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Política

Via Crúcis

Via Crúcis

O “Caminho da Cruz”. Lula terá que percorrer um trajeto diferente daquele percorrido por Jesus Cristo, filho de Deus, que carregou a sua cruz desde o Pretório até o Calvário, colina onde foi crucificado. A cruz do Lula é mais pesada devido aos seus pecados políticos – terá que carregá-la desde a 13ª Vara Federal de Curitiba até o presídio designado pelo juiz Sérgio Moro.

No Pretório Excelso, Supremo Tribunal Federal, não aconteceu nesta terça-feira, 20 de março de 2018, a reunião informal entre os ministros para discutir qual posição a ser tomada pelo plenário da Corte maior de Justiça sobre a polêmica prisão do condenado em 2ª instância, ou seja, antes do “Trânsito em julgado” (decisão ou acórdão judicial da qual não se pode mais recorrer). Cármen Lúcia, presidente do STF, disse que se sentiu convidada pelo decano da casa Celso de Mello a participar do encontro, enquanto Celso de Mello aguardava que ela convidasse todos os demais ministros para a conversa ao pé de ouvido. Um ficou esperando a reação do outro – uma brincadeira de gato e rato em tocas distintas.

Tudo começou no julgamento pelo STF do Habeas Corpus (HC) nº 126.292 na quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016. Leia-se: “Que discutia a legitimidade de ato do TJ/SP que, ao negar provimento ao recurso exclusivo da defesa, determinou o início da execução da pena. Àquela altura, por maioria, 07 votos a 04, o plenário mudou a jurisprudência da Corte, afirmando que é, sim, possível a execução da pena depois de decisão condenatória confirmada em segunda instância”. Numa quarta-feira, 05 de outubro de 2016, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve o seu entendimento para permitir a prisão de condenados em 2ª instância ao julgar duas Medidas Cautelares nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44. Leia-se: “Que discutiam a constitucionalidade da execução da pena após condenação em segunda instância ainda recorrível. Na tarde de ontem (05/10/2016), o plenário indeferiu por 06 votos a 05 as liminares requeridas nas Ações ajuizadas pelo Partido Ecológico Nacional (PEN) e pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)”. O ministro Dias Toffoli modificou o seu voto dado em 17/02/2016, reconsiderando que a pena deveria começar a ser cumprida após julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), caso ratificasse condenação na 2ª instância – o que explica o placar apertado de 06 a 05. As ditas cujas Ações, do PEN e da OAB, carecem de julgamento no mérito.

Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, simplesmente Lula, foi condenado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), confirmando ato condenatório do juiz Sérgio Moro (1ª instância), o Supremo Tribunal Federal passou a ser acossado por forças nada republicanas, contrárias à ordem e à Justiça, para que altere o resultado daquelas sessões de julgamento e votação. Quando se é condenado por dois tribunais de forma unânime, deduz-se que houve exaustiva análise de provas, colocando o princípio da presunção de inocência em segundo plano, ou melhor, totalmente descartado. Certamente, se fosse o caso, no STJ, Lula também seria condenado por unanimidade, portanto, o último recurso junto ao STF seria um prêmio ao corrupto-mor Lula com a coroação da sua impunidade. Esse é o Brasil que temos.

Numa quarta-feira, 10 de agosto de 2005, eu escrevi o texto abaixo e o guardei somente pra mim, mas, que agora, por forças das circunstâncias estou disponibilizando para leitura. O título é o mesmo: Via Crúcis.

Garanhuns, interior de Pernambuco, quarta-feira, 03/08/2005. Em discurso inflamado, Lula vociferou: “Com ódio, ou sem ódio, eles vão ter que me engolir outra vez”. Quis se referir aos adversários políticos, perdão, aos inimigos de ocasião e, sobretudo, às elites da direita que, segundo ele, querem vê-lo fora do poder o mais rápido possível. Lula abriu a temporada de campanhas políticas regionalizadas – sem ser regionalista –, com vistas em 2006. Espumando pelo lado esquerdo da boca, lançou um ataque frontal, cruel e leviano à imprensa, responsabilizando-a pelo agravamento da atual crise política que paralisou o país.

O processo de fritura em óleo morno, ao qual foi submetido, causou o entorpecimento da sua mente. O intelecto nunca foi o seu forte – elevar o tom da fala no meio dum fogo cruzado é um erro de avaliação, e ninguém lhe disse que bala perdida sempre acha um dono distraído. O cidadão brasileiro deve estar sentindo vergonha de tê-lo como presidente – eu, pelo menos, estou –, ainda mais que não consegue esconder as qualidades comuns aos desesperados, assim como ele: destempero, desequilíbrio, incapacidade, e a sua total parvoíce. É degradante o nível a que chegou a nossa política. A presidência da República, que tanto foi almejada por Lula, agora está se tornando o seu maior calvário. Um regime totalitário e hegemônico – esse era o principal objetivo do Partido dos Trabalhadores, que fez emergir um santo apoteótico para a sua definitiva conquista.

Esse virtuoso era o Lula, uma vez eleito “Rei do Brasil”, serviria para uso deletério da máfia política – esse benevolente, aclamado por 52,8 milhões de fiéis, se transformaria numa espécie de escudo intangível. Isso agora fica muito claro, na medida em que a redoma é levantada, revelando o poder reinante e seus interesses espúrios. O pecado capital do PT foi ter subestimado o azar e a inteligência da oposição, além de contar com a eterna indulgência do povo. Plantado como figura central de um governo populista, Lula vestiu a pele de líder carismático, idolatrado pela massa e invulnerável – com todos os holofotes voltados para ele, a gangue da estrela poderia agir à vontade, sem admoestações.

Ao poder, tudo é permitido; até roubar dinheiro público; tornar mais cancerosa a estrutura política; e até comprar a boa-fé do povo com programas sociais que não passam de engodo – como o programa “Fome Zero”. Quando o tema é Reforma Política, não há consenso – as profundas mudanças e a amplitude desejada são intenções sepultadas em nome da sobrevivência dos feudos. Enfim, a Via Crúcis do Lula está longe de acabar – nesse caminho, é provável que os analfabetos e os indigentes culturais não se encontrem para apoiá-lo e guiá-lo até o fim. O seu maior patrimônio, os eleitores, estará irremediavelmente dilapidado. O Padre Cícero (Padim Ciço) já terá virado as costas.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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