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Política

Sequestro da decência – 8ª parte

1O Brasil é um país interessante, de um povo heróico o brado retumbante – sempre postado às margens plácidas, não só de um majestoso rio, como também de uma situação qualquer. Tudo por aqui acontece na mais perfeita calmaria e tranquilidade. As coisas urgentes, se não der para fazer agora, então agendamos para depois de um grande evento popular, ou mesmo reservado. O responsável pela tarefa dirá com relativa doçura e suavidade: “Agora não dá, só após o Natal”. Outras pessoas dirão com idêntica responsabilidade: “Depois do Réveillon, quem sabe”, “aguardemos a Páscoa”, “vamos pular fogueira de São João primeiro”, “o dia 7 de setembro está chegando”, “depois do dia da criança”, enfim, “depois que a vizinha aceitar o convite para uma trepadinha rápida na escadaria do prédio”, mesmo que não haja um feriadão. A cultura do Brasil de Cabral é assim mesmo, não dá para mudá-la, independente do pretexto. Literalmente estamos ferrados, mas, se o clima é de festa, então, “Partiu esbórnia”, como está na moda, segundo ‘comunicação internáutica’. Por aqui se comemora de tudo, ou de tudo um pouco, priorizamos a busca incessante pelo prazer, rasgamos as regras e os manuais da decência, o tocar o “foda-se” encabeça os procedimentos. Quem quiser que espere, ou, então, foda-se com todas as honras de cidadão brasileiro.

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pedirá a abertura de inquérito contra os parlamentares apontados na Operação Lava-Jato logo depois do Carnaval. A tão esperada lista dos “novos famosos” que, muito provavelmente já está em poder do STF (pelo menos nas mãos de três ministros, dois do STF e um do STJ), tem deixado o Congresso Nacional em polvorosa, e em estado de pânico o Palácio do Planalto – a população está “cagando e andando” para o Petrolão, porque tem consciência de que as forças ocultas estão atuando em várias frentes, sobretudo o Partido dos Trabalhadores junto aos executivos das grandes empreiteiras para que fiquem de boca fechada e não comprometam o PT mais do que já está. O impressionante é que o governo federal está por trás de tudo. A “Delação premiada” reduz o quantitativo da pena e a “Boca fechada” rende dinheiro e preserva a vida. A imprensa, de um modo geral, tem sido cautelosa ao usar termos como “suposto”, “provável”, “sem provas” quando se refere ao envolvimento das pessoas investigadas pela Justiça Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal nas fraudes em contratos das empreiteiras com a Petrobras. Quantos são os “supostos inocentes”, 99,999999% do Brasil não sabem. Seriam 42 fraudes narradas? Seria 42 o número de políticos ligados às prováveis corrupções? Os crimes, estes sim, têm materialidade nas robustas provas colhidas. A força-tarefa formada por Procuradores da República, criada em dezembro de 2014, para dar maior agilidade aos procedimentos relativos à Operação Lava-Jato, foi vital para o cumprimento do prazo proposto por Rodrigo Janot. Sabe-se, de antemão, que nomes de deputados e ex-deputados, senadores e ex-senadores, ministros e ex-ministros, governadores e ex-governadores constam da lista da Procuradoria Geral da República. Os nomes de Lula e Dilma estão no organograma da poderosa máfia sul-americana, de tal modo que se encontram protegidos contra todas as suspeitas, todas as probabilidades e todos os “crimes com provas”.

“Essas pessoas, na verdade, roubaram o orgulho dos brasileiros. A complexidade dos fatos nos leva a intuir a dimensão dessas organizações. […] A investigação será grande e demorada. […] A Petrobras está sendo consumida por um incêndio de altas proporções. […] Meu papel aqui é dar apoio a essa nova fase que se inicia. O Ministério Público Federal não fala aquilo que fará, mas dá conhecimento à sociedade aquilo que fez e esclarece sua atuação” – Rodrigo Janot.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Sequestro da decência – 8ª parte

  1. É a politica do deixa pra lá. Tem carnaval a maior festa popular , o futebol , e tem a mente do povo que infelizmente tem memoria curta e alienada.Qdo começar a apertar o cinto e as dificuldades aparecerem, quem sabe isso muda!

    Publicado por nair | 26/02/2015, 22:16

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