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Política

Pesquisa política

Pesquisa política

“Toda pesquisa é comparada ao biquíni da mulher, mostra tudo, menos aquilo que a gente quer ver”. Digo isto sempre que tenho oportunidade – esse direito me pertence porque a frase é de minha autoria. Os pontos principais, escondidos debaixo do biquíni e nas interpretações das pesquisas eleitorais, dão asas à imaginação. Aí reside o perigo, na medida em que uma abrupta revelação da realidade pode comprometer sonhos e desejos, ainda que condenados pela Santa Igreja Católica e pelos diabólicos partidos políticos, que “pagam” os Institutos de pesquisas para construir números e cenários favoráveis. Todo mundo sabe disso, inclusive a minha avó que já morreu. Nem tudo é mentira, nem tudo é verdade – falta a dose certa.

Pra você ter uma ideia, amigo leitor, na edição nº 965 do metro jornal, ES, da quinta-feira, 15 de março de 2018, lê-se a seguinte matéria, em foco, na página 02: PF vê ‘notícia falsa’ na divulgação de pesquisa eleitoral. Operação Voto Livre. Operação feita em parceria entre polícias Federal e Civil aponta que comissionado do governo do Estado “propagou pesquisa considerada fraudulenta”. Segue a matéria – A Polícia Federal deflagrou ontem (14) a Operação “Voto Livre” contra a propagação de notícias falsas na Internet. Os alvos foram um servidor que trabalha na Secretaria de Estado de Esportes e Lazer, apontado como o responsável pela divulgação de uma pesquisa eleitoral considerada “fraudulenta” pelos investigadores, e o site onde o servidor mantinha uma coluna sobre bastidores da política local. Vitor Soares, delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF, afirmou que as investigações vão apontar se a pesquisa foi inventada ou se foi realizada sem registro na Justiça Eleitoral. […] A notícia divulgada pelo servidor trazia o governador Paulo Hartung como o preferido na intenção de votos nas próximas eleições para o cargo de governador. […].

É previsível que os ânimos ficarão acirrados nas eleições deste ano, a exemplo dos últimos pleitos. Com o uso das redes sociais, a cada dia mais intenso, espera-se o acirramento entre “torcidas políticas” – uma verdadeira guerra de divulgação de notícias sobre política, partidos e candidatos, sobretudo as consideradas Fake News. Até que ponto o atual governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (Paulo César Hartung Gomes) sabia do envolvimento do servidor nessa questão? No seu terceiro mandato, Hartung, filiado ao substituído PMDB, errou quando não levantou o problema antes das polícias Federal e Civil. Mas, e se a tal pesquisa eleitoral considerada “fraudulenta” desse a vantagem/preferência ao concorrente de Hartung, ele teria ficado calado? O PMDB mudou de sigla para MDB (Movimento Democrático Brasileiro); isso ocorreu durante a convenção nacional extraordinária do partido em Brasília, numa terça-feira, 19 de dezembro de 2017, na qual 325 delegados do partido aprovaram a mudança e 88 votaram contra. A gente sabe que o PMDB está associado à corrupção e a falcatruas outras e que a volta da antiga sigla MDB serve tão somente para confundir a cabeça dos eleitores. Será que o referido servidor que trabalha na Secretaria de Estado de Esportes e Lazer adotou a mesma filosofia? O certo é que dentro do MDB os peixes podres não serão removidos da bancada política e que as moscas que os sobrevoam permanecerão com o seu trabalho.

É importante que se diga que no sítio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o “Tribunal da suposta Democracia”, estão elencadas as regras direcionadas às Pesquisas Eleitorais – Eleições 2018. Houve tentativas de se mudar alguns desses fundamentos, contudo, em nome do direito à “informação desencontrada”, um recuo foi providencial. Vale salientar, ainda, que cada eleitor brasileiro é uma espécie de “Maria vai com as outras”, portanto, não sei até que ponto percentuais estatísticos têm capacidade influenciadora. A compra de votos ainda tem um peso maior em qualquer colégio eleitoral. Assim como um pentelho de mulher tem mais força do que um cabo de aço, porque arrasta um homem onde quer que ele esteja, uma dentadura dada ao eleitor por um candidato se traduz em voto certo. O momento é oportuno para recordar um artigo que escrevi numa segunda-feira, 08 de agosto de 2005. Leia abaixo.

Toda pesquisa de opinião aponta várias tendências. Tenho por costume criticá-las, as inclinações, e questionar os resultados da sua tabulação numérica. Em que pese a metodologia aplicada, pesquisas dessa natureza (políticas) podem ser comparadas a fotografias tiradas por máquina de revelação instantânea, portanto, não se tratam de radiografias que nos permitam um diagnóstico apurado. Certas classes, por faixa etária ou de renda familiar mais elevada, necessariamente, não são excludentes da massa menos esclarecida de eleitores tão em evidência nos dias atuais.

O desinteresse por política é comum e faz com que o indivíduo mude de opinião segundo a “ordem não natural” das coisas. É aquela história da “Maria vai com as outras”. Para João Gualberto, cientista político e diretor do Instituto Futura, o presidente Lula se mantém a salvo da crise política, segundo os resultados da avaliação de recente pesquisa de opinião encomendada pelo jornal A GAZETA e Rádio CBN Vitória. Cerca de 55% dos capixabas acham que Lula não está envolvido no esquema de corrupção protagonizado pelo PT. Um paradoxo, na medida em que 75,50% dos entrevistados concordam que existe corrupção no governo federal. O simples fato de ‘Lulaéreo’ querer passar a ideia de que não sabia absolutamente de nada, qualifica-o como a maior besta quadrada que o Palácio do Planalto já abrigou – a omissão o coloca dentro da corrupção como co-autor.

Não sabia de nada, uma ova! Lula deixou correr frouxo porque o interesse maior era dele. Se promovida uma faxina geral, certamente a vassoura varreria o negócio feito entre a Telemar e a Gamecorp, empresa da qual é sócio um dos seus filhos, que teve um enriquecimento inexplicável após o contrato. Como que o escândalo ainda não chegou ao presidente da República? ‘Lulaéreo’ ainda tem muito que explicar e precisa urgentemente sair debaixo da saia do povão para dar as respostas a tantas perguntas em aberto. Devemos sentir indignação? Nojo? Asco? O brasileiro tem um grave defeito: sempre tendeu para o lado mais fraco e se comove facilmente com todos que se fazem passar por humildes, vítimas e menos favorecidos pela sorte. Prova disso, 76,06% consideram ‘Lulaéreo’ uma pessoa humilde – fator que puxou o índice de sinceridade para 57,36%, e no quesito honestidade para 59,10%; ainda que nas falsas palavras ou na convicção das mentiras. Por que ‘Lulaéreo’? Porque Lula só vive no mundo da lua!

Na avaliação da responsabilidade do presidente na atual crise (no somatório de “Muito alta” com “Alta”), só 40,65% dos entrevistados apontam o dedo na cara do Lula, ao tempo em que 86,53% acham que a compra de deputados (Mensalão) existiu para que a base aliada votasse a favor dos projetos do Governo, como condição negociada. Será que tudo é fruto da mídia? O Recall político, proveniente da massa, espelha a realidade. O nível de informações que a opinião pública detém acerca dos acontecimentos pode ser considerado questionável – a política, definitivamente, não deve ser tratada como um produto de consumo massificado. Ela nunca foi. Cuidado: 80% dos entrevistados “estão acompanhando”. Como? Lêem jornal e assistem aos noticiários diariamente? Só pelas conversas de botequim? Por que ouviram falar?

Nessa história toda, no resumo da balada, o ex-czar José Dirceu já desponta como o mais novo Judas, junto com meia-dúzia de sectários que aguardam a vez para serem imolados. Tem gente apostando que ao final do sacrifício a massa dar-se-á por satisfeita – a mesma multidão que não sabe separar, pelos sentidos, o lógico, do absurdo; a representação chula, dos fatos. Não posso concordar com o parecer: “Não há clima para desordem política que possa provocar o impeachment do presidente”. Talvez concorde, caso as CPIs, dos Correios e a do Mensalão, devorem exclusivamente o “Boi de piranha” Marcos Valério, enquanto a boiada do Duda Mendonça atravessa ilesa o rio da corrupção federal. Para que servem as pesquisas?

Nota de rodapé: Destaque. Nas eleições de 2018, uma vez pessimista, o eleitor brasileiro quer político “honesto” e que “acredita em Deus”, revelou uma pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira, 13 de março de 2018. Pode? “Não há clima para desordem política que possa provocar a prisão do ex-presidente Lula”. Quem concorda?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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