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Consultoria & Marketing

O “Recomendado” – 2ª parte

O “Recomendado” – 2ª parte

No artigo anterior falei sobre os cuidados que você deve ter ao revelar os planos da empresa e da necessidade de dosar isso para não criar expectativas que possam gerar frustrações e a consequente quebra de produtividade. Pois bem, na paralela, outra dica importante: Jamais revele tudo o que sabe; saber é poder, portanto, quem detém o conhecimento leva grande vantagem sobre os demais, é constantemente consultado pelos superiores e possui o mando das cartas na maioria dos “jogos”. Mas, não faça dessa condição motivo para manifestações de soberba. Você deve manter o grau de ascendência segundo o que preconiza o organograma da empresa. Veja também se a empresa oferece um número relativo de oportunidades fazendo com que o aproveitamento por parte daqueles colaboradores mais preparados, e engajados, seja uma realidade e não apenas um “banco de promessas”. O “Recomendado” tem que saber que não levará vantagem “extra” no processo de competitividade interna pelo fato de ser seu amigo; a propósito, nunca é demais lembrar que as amizades devem ser demonstradas fora dos portões da empresa. Atitudes convenientes são características de um bom líder. Meu avô já dizia que “quando o pão é pouco e se tem muitas bocas para alimentar tem chance de comer o melhor pedaço quem corre na frente”.

O “Recomendado” parece ser gente boa, até porque você não fez nenhuma restrição a ele até agora. Ser “gente boa” é uma coisa, outra coisa é ter perfil (reunião de vários fatores) para o exercício do cargo. A competitividade aposta em novos talentos, e sua empresa, assim como outras organizações, faz dela uma das razões para garantir postos de comando, para dar continuidade à filosofia administrativa, para se manter atuante no mercado e cumprir a sua missão. A competitividade sempre existiu entre os membros de uma mesma equipe de trabalho e não raras vezes ultrapassa os limites da nossa área de atuação tomando conta do universo empresarial. Meu jovem, fique esperto, ou melhor, fique atento, caso você julgue que o seu amigo – o “Recomendado” – tenha um perfil considerado acima do normal, e, uma vez admitido na empresa, procure não se demonstrar ameaçado, sob hipótese alguma. Isso acontece quando quem recomenda não possui curso superior e quem está sendo recomendado, além do 3º grau, fez pós-graduação e tem um punhado de outros cursos. Acredito não ser este o seu caso, porém, há riscos de conflitos. Pelo menos nos três primeiros meses de trabalho o dito cujo “Recomendado” não fará qualquer ataque frontal, mesmo porque ele precisará de tempo para tomar pé da situação, entretanto, comparações serão inevitáveis.

Identifique os focos de “resistências passivas”, muito comuns nos ambientes corporativos. São ações não-violentas, escamoteadas, praticadas conscientemente com o objetivo claro de prejudicar alguém. Ainda que especialistas em relações humanas tentem minimizar os efeitos causados pelos “insurgentes empresariais”, os antagonismos jamais deixarão de existir, seja por manifestação instintiva, defesa de território, ou inveja – este último tema será abordado com mais propriedade em futuro artigo. O “Recomendado” muito provavelmente provocará protestos dos colegas (de forma velada). Por debaixo dos panos, colaboradores comentarão a forma como entrou na empresa e as consequências disso, e os locais onde os cochichos dar-se-ão são os mesmos: nas filas dos refeitórios, nos vestiários, nos banheiros, nos corredores vazios, nos fumódromos, nos botecos da esquina. As resistências passivas costumam minar os campos e os ambientes da empresa – a não-cooperação é a maior prova. Quando tudo parece estar dentro de uma normalidade aparente surge do nada um “problema plantado” para que apareça alguém com uma solução pronta, geralmente um funcionário com alguns anos de empresa, mas que precisa de visibilidade.

Frase do dia:

“Se a empresa não tiver ninguém para substituí-lo, você não crescerá profissionalmente dentro dela”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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