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Política

Cupins do erário

1A edição nº 2373 (27 maio/2015) da revista ISTOÉ traz matéria-denúncia contra o governo federal envolvido na farra com dinheiro público. A corrupção dá sinais claros que não tem fim. Chamada de capa da ISTOÉ: “EXCLUSIVO – Empreiteiras da Lava-Jato continuam a turbinar seus contratos com o Governo”. Página 34: “O PETROLÃO NAS ESTRADAS – Enquanto a CGU e o Ministério Público avaliam se as empreiteiras envolvidas na Lava-Jato deveriam continuar a firmar contratos com o poder público, essas mesmas construtoras são beneficiadas pelo governo federal com reajustes em contratos de obras em rodovias que já tinham extrapolado o orçamento. TCU promete apurar o caso”. Página 35: “[…] Nos últimos quatro meses, cinco contratos da OAS, UTC/Constran, Queiroz Galvão com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DENIT) para execução de obras em rodovias receberam R$ 43,2 milhões em aditivos. […]”.

A Controladoria-Geral da União – órgão do Governo Federal responsável pela defesa do patrimônio público, transparência e combate à corrupção – está dormindo no ponto. O Tribunal de Contas da União – Instituição brasileira prevista na Constituição Federal para exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades das administrações direta e indireta quanto à legalidade, à legitimidade e à economicidade, e para exercer a fiscalização da aplicação das subvenções e da renúncia de receitas – está caminhando a passos de tartaruga. O Ministério Público Federal vive crises existenciais. Tudo isso facilita a prática de atos ilícitos por parte do poder da República e dos seus entes federados. A CGU, o TCU e o MPF tropeçam nas próprias pernas, diminuem o ritmo da corrida, enquanto os ladrões assumem a dianteira.

O Brasil não tem mais jeito, chegou a um ponto que não cabem reformas, nem de consciência. A Operação Lava-Jato, e os seus desdobramentos, não desencorajaram o governo de praticar as costumeiras corrupções nas obras públicas e, o que é pior, com as mesmas empreiteiras que ostentam o status de “Vip” na roubalheira desenfreada. O Brasil é um paraíso de ladrões e vai continuar assim por muito tempo. A atual geração está comprometida com a imbecilidade que a leva à omissão, que a conduz a um completo estado de torpor. O processo é perverso, a “Pátria Educadora” está reduzindo os jovens à sua condição de analfabetos funcionais, sem perspectivas de cidadania, sem capacidade de julgamento – pessoas vulneráveis aos sistemas de dominação. A frustração bateu à porta dos mais experientes, mas impotentes diante da força contrária imposta. Causas e efeitos confundindo-se na visão global. O fim sem o começo; os meios justificando ambos os caminhos.

É dele, Arnaldo Jabor, a manchete “Floresce no país uma primavera de ladrões”, de 2005. A Reforma do Judiciário não acabará com a corrupção costumeira, ao contrário do que apregoa o brilhante colunista, porque depende de decisão política – esta tem o mando da mesa; dá as cartas e é exímia na arte de blefar. Uma qualidade típica dos três Poderes da República, a conivência assistida, estampilha o pacto de silêncio. Se o intento firmado é fingir não ver ou encobrir uma má ação praticada por outrem; nesse caso, não temos nada a fazer senão pedir o boné. A corrupção meditativa, a corrupção cronogramada e a corrupção estratégico-compartilhada-liberal correm à revelia de qualquer proposta de reformulação de sistemas. Ladrão não é tão somente aquele que rouba, que furta, o indivíduo desonesto, larápio – é também aquele que deixa fazer, permite que seja feito, por exigência implícita da passividade. Antigamente, quando a moralidade primazia era, para ser ladrão o cara tinha que ter talento congênito. Mas hoje, nas entranhas do poder, se ouve a mais decantada frase palaciana: “A ocasião faz o ladrão, basta ganhar a eleição”.

E por “idiotas falsos patriotas” passam aqueles que se insurgem, sublevam-se, contra esta premissa genuína, mas, que de soslaio, admitem que “Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de poupança” – basta colocar um vigiando o outro. Nesses 515 anos de saques e rapinas, o povo só fez esculpir os santos-do-pau-oco, virtuosos, dentro dos quais os políticos guardam o nosso dinheiro, seguros de que não serão apanhados em flagrante assalto. Ao longo dos tempos, a desesperança levou o povo a “conviver” com a roubalheira manifesta dos políticos, o que tornou procedimento comum afirmar que “todo o político rouba no exercício do mandato” – “Se ao menos roubassem e fizessem alguma coisa pelo povo”, pensa a maioria dos brasileiros. Experiências em maracutaias são exigências de currículo – rotina operacional da profissão de político brasileiro. Da empresa Brasil, somos apenas sócios inapetentes que não a deixam levar à falência porque comparecem religiosamente com o dinheiro dos seus impostos e tributos, e ainda concordamos que os nossos representantes sejam legais extorsionários, chantagistas e que jamais percam o apetite como cupins do erário.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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