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Sexo

A besta e a ereção

A besta e a ereção

Meu avô, de origem lusitana, me dizia que “sexo é bestial”. Eu tinha lá os meus 10 anos de idade, mas já entendia um pouco de sacanagem explícita, brincava de médico com a Jurema, filha da vizinha – fazia exames locais porque assumia o papel de médico ginecologista; minhas inocentes irmãs queriam ser as enfermeiras, mas eu evitava escalá-las por motivos familiares. Jurema, a paciente, tinha um sebo esbranquiçado que cobria parcialmente o seu clitóris, de odor não muito agradável, que me obrigava a usar máscara improvisada no decorrer do procedimento médico. Muitos anos depois, passada a puberdade, descobri que aquele “sebo” era uma gordura produzida pelo corpo para a proteção da pele – de fato Jurema tinha um grelo avantajado e precisava de proteção. Cheguei a ensaiar uma lambida para anestesiá-la, mas senti um gosto amargo (sebo misturado com mijo) e desisti. Jurema tinha a minha idade – de criança para criança não existe pedofilia; se existisse também o crime prescreveu. Naquele tempo o politicamente correto era brincar livremente e ser ensinado pelos mais velhos, que não deixavam que os meninos aprendessem a tocar punheta no pau dos outros.

Como bom aluno, como sempre fui, à época, eu recorri ao dicionário da língua portuguesa (não existia nem computador e o tal Dicionário Online de Português; graças a Deus) para ver o significado de “bestial”. Que ou aquilo que é próprio de besta. Sinônimos de bestial: selvagem, repugnante, estúpido, bruto, grosseiro; ato errôneo, absurdo, brutal, feio e imoral. É tudo isso? Mas podia dizer que sexo é gostoso pra caralho. Eu escolhi o sinônimo “imoral” porque lembra indecente. Minha mãe sempre falava isso com a gente, “Seu indecente”. Ela constantemente nos flagrava no banheiro vendo (às vezes nem lendo por conta da pressa) aquelas proibidas revistinhas de sacanagem do famoso Carlos Zéfiro – era o único que desenhava, produzia e distribuía o “sonho de consumo” da garotada. Quanta punheta eu tocava; no meu pau, é claro! O praticante da indecência é promovido a devasso, de modo que eu aguardei a minha vez de ser.

Olhando pelo lado da imoralidade o meu avô tinha razão quando me dizia que “sexo é bestial”. Ele poderia dizer que “sexo é imoral”, quando não “usado” para reprodução de seres pensantes e semelhantes. O impulso natural decorre do instinto, por isso fazemos do sexo um trampolim para as nuvens. Eu também tinha certa noção disso aos 10 anos porque estudava como CDF (Cu de ferro). O instinto, portanto, é o responsável por tudo aquilo descrito no significado de “bestial”. Procede. A bizarrice nas relações sexuais é fruto do instinto animal e tem mulher que gosta – isso reforça o conceito que “sexo é bestial”. Continuo seguindo as instruções do vô.

Meu avô, português, me dizia que “pau direito não tem respeito”. Esse velho era foda! Eu tinha lá os meus 12 anos de idade, já entendia mais um pouco de sacanagem explícita, brincava de papai e mamãe com a prima Genilda, um ano mais velha do que eu. Puta que a pariu, com 13 anos ela tinha mais pentelhos do que a Cláudia Ohana – parecia uma bucha de Bombril. Juro por tudo o que é mais sagrado que eu não a deflorei na melhor das oportunidades que tive, por três motivos: primeiro, até os 12 anos eu achava que os ovos tinham que entrar junto com o pau na hora da metida; segundo, porque tinha feito uma recente operação de fimose e a minha glande estava maior do que um cogumelo-do-mel; terceiro, restou a chance de colocar o cacete entre as pernas grossas da Genilda. Foi a melhor opção. Segredo: ela não me mostrava os peitos nem a caralho; até hoje não sei o motivo – virou crente fervorosa, agora mesmo que não saberei.

Analisando a questão da ereção, no sentido do endurecimento do pênis, também me parece que o meu avô tinha razão quando disse que “pau direito não tem respeito”. Quando o pau está duro o dono dele fica louco para encontrar um buraco onde enfiá-lo. É aquela coisa, o impulso natural decorre do instinto. E por instinto, até os 15 anos de idade, quando ocorria a elevação do órgão sexual masculino, tratávamos logo de achar um caule de bananeira, uma garrafa de boca larga, ou pular o cercado do galinheiro – Pra quê? Tinha muita cloaca à disposição. Mas, o que tem a ver a besta com a ereção? Ora, como sexo é bestial, lembramos da besta e não quero imaginar quando ficar com o caralho endurecido.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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