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Consumo consciente e o impacto no meio ambiente – 3ª parte

Consumo consciente e o impacto no meio ambiente – 3ª parte

Antes de adentrarmos na questão dos impactos causados ao meio ambiente por fatores relacionados à cadeia produtiva, vamos procurar entender o conceito de “consumo consciente”. Ao pé da letra podemos dizer que é o “consumo politicamente correto” – o inverso disso é o “consumo politicamente incorreto”. No primeiro caso, antes de sacramentar a aquisição de bens e/ou serviços, o consumidor pauta as suas atitudes segundo a gama de informações de que dispõe sobre este ou aquele fornecedor (dono da marca), sobre este ou aquele prestador de serviço. Informações positivas consideradas: responsabilidade ambiental; promoção do crescimento sustentável; compromisso com o uso dos “bens naturais” de acordo planejamento de base e critério técnico; respeitabilidade social, econômica e tributária, etc. No segundo caso, quando me referi ao “consumo politicamente incorreto”, digo que é todo aquele que se dá “a Bangu”, desorganizado, de qualquer jeito, sem preocupação, sem qualquer análise do que está sendo comprado e consumido – os fatores disponibilidade e preço-oferta têm maior apelo neste segundo caso.

Por que comprar produto pirata quando se sabe que os produtores utilizam trabalho escravo? Por que comprar um móvel quando se sabe que a madeira foi extraída de forma ilegal sem certificação? Por que comprar um carro quando se sabe que a montadora descumpriu normas internacionais de controle da poluição? Por que comprar uma determinada marca de remédio quando se sabe que o laboratório está respondendo processo na Justiça por falsificação? Por que comprar um produto alimentício se o fabricante omite detalhes na “informação nutricional”? Por que comprar de um frigorífico cujos produtos e subprodutos não foram aprovados pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA? Por que compramos produtos importados quando pouco ou nada sabemos da sua origem? Por que contratamos um contador quando se sabe que o seu escritório não recolhe os impostos devidos ao município? Enfim, a coisa é bem mais ampla do que se imagina.

Quando, onde e como o consumidor deve pegar essas importantíssimas informações são questões que merecem um olhar mais abrangente por parte das pessoas envolvidas nesse processo. A co-responsabilidade dos comércios atacadista e varejista, como intermediários atuantes no mercado de distribuição, compra e consumo é fundamental. Quem atua como “primeiro vendedor” da cadeia produtiva (da fábrica para o mercado) geralmente não está muito preocupado com isso, ou seja, se no seu portfólio há produtos fora do padrão ou que estão em desacordo com as Legislações.

Infelizmente, é uma realidade que eu pude comprovar ao logo de quatro décadas trabalhando em empresas (nacionais e multinacionais) do segmento de bebidas e alimentício. Por outro lado, os consumidores dos paises emergentes, como o Brasil, ainda precisam avançar no aspecto educacional – a conscientização perpassa pela educação. De nada adianta tentar conscientizar uma pessoa se ela não tem estrutura de conhecimento. Os países terceiro-mundistas – chamados subdesenvolvidos –, ainda que menos poluidores numa análise global, não devem ficar de fora das discussões acerca dos danos que o meio ambiente vem sofrendo diuturnamente em decorrência da industrialização em larga escala e da consequente concentração urbana nos países desenvolvidos, ou super.

Por que da necessidade de se incluir os países pobres, digamos, nessa dinâmica ecológica? Muito simples. O consumo consciente tem origem, ele começa na exploração dos recursos naturais. Esses países são geralmente grandes fornecedores de matérias primas para o resto do mundo, portanto, o seu ciclo extrativista, sobretudo mineral, está em plena atividade. Veja que todos são diretamente responsáveis pelos “efeitos”; de um lado, os países que destroem o solo (degradação do meio) em razão da coleta, do outro lado, os países que expandem as suas riquezas em razão do crescimento econômico sem limites (poluidores contumazes) – esta é, apenas, a ponta do iceberg.

Invariavelmente, podemos deduzir que o planeta que habitamos é uma colônia de formigas que exercem múltiplas tarefas dentro de uma gigantesca diversidade de estruturas. Olhando para o interior da colônia de formigas percebemos que as etapas consecutivas dão-se aos milhões; nesse processo, os insumos (matérias-primas) sofrem transformações programadas até que se produzam os chamados “produtos acabados” (bens duráveis, não duráveis e serviços). Tudo está conectado. Não temos fornecedores vindos de outros planetas, de outras galáxias, de modo que tudo do que precisamos se encontra aqui na Terra, matérias primas vegetais, matérias primas animais, matérias primas minerais (minerais metálicos, minerais não metálicos, rochas industriais), tecnologia, unidades fabris de transformação, enfim, e, o mais importante dos capitais, o ser humano.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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