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Política

Brasil inconsertável – 6ª parte

Brasil inconsertável – 6ª parte

Amigos leitores, em primeiro lugar, peço perdão por aquilo que escreverei nas próximas linhas; em segundo lugar, sinto-me à vontade para fazê-lo porque sei de antemão que vocês fariam o mesmo, em decorrência da imensa decepção com a classe política brasileira. Prova disso são as opiniões que colho diariamente nas filas dos bancos, nos pontos de ônibus, nas padarias, nos supermercados, nos cemitérios, enfim, em qualquer lugar por onde transitam mais de três pessoas de sexos diferentes.

Canalhas. Um tratamento ácido, mas, indispensável quando me refiro aos políticos brasileiros. Definitivamente não dá pra confiar nessa classe de velhacos, de ordinários, indivíduos de mau-caráter, desprezíveis. Traiçoeiros de plantão, mequetrefes, cães sarnentos, FDPs. Infelizmente, não cai um avião com uma centena de políticos corruptos a bordo; quando cai só mata um e no máximo dois – a perda da vida dos pilotos e da tripulação seria por boa causa.

Com a suspensão da votação do pacote anticorrupção – que aconteceria na quinta-feira, 24 de novembro de 2016, no plenário da Câmara dos Deputados – restou provada a manobra dos parlamentares em “melar” o relatório do relator Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Quando a Câmara dos Deputados decidiu adiar a votação do pacote anticorrupção, o Projeto de Lei (PL) nº 4850/16, para ontem, terça-feira, 29, o que de fato aconteceu na madrugada desta quarta-feira, 30, deixou claro que o seu objetivo maior era ganhar tempo para reforçar a “costura dos acordos” feitos com a quase totalidade dos partidos políticos, e seus artífices, que querem se defender a todo custo das investidas da Operação Lava-Jato, que chegou até eles, tirando-lhes o sono merecido. É o tradicional “acordão” que une numa só corrente situação e oposição dentro do mesmo barco das conveniências. Um achincalhe para os cidadãos.

Até o último momento os partidos se articulavam para incluir no texto a maldita anistia à prática de Caixa 2 (e crimes correlatos como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato, evasão de divisas) com a apresentação de uma emenda ao projeto para promovê-la, porém, foram desestimulados pelo posicionamento contrário do presidente Michel Temer dado neste fim de semana, que ameaçou vetar qualquer proposta nesse sentido. Mas, a gente sabe que vetos presidenciais podem ser derrubados no plenário da Câmara, que pode perfeitamente impor as suas vontades, ainda que em desacordo com as expectativas populares, aliás, foram dessas mesmas expectativas que nasceram as 10 medidas contra a corrupção política, tão oportunamente defendidas pelo Ministério Público Federal – fiel depositário das esperanças da sociedade e primeira barreira contra o crime organizado, sobretudo de colarinho branco.

Ação premeditada. O texto base que trata das medidas de combate à corrupção foi aprovado pela Câmara dos Deputados por 450 votos (01 contra e 03 abstenções). O pior aconteceu depois. Na calada da madrugada, todos os 13 destaques apresentados foram aprovados em votação pelos parlamentares, que provocaram diversas modificações (radicais) no projeto original, destacando-se a inclusão abrupta do crime de abuso de autoridade com punição para juízes e outros magistrados, procuradores e promotores que o cometerem.

Negrita-se. A expectativa agora é de tempestade. A reação veio em cadeia, com manifestações de repúdio por parte da Justiça, do MPF e, sobretudo, da força-tarefa da Operação Lava-Jato. Todos, de igual forma, sentiram-se intimidados, coagidos, retaliados e desqualificados pela Câmara dos Deputados. Diante disso, são aguardadas outras ações por parte dessas Instituições contra os políticos que se opõem aos anseios sociais e que vão de encontro aos princípios éticos que deveriam nortear a prática política. Na tentativa de restaurar, no mínimo, o respeito e o equilíbrio de forças, a meu sentir, a força-tarefa da Operação Lava-Jato muito provavelmente adiantará as investigações contra os políticos envolvidos em atos de corrupção (Petrolão) e dará a elas a devida publicidade, apresentando os resultados à população, como sempre tem feito, com total isenção e transparência. O senador alagoano, Renan Calheiros (PMDB), não está livre do revés. Passou da hora de colocá-lo no alvo da Justiça.

“O objetivo inicial do pacote era combater a impunidade, mas isso não vai acontecer porque as principais ferramentas foram afastadas. O combate à corrupção vai ficar fragilizado e, com um agravante, que foi essa intimidação aos investigadores. […]. O pacote foi completamente desconfigurado”, disse o relator, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Os desgraçados dos políticos acham que o pacote contemplando medidas anticorrupção é de exclusivo interesse do Ministério Público Federal e fazem de conta que não sabem que a iniciativa popular é nele a principal interessada. No momento em que a sociedade pede mais ética na política e mudança de comportamento dos políticos que a exercem, estamos vendo exatamente o contrário. Alguns questionamentos fazem-se necessários. Que Brasil é esse em que vivemos? A corrupção sobreviverá à ética pública? A Justiça ficará de braços cruzados diante das constantes manobras parlamentares com o firme objetivo de eternizar a impunidade na esfera política? Qual o papel das Instituições republicanas? Qual o futuro que queremos para os nossos filhos e netos? Chegou o momento de darmos um basta.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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