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Política

Fragmentos máximos

Fragmentos máximos

A coisa que eu mais gosto de fazer, além de amar as mulheres, é escrever, dedicar-me à literatura variada, em especial ao meu humilde Blog. Fazer aquilo que traz felicidade e dá prazer faz bem ao ego. Não estou conseguindo realizar este meu sonho. Por enquanto. Mas sei também que a imponderabilidade pode me pegar de surpresa, morrer de repente talvez, e aí, ponto final para mim – a fila anda e o mundo segue. O certo é que ninguém está livre disso, ainda que algumas pessoas tentem se enganar e agem como se eternas fossem. O tempo se encarrega de acomodar tudo nos seus devidos lugares. A falta de consciência afeta a mínima compreensão, e é justamente isso que está acontecendo. De súbito ficamos todos perplexos.

A aflição aumenta quando comprovo que temos dois Brasis, diferentes na origem e na essência, um de superfície, vivido de aparências, e o outro subterrâneo, movido pela corrupção sistêmica e endêmica. A partir do momento que o Brasil subterrâneo começou a emergir, a ser revelado como realmente é, os verdadeiros problemas surgiram, os sintomas graves foram diagnosticados e descobrimos que fazíamos parte dele, corpo único, indissolúvel. Negar o fato é o mesmo que negar a si mesmo – alguns até que conseguem, são os mesmos indivíduos que atravessam a rua para não cruzarem com mendigos na calçada.

A política brasileira e os políticos nela inseridos estão total e irremediavelmente desacreditados como as pessoas que fazem juramentos em vão. Pecar, confessar e obter perdão; uma rotina fastidiosa, porém indispensável. O cenário é de trevas. O governo federal se transformou na maior organização criminosa de que se tem notícia. Além disso, está mergulhado em dois grandes problemas: primeiro a falta de gestão; segundo a incompetência na administração da coisa pública. Ambos os problemas geram crises de confiança e de credibilidade, dentro e fora das nossas fronteiras. Não há o que se discutir. Acabou a fase das vacas gordas, o pasto está seco e a safra está perdida.

Nesse redemoinho criado pelo governo, a presidente da República, a honesta e impoluta Dilma Rousseff, entende que está navegando na calmaria, no Brasil de superfície, sob aparente céu azul. Como desqualificada comandante do barco, tende a se descuidar, bebe uma dose a mais de bebida alcoólica, dorme além da conta e não passa a responsabilidade para os seus imediatos. No primeiro trovão todos correm para a popa, ou seção localizada a ré da meia-nau. No primeiro relâmpago, Dilma Rousseff corre para a proa e grita: “Eu não sou ladra”. Brado que ecoa nos corredores do Palácio.

A preferência nacional não foi o cigarro Continental, nem é a bunda no significado de nádegas, ou aquele substantivo de duas letras; a inclinação dos brasileiros hoje é pela omissão, uma escolha pensada que os faz sofrerem menos. O quê aconteceria com o Brasil se a Operação Lava-Jato não fosse deflagrada? Provavelmente continuaria na mesma, com os dois Brasis coexistindo. Maldito aquele dia 17 de março de 2014 quando tudo começou num simples posto de gasolina localizado no Distrito Federal, de nome fantasia Posto da Torre, onde funcionava uma “real” casa de câmbio de valores, interceptado pela Polícia Federal numa Operação batizada de Lava-Jato.

Por ironia do destino, no Posto da Torre nunca tinha funcionado um lava-jato para carros, nunca houve. Funcionava uma lavanderia de roupas. Dentro de um saco de roupas sujas a Polícia Federal encontrou o proprietário do tal Posto da Torre, Carlos Habib Chater, operador sorrateiro da casa de câmbio de valores (sem autorização do Banco Central), fechada na manhã do bendito dia 17 de março de 2014. A Polícia Federal, cumprindo 81 mandados de busca e apreensão, prendeu Carlos Habib Chater, no mesmo dia o doleiro Alberto Youssef e três dias depois o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que procurava destruir provas do seu envolvimento no esquema criminoso. Deu no que deu. Iniciava-se, assim, a Operação Lava-Jato, cujas investigações expuseram as vísceras do Estado Brasileiro, uma série de ações fraudulentas em contratos e licitações, corrupção de servidores públicos na Petrobras com a participação de Partidos Políticos e de políticos no exercício dos seus mandatos.

Aquele movimentado Posto da Torre, localizado no setor hoteleiro sul de Brasília, a apenas 03 km do início da Esplanada dos Ministérios, acabou se transformando no ícone de um radical processo de mudança que, sem dúvida, passará o Brasil para que se torne único. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal saíram para pescar e lembraram-se da lição do pescador que jogou uma fieira com centenas de anzóis em alto mar. Horas depois, ao puxá-la, o pescador percebeu que no primeiro anzol uma sardinha estava presa, no segundo anzol um peixe espada, no terceiro anzol um dourado, no quarto anzol um cação. Chegou a um ponto que o peso da linha começou a aumentar consideravelmente e o pescador não teve mais força para puxar a fieira de dentro do mar, até porque no seu frágil barco não havia espaço para todos os peixes capturados. O instituto da delação premiada é a grande ajuda que a Justiça precisa para puxar os grandes peixes que ainda se debatem no mar.

Leia-se: “Desinência, Gramática Morfema (fragmento mínimo capaz de expressar significado) que tem por função denotar as categorias gramaticais de gênero, número, modo, tempo e pessoa. A desinência é um morfema, responsável por designar algumas características na palavra, e quando é adicionado a ela, ao contrário do afixo, não forma uma nova palavra, mas apenas faz a flexão da palavra de origem”.

Nem dos sinônimos de desinência Dilma Rousseff entende, como extremidade, fim, sufixo e termo. A honesta e impoluta Dilma agrediu a desinência verbal quando disse “Eu não sou ladra” e quando se referiu ao mosquito Aedes Aegypti e às doenças por ele transmitidas. A agressão aconteceu na reunião sobre o tema da qual participou no último sábado, 05, na capital Recife, Pernambuco. “Ele [o mosquito] provoca, além da dengue, a chikungunya, e ele tem uma variante que transmite o vírus que se chama vírus da zika por causa de uma floresta. Precisamos nos mobilizar para evitar os processos de reprodução do mosquito, porque o mosquito transmite essa doença porque ele coloca o ovo e esse ovo tem o vírus que vai transmitir a doença”. Na véspera, a honesta, impoluta e agressora Dilma já tinha chamado o coitado do mosquito Aedes Aegypti de vírus e o zika de vetor. Segundo especialistas, não é verdade que o ovo colocado contém o zika. É por essas e outras que o Brasil está desse jeito.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, agrediu a desinência nominal quando deu as costas ao senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, quando este foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira, 25 de novembro de 2015, em um hotel de Brasília, acusado de atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato. O Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal fortes evidências de que Delcídio estava realmente tentando tumultuar as investigações da maior operação contra a corrupção, oferecendo-se para ajudar o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, a fugir do país. A prisão foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, relator do Petrolão no STF. Com cara de ovelha tosquiada, o senador Delcídio do Amaral foi conduzido para uma sala de nove metros quadrados onde aguardará para prestar depoimento. Os políticos desgraçados que ainda acreditam na impunidade podem ter a certeza que o futuro ex-senador Delcídio do Amaral possui fragmentos máximos capazes de expressar o significado de corrupção – o seu diário comprometedor que o diga, guardado desde a época do Mensalão. Nestor Cerveró, que domina perfeitamente as desinências verbal e nominal, com sua delação premiada, pode decidir o Impeachment da honesta, impoluta, agressora e analfabeta Dilma Roussef.

NOTA OFICIAL DO PT

O presidente Nacional do PT, perplexo com os fatos que ensejaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral, tem a dizer o seguinte:

1- Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador tem qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado;

2- Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade;

3- A presidência do PT convocará, em curto espaço de tempo, reunião da Comissão Executiva Nacional para adotar medidas que a direção partidária julgar cabíveis.

Brasília, 25 de novembro de 2015.

Rui Falcão

Presidente Nacional do PT.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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