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Política

O quê vai acontecer?

O quê vai acontecer?

Assim é a vida, dependemos uns dos outros para viver e sobreviver. Ninguém é totalmente autossuficiente a ponto de não precisar de ajuda, de apoio, de auxílio, daquela mãozinha amiga. A pessoa não consegue viver de maneira livre e independente por todo tempo. Aliás, tem um dito popular que diz o seguinte: “Dor de barriga não dá só uma vez”. Num prático e rápido exemplo: Todo mundo precisa de médico.

O governo do presidente Jair Bolsonaro tem pecado constantemente – no Particípio passado. O governo Bolsonaro vem pecando diuturnamente – no Gerúndio. O governo Bolsonaro não para de pecar – no Infinitivo. O pior disso tudo é que não está sabendo conjugar o verbo no tempo certo, de modo que qualquer tempo é tempo, fazendo sentido ou não a sua interlocução.

Os problemas de falta de articulação política junto ao Congresso Nacional estão aí para serem resolvidos. Os parlamentares estão dispostos a conversar com o governo, mas parece que o Planalto considera todos corruptos quando afirma que não fará a “Velha Política” em troca de aprovação dos seus projetos. O que é a Velha Política na visão particular de Bolsonaro? Práticas idênticas ao Mensalão do Partido dos Trabalhadores (PT), considerado, à época, o maior escândalo de corrupção política do Brasil. O esquema consistia na compra de votos dos parlamentares no Congresso entre os anos de 2005 e 2006 para que o presidente Lula tivesse os seus projetos aprovados. Além dos Partidos Políticos e políticos envolvidos, bancos e empresas privadas tiveram direta participação no esquema fraudulento. Face ao exposto, a Ação Penal nº 470 foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, será que a Velha Política se resume apenas em práticas corruptas com o desvio de dinheiro público, sobretudo das estatais?

Balcão de negócios sempre existiu na Câmara dos Deputados como no Senado da República. A depender da qualidade do produto colocado sobre a bancada estabelece-se o preço – em moeda forte. Políticos são comparados a crianças e adolescentes, quando encostam os pais na parede e dizem: “Papai, mamãe, se eu ganhar uma bicicleta nova eu prometo que passarei de ano na escola”. Ninguém faz nada de graça; tem que haver contrapartida. Essa cultura está arraigada na nossa sociedade. Diz a máxima: “É dando que se recebe”. Acho que o presidente Jair Bolsonaro, no fundo, tem medo que aconteça na sua relação com os parlamentares aquilo que geralmente acontece numa relação sexual entre dois meninos imberbes, ou seja, aquele que deu a bunda primeiro não consegue comer o tobas do coleguinha porque este fugiu.

O velho “Toma lá, dá cá” é expediente recorrente nas duas Casas de Leis. Não é possível que Bolsonaro, com 28 anos de Congresso, não saiba disso. Para bem governar o país, dispensa-se ao presidente da República o sentimento de inocência. Agora, como toda ação gera uma reação, alguém tem que pagar pra ver. Pessoas há que aguardam ansiosamente o circo pegar fogo. Lembro que não há extintores disponíveis – muito menos água benta santificada pelos políticos de plantão com a finalidade de balizar o presidente Jair Bolsonaro, afastando todos os males que o afligem.

No sistema presidencialista o presidente da República pode muito, mas não tudo, sobretudo num governo de coalizão como o nosso. Saber ouvir é uma virtude. Está claro que os parlamentares querem, de alguma forma, participar do governo, discutir propostas, dividir os louros. Quando os interesses ficam concentrados, os problemas tendem a receber o mesmo tratamento. Se a pessoa tem algum interesse comum e não o divide, fica com os problemas que dele surjam. É simples assim. Bolsonaro precisa aprender a governar. Todos nós sabemos que ele não tem perfil de estadista.

Quem acha que Bolsonaro mudará de uma hora pra outra o seu comportamento no que diz respeito à maneira de se relacionar com os congressistas, pode tirar logo o equino da precipitação pluviométrica antes que ele se afogue. A tão esperada e necessária articulação política do Executivo carece de manual de procedimentos e de pessoas qualificadas para exercê-la. Além do mais, Bolsonaro está agindo como Lula, ao falar de improviso, não mede as palavras e tampouco avalia o público que o ouve. Ser um bom orador está longe disso.

Anteontem, terça-feira, 26/03/19, num evento com empresários, ao se referir às suspeitas e investigações das quais são alvos os ex-presidentes Lula e Temer, por conta das tais negociações nada republicanas realizadas nos seus governos – articulação política atrelada à corrupção –, Bolsonaro disparou: “Não jogarei dominó com Lula e Temer no xadrez”. Na semana passada, no Chile, quando questionado por jornalistas sobre a crise com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, Bolsonaro não mediu palavras: “O que é articulação? O que está faltando eu fazer? O que foi feito no passado? Eu não seguirei o mesmo destino de ex-presidentes, pode ter certeza disso”. Fato é que a guerrinha de egos pode gerar consequências desastrosas para o país.

O quê vai acontecer? Não precisa ser profeta para arriscar alguns palpites, fazer previsões. Jair Bolsonaro, pressionado pela opinião pública, renunciará; em caso de ingovernabilidade, os generais que habitam o governo darão um Golpe branco; o Impeachment é recurso possível se as relações com o Congresso azedarem de vez; talvez um acidente programado com o carro ou avião presidencial, com a notícia da morte do presidente; agrava-se o estado de saúde de Bolsonaro em razão das sequelas do esfaqueamento, levando-o a óbito; cometimento de suicídio nos moldes de Getúlio Vargas – militares podem usar calibre 45.

Seja como for, alguma coisa acontecerá. Por enquanto, vamos continuar nessa semana comemorando o “Dia do Circo” (27). Hoje, quinta-feira, 28/03/19, oficialmente convidamos todos os membros dos três Poderes da República a subirem no picadeiro do Circo Brasil para novo espetáculo. Os palhaços da vez não somos nós.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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