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Política

A utopia da ilusão

1Tudo é muito surreal, tudo é muito estranho, misterioso, transcende a realidade aparente, compreensível através dos sonhos, ou da imaginação. A ilusão é fascinante porque nos remete a um “mundo real” segundo o que queremos ou entendemos. Teria a ilusão a capacidade de ofuscar a razão? A ilusão é racional. Criamos os fatos segundo os nossos próprios enganos, nem tudo corresponde exatamente ao que achamos, julgamos ou comparamos – percebemos os devaneios sob diferentes óticas, e justamente essa capacidade de entendimento que separa as pessoas e as qualifica por decorrência. Esse sentimento provoca a interpretação errônea de situações, a mente vira refém dos desacertos, mas acreditamos, quando optamos. Trocamos imaginações e as substituímos no cérebro, ideias falsas se multiplicam com a velocidade da luz – não há freios, nem volta.

Quinta-feira, 19 de março de 2015, a Câmara dos Deputados abriu sessão da CPI da Petrobras, Audiência Pública, para ouvir o ex-diretor de Serviços de Engenharia Renato Duque. Realmente os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito ouviram de Renato Duque o que não esperavam: “Bom-dia a todos”, “Não posso dizer que é um prazer estar nessa CPI”. “É hora de falar, é hora de calar… Agora é de calar”. “Por orientação da minha defesa permanecerei calado”. “Permanecerei calado”. “Não sabia como era difícil ficar calado, mas permanecerei calado”. “Vou exercer o meu direito constitucional de ficar calado”. “Calo-me por direito”. “Permanecerei em silêncio”. “Permaneço calado”. “Sigo as orientações dos meus advogados”. “Nada a declarar”. “Tenho a orientação do meu advogado de não responder a nenhuma pergunta”. “Mantenho-me calado”. “Permanecerei em silêncio pelo que me garante a Constituição”. Registrar o quantitativo dessas citações ficou difícil na medida em que foram sucessivas. A tortura psicológica exercida pelos parlamentares não funcionou, Renato Duque não revelou nada, não produziu mais provas que o incriminassem na Operação Lava-Jato. O que se viu, para deixar a sessão da CPI mais animada, foi uma luta política declarada, bate-boca entre governo e oposição. Uma coisa chama atenção, os petistas, mesmo na forca, negam tudo até o último suspiro. Que país é esse? Um país totalmente refém de bandidos que se acham acima das Leis e que apostam na impunidade. Neste particular, chego à conclusão que as salas de tortura do DOI-CODI estão fazendo falta. As pessoas acreditam no que escutam e muitas das vezes não creem naquilo que veem.

A oportunidade faz o ladrão, e o seu comportamento contínuo consolida a prática. Esta máxima traduz o estado de coisas que estamos vivendo, crimes contra a administração pública, contra o sistema financeiro nacional, são cometidos diuturnamente por agentes do Estado sem a mínima preocupação com as consequências. Nesse momento da história política brasileira as forças do mal são maiores do que as forças do bem, a rigor. O Brasil, quando acordar, pode ser tarde demais. Como escrutinar, como analisar de maneira minuciosa a situação na tentativa de entendê-la? Descobrir fatos para reconhecer os problemas? Ou se prevenir dos problemas para que não haja fatos desagradáveis? Talvez o “X” da questão esteja na postura que assumimos diante dos desafios, sempre maiores para nós e menores para os outros. Hoje o criminoso confessa um crime com a maior naturalidade como se estivesse tomando o café da manhã na companhia de seminaristas. A crônica do absurdo segue os contornos do abstrato.

O mundo perpassa por metamorfoses no seu modelo de domínio, a geopolítica jamais foi tão discutida, modelos de governança esbarrando em interesses difusos. Cerca de 10% do PIB mundial são desviados dos seus fins naturais. A importância é relativa na medida em que o dinheiro é visto como moeda de troca, sobretudo para a compra do silêncio. Os efeitos maléficos das propagandas de governos, com efeitos anestésicos, reduzem a população à condição de objeto de dominação. Casuísmos determinam as facetas dos crimes contra a humanidade. O terceiro milênio da era Cristã se desenha ruim, de resultados imprevisíveis. O que temos visto são reedições de políticas ultrapassadas sem efeitos práticos. O retrocesso passa a ter conceito definido no contexto global. As atuais gerações estão contaminadas por sistemas excludentes, não reagem a estímulos de defesa, as mudanças incertas. Tal fenômeno não se dá pela falta de informações, muito pelo contrário, as atitudes depressivas, e seus resultados, dão-se pelo excesso de notícias e pela ausência da capacidade de interpretação.

As relações promíscuas entre governos e corporações têm provocado rupturas na ordem social como um todo, e acontecem em ambientes comuns aos envolvidos, de modo que as testemunhas desqualificam-se por si só. A pressão exercida de cima pra baixo convoca cúmplices, portanto, reforça a tese da existência do corporativismo nas práticas delituosas, sem dramas ou complexos. Segundo o economista Armando Soares, “Políticos demagogos, como Lula e Dilma, sabem mexer com o sentimento das massas volúveis que se dobram pela oratória fantasiosa desses falsos políticos; são massas que se prestam para promover rebeliões, grandes distúrbios, incêndios e dilapidação de patrimônios. Dilma e Lula, discípulos do mal, usam dessa estratégia que vem desde a época dos romanos, para se manterem no poder por tempo indeterminado. Esse é o Brasil indesejável que estamos convivendo e que necessita de novo rumo. O Brasil que está do lado da verdade, da ética, da moral e do amor, se quiser, muda o rumo estabelecido pelo mal, vence e transforma”. Será que precisamos de um esforço sobrenatural, teórico e prático, de racionalidade? Ou será que os sistemas têm a certeza de que vivemos numa democracia utópica? Não existe terra firme, esta sim, não é uma afirmação imaginária ou fantástica – é real.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “A utopia da ilusão

  1. Realmente não existe nada firme tudo não é real é ilusão, olhando para trás não encontramos nada que podemos apegar; somente lembranças abstratas, por isso acredito na mudança, muitos foram os que tentaram escravizar o povo, isto também passa,o povo manso e pacífico continuara na sua luta de aprendizado.

    Publicado por nair | 19/03/2015, 20:27

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