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Consultoria & Marketing

O “Recomendado” – 3ª parte

O “Recomendado” – 3ª parte

Certa vez, em trabalho de Consultoria numa Corretora de Valores, entrevistei um funcionário que em determinado momento me disse o seguinte: “Todo o bom colaborador quer o bem da empresa, sobretudo que ela dê lucro, porque a organização estando bem ele também estará, e isso começa com a qualidade do seu quadro funcional, onde me incluo”. Tive que concordar com aquela declaração e, sem entrar no mérito da questão, eu acho que você também pensa assim, tanto que fez a indicação do seu amigo. Os sócios da empresa onde você trabalha não lhe pediram para dar uma de “Caça talentos”, de sorte que a iniciativa foi exclusivamente sua, porque queria o bem da empresa. Grandes empresas, quando pretendem contratar os melhores profissionais no mercado para cargos executivos, procuram a figura do Headhunter, ou simplesmente “Caçador de cabeças”, não necessariamente Expert em RH, mas com imensa capacidade de identificar e seduzir valores humanos exponenciais, quer estejam trabalhando formalmente ou disponíveis. Analisando a questão do “Recomendado”, abre-se um leque interessante de discussões. Talvez pelo fato do grau de importância da vaga (de médio para pequeno) na estrutura organizacional, ele foi indicado em linha direta por você, visto como funcionário de confiança, e aí lhe restou conectar as duas pontas do processo admissional, sem a interferência externa de profissional com esse mister, pago regiamente para fazer essa intermediação em casos de admissões especiais.

Hoje em dia estão disponíveis, e muito utilizadas pelos internautas, as Redes de Contatos, ou Redes de Relacionamentos Profissionais, donde surgem trocas de experiências, oportunidades de trabalho, fóruns de discussões, ajuda mútua, realização de bons negócios, prospecção de informações mercadológicas, e, claro, novas amizades. A palavrinha mágica é Networking (Trabalhando na Rede), o que nos coloca em contato com pessoas do mercado de trabalho. É lógico que quanto maior for a sua “Rede de Contatos” tanto maiores serão as chances de conquistar uma colocação profissional que atenda às suas expectativas. Tudo bem que somos impelidos a ajudar alguém que esteja precisando, mas nem sempre a recíproca é verdadeira. Todavia, se a oportunidade de emprego está disponível, então, por que não aproveitá-la a tempo de indicar uma pessoa conhecida para ocupá-la? Um dia poderemos nos encontrar na mesma situação e procuraremos alguém que esteja disposto a nos estender a mão, mesmo na virtualidade dos contatos.

O “Recomendado” tem as costas quentes, sente-se protegido e favorecido porque acha que tem um padrinho e, portanto, age como afilhado e se considera imune a qualquer tipo de represália. Como é visto pelos colegas de trabalho? Talvez como um colega em quem não se possa confiar, um cara dedo-duro. Quem indicou, o famoso “QI”, passa a ser o responsável direto pelo indicado, por suas atitudes dentro da empresa. Se algo acontecer de errado a sua imagem ficará comprometida perante todos. De certa forma, quem recomenda um profissional para ocupar determinado cargo sente-se preocupado a partir do fato consumado, ou seja, a partir da sua admissão. Tal comentário vale pela ênfase. Por falar nisso, essa questão não deve causar sensação de pânico ou ansiedade, na medida em que o Departamento de Recursos Humanos é quem dará o aval, aprovará ou não o candidato, digamos o “Recomendado”. Agora, se o mesmo “entrar pela janela” como é o caso do seu amigo, eliminando todas as fases que compõem o processo admissional, como análise de currículo, procedimentos administrativos, dinâmicas de grupo, entrevistas, testes finais e seleção, aí sim a coisa pode ficar preta (feia) para o seu lado em casos de eventuais pisadas na bola. Queira, ou não queira, estamos diante de uma situação delicada que pode levar a constrangimentos – no mínimo.

Frase do dia:

“A transferência de atribuições não é só uma posição cômoda ou fugir da responsabilidade, é, sobretudo, prova de desorganização”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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