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Política

A honestidade como exceção – 2ª parte

1No Brasil varonil, a farra com dinheiro público fica impune e é motivo para comemorações nos 365 dias do calendário, quando o ano não for bissexto. A “contabilidade oficial” dos Municípios, dos Estados e da Federação bate como “boca de bode”, ou seja, os números colocados no papel fecham perfeitamente porque as Notas Fiscais frias dão suporte às operações fraudulentas – ativo e passivo dentro das normas contábeis. Por seu turno, os Tribunais de Contas aprovam as contas públicas sem maiores problemas, promovem frágeis auditorias e julgam politicamente casos pontuais. Os cidadãos não fiscalizam as Instituições públicas como deveriam porque lhes falta competência para isso, além do mais, as pessoas precisariam de tempo, tempo este empregado para ganhar o dinheirinho suado para o sustento da família e, sobretudo, para pagar os impostos cobrados por quem não sabe empregá-los. A impunidade é festejada com Champagne Moët & Chandon Brut Impérial. Para o nosso deleite, estamos vendo a toda hora a reedição de velhas chicanas jurídicas, o que dá a impressão da podridão do sistema. A corrupção generalizada mantém o Estado Brasileiro de pé como se fosse a única escora disponível. Ao grito de “salve-se quem puder”, quem consegue sobreviver ao caos tenta carregar o que foi deixado pra trás. Esse é o Brasil que aposta no futuro.

Honestidade é a percepção que gostaríamos que os outros tivessem com relação a nós, e a falta dela nos leva a criticá-los – independente se a percebemos ou não. Nada funciona no Brasil que não seja à base de corrupção, até as religiões aderiram à causa da desonestidade. O Brasil está de pernas pro ar, o mundo está de cabeça pra baixo, olhando para a direita vemos problemas, olhando pra esquerda é a mesma coisa, pra frente e pra trás a situação piora. Se Cristo ainda existe na sua forma não-corpórea certamente deve estar preocupado com a possibilidade de reencarnar na Terra. Há quem defenda uma terceira guerra global para que ocorra uma “limpeza ética-moral” da humanidade – se houver sobreviventes (contando comigo) e estes aprenderem a lição talvez eu venha a compactuar com essa ideia maluca. Pensando bem não tão maluca assim. Uma nova ordem social se desenha como necessária.

O escândalo de corrupção na FIFA, desbaratado por uma operação do FBI em conjunto com autoridades da Suíça, mandou para a cadeia nesta quarta-feira, 27, sete dirigentes da entidade esportiva – entre eles está o ex-presidente da CBF José Maria Marin, desafeto do ex-jogador Romário e atual senador da República (PSB-RJ). Romário, o “Baixinho”, incentivou a criação da CPI do Futebol, confirmada no Diário do Senado, edição desta sexta-feira, 29, com a adesão de 53 senadores dos 81 que compõem a casa. Este é mais um problema a ser encarado; olhando pra trás percebe-se que a corrupção no futebol é mais antiga do que o ato de amarrar cachorro com linguiça. A venda de Neymar, o “cai-cai”, para o Barcelona está envolta em graves crimes fiscais, financeiros, tributários – lavagem de dinheiro na certa. Outros tantos casos passaram “despercebidos” pelas autoridades nacionais e internacionais. Vivemos numa época em que o dinheiro dita as regras e se torna a “Lei Maior” dos homens. Mesmo diante dos escândalos de corrupção na FIFA, o atual presidente Joseph Blatter foi reeleito nesta sexta-feira, 29, derrotando o seu adversário na disputa, o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein. Se o FBI não pegar Blatter no contrapé, ele ficará no cargo até 2019. “Não precisamos de revoluções, mas sempre de evoluções. Estou sendo responsabilizado pelo estado atual. Então Ok, vou assumir isso, aceitarei esta responsabilidade para corrigir a FIFA junto com vocês”, disse Blatter em seu discurso para uma plateia na sua maioria corrupta. Na CBF tenta-se esconder a “bola” debaixo do tapete verde.

Desgraça pouca é bobagem. Tá ligado? Olhando pros lados, só notícia ruim. E por aí vai, e por aí vai… Leia-se no ESTADÃO conteúdo: “BNDES altera contrato de Belo Monte e livra usina de multa de R$ 75 milhões. Uma alteração contratual feita pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no financiamento de R$ 22,5 bilhões, firmado com a Hidrelétrica de Belo Monte, livrou o consórcio Norte Energia, dono da usina, do pagamento de uma multa para o banco público, sanção que poderia chegar à cifra de aproximadamente R$ 75 milhões. A punição deixou de existir porque o banco concordou em alterar as datas de execução de obras da usina, que está em construção no Rio Xingu, no Pará. Ao mudar o cronograma original que exigia do consórcio, as multas por atrasos simplesmente desapareceram”.

Leia-se AGÊNCIA O GLOBO: “Lava-Jato descobre desvio de dinheiro em outros setores, além da Petrobras. Embora a Operação Lava-Jato tenha por objetivo investigar os crimes cometidos em torno dos desvios na Petrobras, a força-tarefa que investiga a formação de cartel para desviar pelo menos R$ 10 bilhões dos cofres da estatal descobriu que houve o pagamento de propinas para a realização de obras públicas em vários segmentos da infraestrutura brasileira, como hidrelétricas e ferrovias. […] Em uma série de depoimentos gravados à Justiça do Paraná no ano passado, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que o cartel de empreiteiras agia na maioria das obras públicas de hidrelétricas, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”.

Leia-se R7 Notícias: “Lava-Jato foca publicidade da Petrobras. LSI, Limiar e IT7 são as principais investigadas. Contratos da área de Comunicação da Petrobras são o novo foco prioritário da força-tarefa da Operação Lava-Jato, a partir das descobertas da 11ª fase da investigação, deflagrada na sexta-feira (10). A suspeita é de que o modelo de desvios de até 10% em contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2014, tenha sido replicado na estatal petrolífera. Batizada de ‘A Origem’, a mais recente etapa da Lava-Jato detectou o uso de empresas legais e de fachada em um esquema que beneficiou o ex-deputado paranaense André Vargas, que foi vice-presidente da Câmara e secretário de Comunicação do PT na período investigado. Ele teve ordem de prisão cumprida pela PF na sexta-feira, assim como os ex-deputados Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE) e outras quatro pessoas”.

Ainda acho que os brasileiros merecem tudo isso que está acontecendo – no mínimo a metade do Brasil, que assumiu publicamente a sua condição de passiva.

Polícia Federal indicia ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira por quatro crimes. Essa é uma notícia fresca. Velha é a opinião de Ricardo Teixeira: “Estou cagando pra tudo isso”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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