo federal, FIFA, CBF, etc, sabiam que uma CPMI naquela altura do campeonato seria uma “bola nas costas”. Por outro lado, acho que essas entidades estão subestimando as manifestações populares – essas sim podem provocar expulsões em massa.

Acredito no espírito patriótico do deputado federal Romário de Souza Faria (PSB-RJ). No ano passado ele denunciou ao plenário da Câmara um escândalo envolvendo o ministro do Esporte Aldo Rebelo (PC do B) e o presidente da CBF José Maria Marin. A maracutaia foi planejada num jantar ocorrido em Brasília com a presença desses dois senhores e de cerca de 30 políticos entre deputados e senadores. O tema principal discutido foi a “real” possibilidade de o governo anistiar os clubes de futebol da dívida aproximada de R$ 3 bilhões, relacionada ao não pagamento de INSS, Imposto de Renda e FGTS. O pastor, perdão, o ministro do Esporte Aldo Rebelo ficou de preparar a MP – Medida Provisória. O fato lamentável é o envolvimento direto do governo federal em esquemas fraudulentos, que se tornam oficiais, causando prejuízos ao país. O lance principal da partida não foi revelado, não se sabe quanto os juízes levaram de propina. O ex-atacante de futebol, Romário, sabe de muita coisa, de modo que, posicionando-se bem em campo, deveria fazer outros gols de placa como esse da denúncia. Bola cheia!

A CPI da Espionagem instalada no Senado aprovou no dia 09 de abril de 2014 o relatório final. Nele, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) explicitou a necessidade de o governo aumentar os investimentos em “inteligência” e “contra-inteligência” no Brasil. Segundo Ricardo Ferraço, novas tecnologias precisam ser desenvolvidas e selecionar quadros capacitados para o país enfrentar a espionagem internacional, sobretudo com a adoção de mecanismos de proteção do conhecimento e de segurança cibernética. “O orçamento da ABIN – Agência Brasileira de Inteligência em 2012 alcançou R$ 527,7 milhões, enquanto o orçamento da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, por exemplo, para o ano fiscal de 2012/2013 chegou a US$ 52,6 bilhões” – comentou o senador Ricardo Ferraço, que não disse aonde foram parar os R$ 527,7 milhões e quais foram os orçamentos da ABIN para 2013 e 2014. O principal a CPI da Espionagem deixou de fazer, ou seja, apontar os culpados e os envolvidos no crime de espionagem eletrônica que quase “desnudou” a presidente da Copa & Cozinha Dilma Rousseff. Agora, aqui pra nós e convenhamos, comparar o Brasil com os Estados Unidos é o mesmo que comparar o olho do CU com a feira internacional de Bruxelas. Ricardo Ferraço teria feito mais bonito se, no seu romântico relatório, tivesse sugerido que a ABIN apurasse o número real de operários mortos durante a construção e reformas dos 12 estádios da Copa do Mundo Brasil 2014. A ABIN, assim como os organizadores da Copa, sabe de onde tirar o dinheiro de que precisa para fazer as coisas ou deixar de fazê-las.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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