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Política

Golpe Militar, Revolução, Intervenção ou Movimento?

Golpe Militar, Revolução, Intervenção ou Movimento?

Pouquíssimo (quase nada) eu escrevi sobre as Eleições 2018, ao contrário das anteriores, às quais eu dediquei considerável espaço opinativo no meu Blog opiniaosemfronteiras.com.br, na Categoria Política. A pouca cobertura se deu ao fato de estar diante de uma situação fora do comum, de uma circunstância inusitada, a deflagração de uma guerra cibernética na qual se digladiaram, de um lado, o ineditismo político, e de outro, a mesmice agravada pelos velhos artífices da política brasileira. Deu-se, então, uma combustão rápida para o desencadeamento de crises.

Não bastasse esse cenário lunático, o campo de batalha teve o seu perímetro delimitado na virtualidade das redes sociais, onde os disparos foram mais certeiros e eficazes. O imaginário subjetivo era constantemente realimentado, num processo de fertilização programada. Nunca, a ausência física de um candidato foi, a ele, tão benéfica. Portanto, como escrever a respeito de um fantasma que assombrava a tudo e a todos, ou melhor, quase todos. Eleitores semi-fardados abraçaram a causa do radicalismo de direita, sem entender o que significava a Direita Radical, Extrema Direita, Ultra Direita – nomes a escolher. Como lidar com isso, eu me perguntava, na medida em que o espectro ideológico proposto ficava cada vez mais confuso e embaçado.

O presidente Jair Bolsonaro marcou território com ácida urina, cujos efeitos, até agora, têm afugentado aqueles que desejam transitar ao seu lado, em razão da elevada contaminação toxicológica do terreno. Os gritos de “Mito, mito, mito” podem se transformar num futuro breve em “Mixórdia, mixórdia, mixórdia”. O mito não é uma realidade independente.

Jair Bolsonaro é uma figura emblemática, alegórica, metafórica. Não me sinto à vontade, até porque os ânimos estão acirrados por conta das postagens nas redes sociais, tanto de um lado, quanto do outro. No íntimo, eu não quero entrar numa rinha de galos clandestina. A propósito, amigos, conhecidos Bolsonaristas, já haviam me alertado para não matar nenhum galo considerado de estimação. Na verdade, há bastante tempo eu venho adotando a filosofia da vaca – estou andando e cagando solenemente para essas correntes mais radicais e sentenciosas que formam a “Nova Direita” do Brasil. Lancei um desafio para os Bolsonaristas de plantão, ainda no 1º Turno das Eleições 2018: Se o candidato Jair Bolsonaro fosse eleito presidente da República ele não terminaria o seu governo.

Parece que o presidente Jair Bolsonaro está adiantando o seu trágico destino. A exumação de cadáveres nem sempre leva a necrópsia forense a bom termo – médicos legistas há que não esclarecem devidamente os mecanismos, os efeitos e as causas que levaram o indivíduo ao óbito. O ano de 1964 está morto, sepultado e deveria permanecer como está. Tem gente que arranca as cascas das feridas pelo prazer de vê-las sangrar. A história tem dois lados, por isso é contada de duas maneiras diferentes; o lado vencedor conta os acontecimentos de um jeito, aumentando as suas proezas, e o lado perdedor constrói a narrativa da vitimização, por vezes agravando os cenários – inclusive os inexistentes.

O quê, de fato, aconteceu no Brasil naquela madrugada do dia 31 de março de 1964, Golpe Militar, Revolução, Intervenção ou Movimento? Seja como for, o Brasil precisava de um choque de realidade; as trilhas pelas quais estávamos caminhando provavelmente nos levariam a um final de linha impensável. A elevada taxa de analfabetismo no Brasil, no limiar da década de 60 – segundo Censo Demográfico do IBGE era de 39,7% na faixa da população de 15 anos ou mais –, aponta a vulnerabilidade da população à época, vista como importante e significativa massa de manobra para o estabelecimento de regime comunista.

Numa palestra na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no mês de outubro do ano passado, dentro do evento comemorativo aos 30 anos da Constituição do Brasil de 1988, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Dias Toffoli, classificou o Golpe Militar de 1964 como “Movimento de 64”. Destaca-se que a expressão “Golpe Militar” não reproduz a minha particular opinião, de modo que foi colocada (sem exclusividade) por um órgão de imprensa que cobriu o referido evento. “Os militares foram um instrumento de Intervenção, e se algum erro cometeram, foi que resolveram ficar (no governo). […] Por isso que hoje, depois de aprender com o atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, eu não me refiro mais nem a Golpe nem a Revolução de 64, eu me refiro a Movimento de 1964, Movimento de 64” – afirmou Dias Toffoli.

Toffoli descartou o ato de 64 como sendo Golpe Militar, entendeu que houve Intervenção, não se refere mais à Revolução, defende que houve um Movimento, ao qual chama de “Movimento de 64”. Na visão geral tudo é Ditadura, sobretudo para aquelas pessoas que nunca viveram ou experimentaram esse regime na amplitude que divulgam.

Sob o comando do general de Exército Olympio Mourão Filho, tropas militares da 4ª Divisão de Infantaria marcharam da cidade de Juiz de Fora (MG) para o Rio de Janeiro (RJ) com a missão de depor o presidente João Goulart – estava deflagrada a Operação Popeye. Era madrugada do dia 31 de março de 1964, uma data que o presidente Jair Bolsonaro quer que as Forças Armadas comemorem. Certamente um bolo com 55 velinhas será oferecido aos convidados fardados no Palácio da Alvorada no próximo domingo. Pelo menos no conceito e na teoria, Bolsonaro tem o respaldo do presidente do STF Dias Toffoli.

A rotulada “Ditadura Militar do Brasil” foi um regime de governo militar instaurado no dia 1º de abril de 1964, que durou até 15 de março de 1985, exatos 20 anos, 11 meses e 15 dias. Eu não me recordo se o dia 15 de março foi comemorado.

O presidente Bolsonaro está comemorando a “Marcha de Juiz de Fora” (31/03), portanto, não o início da rotulada “Ditadura Militar do Brasil” (1º de abril). Coincidências: Dia 1º de abril é o “Dia da Mentira”; Juiz de Fora é a cidade onde foi esfaqueado; o general de Exército Olympio Mourão Filho tem o mesmo sobrenome do vice-presidente da República. A História do Brasil pode estar reservando novas datas comemorativas para os brasileiros.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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