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Consultoria & Marketing

Consumo consciente e o impacto no meio ambiente – 2ª parte

Consumo consciente e o impacto no meio ambiente – 2ª parte

Estamos em plena era do consumismo, e não há data pré-determinada pra acabar esse ciclo – que se iniciou no útero, onde o bebê se alimenta de tudo que a mãe come durante o tempo de gestação. Então, na verdade, o ‘processo consumista’ começou com a ingestão de nutrientes. As energias necessárias à sobrevivência vêm do consumo de alguma coisa; a natureza nos tem oferecido a maior parte, ou melhor dizendo, tudo.

Ao longo da vida, necessidades outras foram incorporadas ao nosso Modus Vivendi e aprendemos a satisfazê-las, seja no campo material como no imaterial. Na perspectiva do processo fisiológico, os sentidos humanos produzem estímulos (impulsos) e provocam sensações (reações físicas ou emocionais), de modo que todos os cinco sentidos, visão, audição, olfato, tato e paladar, são sugestionáveis. Abre-se uma porta para novos estudos.

O Marketing, como ciência subliminar, há décadas explora os “sentidos sugestionáveis” com destacado saber, trabalhando os “impulsos” e as “reações físicas ou emocionais” das pessoas. O Marketing, portanto, tem a capacidade de criar “necessidades de consumo” e, em seguida, desenvolver produtos e serviços para satisfazer essas mesmas necessidades – esta ciranda é interminável. Vontades saciadas dão lugar a outras.

Poder-se-ia dizer que o Marketing é uma ciência cruel, implacável, que induz (não por meio de raciocínio lógico) as pessoas a tomarem decisões desconectadas da razão? Digamos que sim. O Marketing está a serviço das indústrias de transformação (meios de produção) e da prestação de serviços (comércio e outros). Qual é o olhar que ele faz do mercado consumidor? Um desafio para ser conquistado. Para isso, ele, o Marketing, emprega as ferramentas de que dispõe, mas não revela que o poder do consumidor é limitado. Vontades saciadas dão lugar a outras e ideias existem para serem mudadas. Nessa linha, como mensurar que o consumidor raciocina por vontade própria? Quais são os valores que o consumidor leva em consideração no ato da compra, da aquisição e/ou da contratação? No escambo, nada disso era deduzido, apenas tinha-se em mente a satisfação das necessidades primárias (viscerogênicas), quando se percebia a escassez de certo item de um lado e a disponibilidade do outro. Veja que aqui não há o fator lucro – o Marketing inexistia nessa relação de troca; também se o escambo perdurasse o Marketing não faria sentido algum.

“Penso, logo existo”. Não. “Preciso, logo compro”. É essa a lógica da formação do lucro, outro capítulo a ser discutido. Daí eu afirmo que o Marketing “cria as necessidades de consumo” e conduz o consumidor a “optar” por determinado produto – palpável ou impalpável. A cultura do consumismo se revelou um processo que se fortalece na medida em que as “sensações subjetivas” são percebidas pelas pessoas, cuja análise é qualitativa, variando em razão das reações de cada indivíduo em particular. O que é prazer para mim pode não ser a mesma coisa para outra pessoa; o sucesso tem várias formas de ser encarado; a minha felicidade é só minha, e assim por diante. Tudo é simbólico. Os meios de comunicação de massa exercem papel preponderante na determinação das escolhas, de modo que o Marketing sabe disso.

Não há que falar em “consumo consciente”, como regra de comportamento, se nós estamos irremediavelmente confinados na Aldeia Global feito animais de engorda, separados por raça e poder de consumo; presas fáceis para ataques de mensagens imperativas – beba, não beba, coma, não coma, ande, não ande, pare, não pare, faça, não faça, enfim. Dá a impressão que nós somos bonecos de ventríloquo. Acaba a relação sendo desigual em todos os aspectos, e nem tudo aquilo que reluz será ouro. O consumidor passa a “não ter mais razão” quando se entrega literalmente, quando deixa de ser reagente, quando renova as suas manias por imitação, quando adquire novas tendências as quais não explica.

Esses incessantes bombardeios de informações múltiplas – aos quais ataques as sociedades de consumo estão subjugadas – impõem regras e procedimentos; normas que indicam o modo de pensar, de agir, de proceder, de se portar; que apontam a maneira de falar, de escutar e até de enxergar as situações. Portanto, as condutas e/ou comportamentos são estereotipados. Precisamos repensar esses valores, de modo que acende uma luz amarela para sinalizar que é chegado o momento.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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