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A mortalha

A mortalha

Uma velha estava confeccionando uma mortalha para envolver o seu corpo depois de morta. Um belo dia ela ouve a voz de um espírito que diz: “Quando você, minha senhora, acabar de fazer esta mortalha morrerá!”. Naquela mesma noite ela desfez o que tinha feito durante o dia, desmanchou grande parte da mortalha. O que confeccionava de dia ela desmanchava à noite. Não satisfeito com aquela situação o espírito resolveu agilizar a sua desencarnação, afastando definitivamente a alma do corpo físico da velha, porque depois de certo tempo ele, o espírito, percebeu que a apavorada da velha estava enrolando.

Moral da história: A assombrada velha, mesmo acreditando na mensagem vinda do além, tentou enganar o espírito, acabou morrendo e sendo enterrada com a mortalha pela metade, inacabada. A velha fez tudo o que podia para prolongar a sua vida e atrasar a decisão do espírito, mas não conseguiu.

Tirando o lado cômico do enredo, percebemos que na vida real tem gente que age da mesma forma que a velha da mortalha – tendo ou não espírito por perto. Uma situação que se observa em todos os campos de atividade humana. Pessoas há que adiam a resolução de algo ou de certa forma prolongam uma situação por tempo indeterminado para ser resolvida depois. Tal comportamento não é acidental, é pensado e articulado. Em geral as pessoas procuram tirar vantagem quando oportunizam o desenvolvimento de alguma coisa dentro do “seu” espaço de tempo – determinar o momento certo para atingir esse objetivo pode ser um tiro no pé.

Vamos imaginar um funcionário que receba da empresa todos os meios para a realização de uma tarefa solicitada, e esse mesmo colaborador, dentro da sua expectativa, resolve não dar a devida atenção e ainda decide desconsiderar o prazo de conclusão, preferindo desenvolver atividades diversificadas, de menor importância. De duas uma, ou ele está se autovalorizando (reconhecimento que uma pessoa tem das suas próprias qualidades ou do seu próprio valor), ou está esperando ser cobrado para demonstrar que só ele pode resolver o problema. Assim como aquela velha o funcionário, de caso pensado, estava enrolando. Ganhar tempo pra quê?

Com efeito, situações análogas ocorrem em outras organizações, independente do ramo de atividade, que nos remetem ao episódio da velha senhora, que negligenciou a sua atividade e foi punida – não confeccionou a sua mortalha conforme o previsto. O mundo corporativo é impessoal; quando regras funcionais são transgredidas, quando as rotinas são quebradas, quando os prejuízos começam a aparecer, é chegada a hora do empresário imitar o espírito e demitir o funcionário, com vestimenta completa e tudo mais – uma morte anunciada.

Frase do dia:

“Não queira ser mais esperto do que os outros”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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