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Política

Brasil inconsertável – 8ª parte

Brasil inconsertável – 8ª parte

Amigos leitores, eu comparo o governo com uma grande família (não aquela da TV Globo), de Média classe média, onde o pai tenta impor seu status de chefe da casa, a mãe, do lar, passando a mão na cabeça dos filhos de tendências diversas. Os avós, coitados, trancados no quarto para não correrem iminentes riscos de acidentes domésticos.

O atemorizado presidente Michel Temer (PMDB-SP) deverá encaminhar ao Congresso, amanhã, terça-feira, 06/12/2016, o projeto de Reforma da Previdência para análise e votação. Nesse momento, Michel Temer aguarda a votação em segundo turno, no Senado, da PEC 241, que estabelece um teto para os gastos públicos, tendo em vista a necessidade do reequilíbrio das contas públicas e assim pavimentar o caminho para a recuperação da economia brasileira. A votação está prevista para o próximo dia 13. Por outro lado, de nada adianta decretar um limite anual de despesas para os três poderes da República, ao longo dos futuros vinte anos, se a Reforma da Previdência não for aprovada – o sucesso da PEC 241 depende disso.

O chefe da casa agora tem um problema sério que precisa digerir o mais rápido possível, mas eu não sei se o seu sistema digestivo estará preparado pra isso. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, acabou de conceder (aprovar) liminar ao partido político Rede Sustentabilidade que pediu o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. Lembrando que essa é uma decisão em caráter liminar e o assunto terá que ser levado ao plenário do STF. Enquanto isso, Renan Calheiros será obrigado a ceder a cadeira ao vice-presidente, o senador Jorge Viana (PT-AC), desafeto político de Michel Temer, por motivos óbvios. Jorge Viana, com a faca nos dentes, está na oposição ao governo e provavelmente interferirá enquanto puder na votação de temas importantes, como a Lei do Abuso de Autoridade, as 10 medidas contra a corrupção, a PEC 241 e, sobretudo, a Reforma da Previdência. Nos bastidores, o PT de Lula já orquestra novos ataques. Michel Temer pagou caro por confiar e depender de bandido.

Já por maioria firmada no Supremo Tribunal Federal, réu que esteja na linha sucessória da presidência da República não pode permanecer no cargo (Vice-presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados, presidente do Senado, presidente do Supremo Tribunal Federal). O julgamento não foi concluído no STF porque o ministro Dias Toffoli pediu vista, que agora se vê em papos de aranha porque o ministro Marco Aurélio Mello se posicionou do lado da Justiça concedendo a referida liminar. Ao contrário, Dias Toffoli ficou do lado errado, ou seja, do lado do bandido Renan, presenteando-o com mais tempo, talvez para preservá-lo no cargo até fevereiro de 2017, quando termina o seu mandato à frente do Senado. Dia 01/02 haverá votação para eleger o novo presidente da casa. Não será surpresa se Jorge Viana se apresentar como candidato do PT.

Vamos lembrar que Renan Calheiros (PMDB-AL) virou réu por crime de Peculato em decisão proferida pelo STF (08 votos a 03), na quinta-feira, 01 deste mês, em um processo que se arrastava desde 2007, e que nada tem a ver com a Operação Lava-Jato. Leia-se Peculato: “Crime contra a administração pública consistente em apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel público, ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. Aplica-se a mesma pena a quem subtrair ou concorrer para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário”.

Trata-se de uma denúncia oferecida, à época, pela Procuradoria Geral da República (PGR) em razão de Renan Calheiros ter usado dinheiro público (verba parlamentar) para pagar pensão de uma filha que teve fora do seu casamento com a jornalista Mônica Veloso. O escândalo levou Renan Calheiros a renunciar ao cargo de presidente do Senado, uma decisão pessoal sem que houvesse julgamento pelo STF. Nove anos depois, Renan Calheiros volta a se afastar da presidência do Senado (e do Congresso Nacional) em razão da liminar concedida por Marco Aurélio. Para justificar as incomuns movimentações de numerário, Renan Calheiros cometeu inúmeras fraudes financeiras, ao tempo que recebia propina da construtora Mendes Júnior para beneficiá-la em emendas parlamentares, o que de fato aconteceu. Restou provado que essa propina também se destinava ao pagamento da pensão acima mencionada. Um rolo danado, houve a participação de lobista nesse caso. Para um político corrupto, que goza de foro privilegiado e aposta na lentidão da Justiça, tais práticas não assustam, só que, tudo junto e misturado, acabou dando no que deu. Empréstimos disfarçados, venda de gado virtual sem gado real, propina, lobista, Mendes Júnior, pensão alimentícia, fraude financeira, mentira, enganação, e o corno real do Renan aceitando os chifres virtuais em nome da grana fácil.

O destino do senador Renan Calheiros será igual ao do ex-deputado Eduardo Cunha (preso na Lava-Jato). Será afastado do cargo definitivamente, será cassado pelos seus pares, perderá o foro privilegiado e depois preso em uma nova fase da Operação Lava-Jato, e certamente condenado pelo juiz federal Sérgio Moro. O Brasil agradece. Vamos ver se o poodle do PT, ministro Dias Toffoli, pedirá vista novamente em um provável novo “Renangate”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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