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Consultoria & Marketing

O “Recomendado” – 4ª parte

O “Recomendado” – 4ª parte

Aquele indivíduo que é objeto de recomendação tanto pode vir de fora da empresa como de dentro dela. Falamos até aqui do primeiro caso. Quando o “apresentado” já é funcionário e foi escolhido para ocupar determinado cargo numa “Promoção Vertical”, sem passar pelos “filtros legais”, certamente provocará uma série de problemas. A sua aceitação pelo grupo de trabalho dependerá de muitos fatores, dentre os quais citamos: Relacionamento (atributos para uma boa convivência); Adaptabilidade (capacidade de se ajustar às circunstâncias); Comando (saber usar a autoridade); Liderança (habilidade de influenciar o grupo em direção ao sucesso); Disposição para o aprendizado (inclinação a aprender com os subordinados assumindo uma postura de humildade). Promoções Horizontais, ocorridas quando os colaboradores recebem aumento salarial sem a devida avaliação de mérito (sem alteração na estrutura de cargos), também costumam gerar conflitos de toda ordem. Cada empresa tem a sua política de gestão; desvios de conduta não são normais, mas acontecem. Critérios de avaliação deixam dúvidas, ou inexistem, e infelizmente isso ainda é uma realidade em certas empresas. Cair nas graças de alguém, sobretudo da chefia imediata, não significa que esse encantamento será eterno; já vi pessoas se arrependerem das indicações que fizeram.

Na década de 80 trabalhava numa grande cervejaria e ocupava o cargo de Coordenador Sênior na Diretoria de Marketing. Uma nova fábrica estava sendo inaugurada na cidade de Gravataí, no Estado do Rio Grande do Sul, e o grupo precisava nomear um Gerente Comercial (Promoção Vertical) que seria selecionado entre os três Coordenadores Seniores existentes. Pois bem, naquela altura o critério empregado foi “Antiguidade”, ou seja, o Coordenador Sênior com mais tempo de casa foi o “Recomendado” pelo Diretor de Marketing e tendo o seu nome aprovado em reunião dos acionistas. O quê fazer? Nada; apenas torcer pelo colega ser feliz na nova função e corresponder às expectativas frente aos novos desafios profissionais. Poderia dar dezenas de exemplos como este, mas, não vou fazê-lo porque são facilmente garimpados nas empresas do século XXI. Dou-lhe algumas dicas meu amigo: A forma de se posicionar perante os subordinados e, sobretudo, diante da direção da empresa é capital para o seu sucesso. Demonstre firmeza de propósitos, tenha objetivos claros e proponha ações bem definidas. Vista-se de acordo exigência do cargo, aos olhos dos observadores a aparência faz a diferença, de modo que “vestir-se convenientemente” também é usar um bom par de sapatos, barbear-se diariamente. Jamais se afaste do comando da organização e lembre-se de que “quem não mostra a cara não é lembrado”.

Um fantasma que ronda quem recomenda: Esse cara daqui a pouco vai ocupar o meu lugar. Botar as asas de fora será procedimento comum por parte do “Recomendado” e com certeza ele repetirá o refrão da música do Roberto Carlos “Esse cara sou eu”. Dê tempo ao tempo; até o fruto precisa dele para amadurecer. Manter relativa distância é estratégico do ponto de vista funcional. Não o traga até o seu nível, igualando-o a você, em qualquer situação, ainda que ele esteja ocupando o mesmo cargo e desempenhando as mesmas funções. Lembre-se de que o critério da “Antiguidade” considerado numa eventual promoção por si só bastava no passado, porém, hoje, o colaborador precisa construir um melhor patrimônio e nele incluir experiência, qualificação, comprometimento, nível cultural, formação acadêmica, títulos. Deixe que o novo colaborador prove na prática as suas qualidades e faça jus à confiança que recebeu. Às vezes, ou melhor, na maioria das vezes, o critério da “competência” é descartado nos casos de indicações. Por outro lado, eu acho que ninguém espera gratidão seja da parte de quem for, mas, o bom colega (amigo é outra coisa) demonstra isso, reconhece a ajuda que recebeu através do empenho, dedicação, respeito e apreço. Se, no final, tudo der certo, o que se espera é que o “Recomendado” reconheça o “empurrãozinho” que recebeu, porque a ingratidão dói mais do que a cotovelada do Jon Jones. Acreditar numa pessoa e esta provocar decepção ninguém merece!

Cuidado com as malícias, elas não preservam cargos. Seria esta máxima verdadeira? Você descobrirá na prática. Por incrível que pareça, eu já ouvi coisas do tipo “Você será EU amanhã”. Colocar ilusão na cabeça do “Recomendado” parece-me não muito inteligente. Mantenha a calma, não perca o controle e o equilíbrio emocional na perspectiva de problemas de difícil solução. A “frieza racional” é característica de um bom líder. No mundo corporativo ser carismático tem grande peso, mas só isso não basta. Não confundir relacionamento pessoal com o profissional e vice-versa, e o espaço entre eles deve ser mantido para que ambos sobrevivam. As empresas têm como missão vencer desafios constantes – lei do mercado; lei do capital. O Turnover (Rotatividade de pessoal) é um fenômeno que tem assombrado o empresariado brasileiro. Essa mesma classe de empresários que ainda não perdeu a mania de substituir de tempos em tempos a mão-de-obra considerada “cara” por novos colaboradores com salários mais baixos – jovens estão entrando no mercado de trabalho como “peças de reposição”. Ainda assim, não tenha receio do seu amigo, o “Recomendado”. Espero tê-lo ajudado com essas reflexões. Boa sorte.

Frase do dia:

“Faça a sua parte”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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