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Política

Lula acusou os brasileiros de acomodados

1Em 2005, o então presidente Lula acusou os brasileiros de se acomodarem, quando poderiam pesquisar taxas de juros mais baixas e lutar pelos seus direitos. Se os 52,8 milhões de eleitores brasileiros soubessem disso antes, certamente a maioria não teria votado em 2002 nesse grande falastrão nordestino, rei do repente, sem respeitar modelos de métrica e rima. O brasileiro já leva a fama de gozador contumaz, brincalhão, de irreverente, de malandro, enfim, de indiferente a tudo. Expressões como “O brasileiro não está nem aí pra hora do Brasil” e “O último a sair que apague a luz”, corroboram a tese e ajudam a estigmatizar o nosso povo. Daí, para o real, tem uma imensa distância – de acomodado, de conformado e de sem perspectivas, o brasileiro não tem nada, muito pelo contrário, possui qualidades natas e surpreendentes como pacificador, caritativo, alegre, trabalhador, e, sobretudo, driblador das adversidades. Fenomenologicamente, esses “fatores positivos” são considerados pelos poderes constituídos, que hoje não precisam de canhões nas ruas para calar o povo, mas sim da dose certa de ideologias dominadoras, subliminarmente impregnadas nas propagandas do governo. Porém, observa-se que a atual geração de brasileiros vem construindo uma nova consciência política, fundamentada no saber e no idealismo, está deixando de exercer a cidadania passiva e de ser “massa de manobra” de sistemas doutrinadores e corruptos, por isso, está aprendendo a cobrar do governo a contrapartida desejada. É inegável, e incontestável, o imenso poder de reação e de mobilização do povo brasileiro, vide a luta aberta antiditadura, a campanha das “Diretas Já”, o movimento estudantil brasileiro de 1992, conhecido como “Caras-pintadas”, milhões de pessoas vieram pras ruas gritar “Fora Collor”, entre outras iniciativas. Enganam-se aqueles políticos que costumam “brincar” com os brasileiros, dando-lhes as costas, acreditando que, uma vez subjugados, recuperam-se facilmente como o rabo de uma lagartixa sem precisar do poder público para sarar as feridas. Eu escrevi este artigo numa segunda-feira, 02 de maio de 2005, há quase 10 anos.

Segundo relatório da ONU, na América Latina há uma crise de confiança na democracia – é notória a incapacidade de alguns Governos em resolver os problemas da população, sobretudo na questão dos serviços básicos –, açoitada por políticas públicas excludentes, que fomentam a má distribuição de renda e riquezas. Muito embora o governo brasileiro se ache fora desse grupo – cuja aspiração infundada é endossada por alguns, ao considerarem correto o rumo dado à política econômica –, os tais reflexos positivos de vinte e oito meses (janeiro 2003 / abril 2005) de constantes “promessas de mudança”, infelizmente ainda não foram percebidos pelo povo. George W. Bush, não se opondo à amizade que Lula mantém pelo presidente da Venezuela, até gostaria que Hugo Chávez tivesse o mesmo perfil do “Robin Hood tropical” Lula. Em outras palavras, um governante passivo, inofensivo, que tira dos pobres e dá aos ricos. Alguns teóricos da ciência política dizem que o Brasil experimentou um período de vinte anos de democracia e que falta apenas um ano para chegar à maioridade. Quando “Lulaéreo” afirma que a culpa dos juros altos recai sobre a classe média e que os brasileiros precisam se mobilizar para protestarem contra a política econômica, concluo que a nossa democracia ainda chupa chupeta. Os brasileiros precisam, sim, tirar a bunda da cadeira e ir pras ruas, exigir “Fora Lula”, antes que o PT, com a sua ideologia barata, propague aos mil ventos que o governo tem o povo que sempre desejou. Eu escrevi este artigo numa quarta-feira, 27 de abril de 2005, também há quase 10 anos.

De lá pra cá, 2003/2015, não mudou muita coisa, a visão do governo comandado por petistas sempre foi e continua a mesma. O projeto de poder do PT foi construído paulatinamente, na calada da noite e à luz do dia. Os discursos rocambolescos dos seus artífices serviram para esfumaçar a realidade, um engodo que pegou todo mundo desprevenido, pelo menos a base da pirâmide social excluída propositalmente do processo evolutivo. Lula é um ser anormal, ele difere das outras pessoas que transportam as fezes no reto, enquanto Lula as carrega na cabeça. Os seus brados retumbantes sempre soaram como desafios, um chamamento para a luta, sem saber contra quem, o importante era, e continua sendo, agitar as massas para criar cenários favoráveis às suas investidas de líder fantasioso. Vamos aguardar as manifestações programadas pela “esquerda raivosa” para 13 de março, próxima sexta-feira. A sexta-feira 13 (número do PT) pode revelar um dia de sorte para o governo – tudo vai depender da revolta das bestas assistidas contra a oposição, entoando o canto “Fique Dilma”. Se acontecer algo de diferente é porque faltaram bestas nas manifestações; uma delas, Lula, já disse que não irá.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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