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Política

Carta ao ministro Luís Roberto Barroso

Carta ao ministro Luís Roberto Barroso

Por ocasião da vossa indicação para o Supremo Tribunal Federal pela então presidente Dilma Rousseff, o que acabou se confirmando com a vossa posse em 26 de junho de 2013, eu, na condição de humilde e comum cidadão, confesso que fiquei preocupado com os futuros votos de vossa autoria nos julgamentos, tanto em plenário daquela corte suprema como na turma que comporia. A razão é simples, vossa excelência atuou no STF como advogado do militante de esquerda Cesare Battisti, carcamano condenado por assassinato e terrorismo na Itália. Contudo, este não é o tema principal desta minha carta.

Agora vejo que as minhas dúvidas foram dispersadas por conta da vossa brilhante atuação em defesa dos interesses maiores da República, sobretudo quando tem enfrentado em diversas situações – e, diga-se de passagem , com  desmedida coragem – o temperamental ministro Gilmar Mendes, cujas posições e comportamento nada condizem com a ética e moralidade públicas. Aqui, neste instrumento de comunicação, também não dedicarei mais espaço ao vosso par Gilmar Mendes, que, a meu sentir, já deveria ter desocupado tão importante cadeira.

Vossa excelência, ministro Barroso, no dia 27 de fevereiro do corrente ano, determinou a quebra do sigilo bancário do presidente em exercício Michel Temer, e decidiu, também, “abrir” os dados financeiros de João Baptista Lima Filho (o coronel Lima, amigo, capataz e o braço armado de Temer, que há quase nove meses foge do depoimento na Polícia Federal), de José Yunes (advogado, ex-assessor do governo do presidente Michel Temer e seu amigo particular) e de Rodrigo da Rocha Loures (ex-assessor especial do presidente e seu homem da “mala recheada de dinheiro”). Sem a menor dúvida, vossa excelência bem sabe que todos estão ligados por um só cordão umbilical. O dono do Grupo Rodrimar, Antonio Celso Grecco, e o seu executivo Ricardo Mesquita, também tiveram os seus sigilos bancários levantados – resta saber se a tal ativa corrupção será comprovada por esse meio.

Evidentemente que a vossa mencionada decisão, divulgada ontem, segunda-feira, 05/03, tomada no domínio do inquérito que investiga irregularidades na edição da Medida Provisória 595, MP dos Portos, mais tarde originando o Decreto Presidencial nº 9.048, causará imenso salseiro em Brasília. Michel Temer nega peremptoriamente que não cometeu irregularidade alguma. De todo modo, tudo leva a crer que o “vovô do filme família Frankenstein” (Michel Temer) agiu premeditadamente para beneficiar a Rodrimar no Porto de Santos, no Estado de São Paulo. Vossa excelência há de convir que o governo federal não prorrogaria os prazos dos contratos de concessão de estratégicas áreas portuárias de 25 anos para 35, podendo chegar a 70 anos, em troco de um simples jantar pago por Celso Grecco numa tenda montada às margens do Lago Paranoá.

Ministro Barroso, vossa excelência teve a oportunidade de determinar a quebra do sigilo bancário de um presidente da República (37º) em pleno exercício do mandato pela primeira vez na história política brasileira, ainda que limitada, esta quebra, ao período de quatro anos e meio, de 01/01/2013 a 30/06/2017 – pegou parte do tempo em que Michel Temer foi vice-presidente de Dilma Rousseff (de 01/01/2011 até 31/08/2016). Até que ponto Dilma Rousseff sabia das negociatas do PMDB com a Rodrimar? Talvez uma resposta que jamais saibamos.

“O presidente Michel Temer solicitará ao Banco Central os extratos de suas contas bancárias referentes ao período mencionado hoje no despacho do eminente ministro Luís Roberto Barroso. E dará à imprensa total acesso a esses documentos. O presidente não tem nenhuma preocupação com as informações constantes de suas contas bancárias” – Nota da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, que informou, também, que Temer “não tem nenhuma preocupação no que diz respeito à decisão do ministro Barroso”. O bom corrupto dá o destino certo ao dinheiro sujo recebido.

Claro, Michel Temer está tranquilo porque o dinheiro que recebeu, em forma de propinas casuais e fruto de corrupção continuada, a esta altura do campeonato, está pulverizado em paraísos fiscais em nome de laranjas. Rastreá-lo, o dinheiro sujo, não será difícil para o MPF, PF e Receita Federal; certamente esta operação demandará algum tempo, porém, caso as autoridades responsáveis pela Operação Lava-Jato queiram encurtar o tempo das investigações, eu sugiro que algumas unhas sejam arrancadas dos dedos dos três comparsas, João Baptista Lima Filho, José Yunes e Rodrigo da Rocha Loures. Fora da “sala de conselho” ninguém falará algo contra o líder da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil, segundo o empresário Joesley Batista, dono da JBS, delator da Lava-Jato e atualmente preso. Tenho que concordar.

Ministro Luís Roberto Barroso, vossa excelência precisa tomar certos cuidados ao andar nas sombras projetadas pelas colunas do STF porque tem espião na área, e, sobretudo, ao receber convite para acompanhar as exportações de carne da JBS que partem do Porto de Santos e, em seguida, passar um final de semana na Pousada Literária, localizada na cidade de Paraty, RJ – por muito menos o ex-ministro Teori Zavascki morreu afogado em águas salgadas, em 19 de janeiro de 2017, na mesma cidade de Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro. Santos só está a 184 km de Paraty. No mesmo avião que viajava Teori Zavascki, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, o tempo de viagem levaria cerca de 20 minutos, portanto, embora rápido, seria o suficiente para selar o mesmo destino.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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