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Consultoria & Marketing

O “Recomendado” – 1ª parte

O “Recomendado” – 1ª parte

Há poucos dias, um jovem dos seus 28 anos, em começo de carreira, me revelou uma situação que estava vivendo na empresa e, portanto, queria ouvir a minha opinião a respeito. Disse ele: “Exerço o cargo de Analista de Telecomunicações numa organização de pequeno para médio porte, e subordinados diretamente a mim estão 08 colaboradores, incluindo os 03 que foram contratados recentemente para a nova operação técnica de São Luís, no Maranhão. O volume de trabalho tem aumentado consideravelmente em várias frentes como resultado da conquista de novos nichos de mercado (Shoppings). A crescente demanda por serviços especializados dentro da área onde atuo, sobretudo em ações pontuais preventivas, me motivou a convencer os sócios da empresa a contratar mais um funcionário para dar o referido suporte técnico, e assim sobrar mais tempo para me dedicar ao planejamento. Minha dúvida: Tenho um amigo que julgo qualificado para ocupar esta vaga recém criada. Então, devo recomendá-lo aos meus chefes, o que devo fazer?”.

Iniciarei a minha resposta fazendo uma pergunta: “Você colocaria a mão no fogo por esse amigo, não no sentido pessoal, mas no profissional?”. Se positiva a resposta, vamos em frente. A princípio você perderá um pouco do seu tempo para acompanhá-lo, até porque ele trabalhará no seu departamento e imagino que provavelmente estará subordinado diretamente a você. Se a empresa não dispõe de um setor de treinamento a sua responsabilidade aumentará, mesmo que o considere, digamos, “pronto” para executar as tarefas correlatas. É claro que você torcerá para que o “Recomendado”, permita-me chamá-lo assim, corresponda à altura, caso contrário você será cobrado em dobro pelos sócios da empresa aos quais convenceu – deles não espere outra coisa, senão cobrança de resultados. Por outro lado, se a sua empresa tem um setor de RH, por pequeno que seja, o ideal é que este seu amigo passe por aquela porta primeiro, cumprindo os rituais legais de uma contratação, ainda que carregue um “carimbo” de aprovado. Agora, se os sócios da empresa, em razão do seu porte, são multifuncionais do tipo “resolvo tudo”, a coisa pode complicar porque resoluções diretas costumam expor a cara das pessoas envolvidas.

Há uma questão relevante que precisa ser discutida nas preliminares; você jamais deve tomar a frente em determinados problemas que eventualmente possam ocorrer, até mesmo em casos de ingerência, e simplesmente dizer “Eu respondo por ele”. Esqueça isso. Se contratado, o seu amigo será um funcionário igual aos demais, nem melhor, nem pior; sem por, sem tirar. Aliás, ele tem que assumir esta consciência e saber que tudo aquilo que fizer ou deixar de fazer terá significativo impacto sobre si mesmo com respingos no grupo de trabalho. Com relação a você, obviamente se sentirá co-responsável por tudo o que possa ocorrer, seja de bom quanto de ruim; é natural que pense assim. Contudo, aja de maneira estratégica, com a plena convicção que dificuldades técnicas, sobretudo humanas, você encontrará sempre pela frente. Foque nos desafios que terá de enfrentar para chegar aos resultados; não se prenda a teorias; não espere que tudo caia do céu; faça acontecer dentro da realidade que lhe é oferecida. Por outro lado, tenha cuidado ao revelar os planos da empresa, dose isso para não criar expectativas que possam trazer frustrações e quebra de produtividade. Deixar que as pessoas descubram por si mesmas, e tenham surpresas, também não é prudente, por isso, saiba vender o peixe num preço tal que fique na média do mercado, mas, antes, levante a guelra e veja se está fresco. Nunca é demais lembrar que o “Recomendado” terá um prazo de experiência a cumprir.

Frase do dia:

“Não tenha medo de sombra”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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