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Política

Farelo aos porcos – 2ª parte

1Os porcos políticos continuam comendo farelo, de modo que não há previsão quanto ao tempo da refeição – os cochos estão cheios. Por todas as provas que a Operação Lava-Jato já colheu podemos dizer que é uma bomba de efeito retardado, aquele artefato bélico, que uma vez lançado sobre um determinado local, necessita de um tempo para produzir os seus efeitos, ou seja, explodir e mandar tudo e todos para os ares. Que situação danada, cerca de 70 (setenta) parlamentares, congressistas, estariam ligados ao esquema de corrupção na Petrobras. Temos 81 (oitenta e um) senadores no Senado Federal e 513 (quinhentos e treze) deputados federais na Câmara dos Deputados. Sendo verdade aquele número, 70, 12% do Congresso Nacional estão ameaçados de perder os mandatos e ninguém pode afirmar, aos pés da santa cruz, que os seus suplentes não estejam também envolvidos com a quadrilha do Petrolão. A lista dos políticos corruptos ainda não foi divulgada porque a denúncia não foi apresentada formalmente ao STF pelo MPF, através do Procurador-geral da República Rodrigo Janot. O Supremo Tribunal Federal precisa aceitar a denúncia para que o processo siga em frente. Quando os nomes forem do conhecimento dos brasileiros será um verdadeiro ato de “pega pra capar”.

O processo de cassação de mandatos vai ser moroso; uma das razões é o absurdo número de políticos denunciados. Outro forte motivo é o corporativismo que impera no Legislativo Federal. Bons exemplos disso são os deputados federais André Vargas (sem partido) e João Luiz Correia Argôlo dos Santos (SD-BA) que respondem processo junto ao Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar pela ligação com o doleiro Alberto Youssef, personagem de destaque nos escândalos de desvios de recursos da Petrobras. O processo de cassação dos dois já deveria ter sido levado a plenário faz tempo, porém, a cópula, perdão, a cúpula da Câmara dos Deputados remarcou a sessão para quarta-feira, 10 de dezembro. O recesso da casa acontecerá no dia 22, de modo que André Vargas e João Luiz Argôlo podem escapar, de novo, da cassação dos seus mandatos. O papel constitucional do Poder Legislativo perante o país escora-se em três funções específicas: 1ª. Representar o povo; 2ª. Legislar sobre assuntos de interesse nacional; 3ª. Fiscalizar a aplicação dos recursos públicos pelo Poder Executivo. A meu sentir, a consolidação da ‘Democracia brasileira’ fica comprometida porque, 1º. O povo não se sente representado; 2º. Os políticos eleitos legislam sobre assuntos de seus próprios interesses; 3º. O uso do dinheiro público não é fiscalizado porque o Congresso Nacional comunga com o Executivo e boa parte dos seus membros pertence à mesma quadrilha e/ou chafurda no mesmo chiqueiro. Todos os seres desonestos comungam na corrupção. Enquanto isso a Justiça, cega, dorme o sono dos injustos.

“Vai depender do conteúdo da denúncia. O critério é a comprovação. Imagine o sujeito citar o nome, dizer que esteve com a pessoa, que recebeu a doação na casa. Cadê a prova? Esse processo terá que ser tratado com normalidade institucional. Não é só a denúncia do Ministério Público. […] É preciso ter calma. Deixar correr dentro da normalidade. Não é nem sangria desatada, nem passo de tartaruga. Se estão levando esse tempo todo para divulgar; o Congresso não precisa resolver em cinco minutos”.

Eduardo Cunha – Deputado federal (PMDB-RJ)

“Não é porque seja parlamentar ou não, isso diz respeito a qualquer cidadão. Para ser envolvido em indícios nessa operação criminosa, é preciso que se tenham provas ou ao menos indícios muito fortes de atos ilícitos, provas testemunhais e factuais”.

Mendonça Filho – Deputado federal (DEM-PE)

“Para abrir um processo no Congresso, basta você ter o cheiro, não a prova concreta. A noção de decoro, que é política, não se confunde com a condenação judicial. Mas claro que a acusação tem que ser fundada, não pode ser uma coisa fútil. Não se tira um mandato popular sem razões fortes para isso”.

Aloysio Nunes – Senador (PSDB-SP).

Voltando ao cocho maior, caso da votação da proposta sobre a redução da meta de superávit primário 2014, os governistas, com a cara suja de farelo, contam com a vitória amanhã, terça-feira, 02, quando o tema começará a ser votado a partir as 12:00 horas em sessão aberta. Porém, o governo ainda guarda fôlego até 22 de dezembro, prazo limite de entrada do Congresso em recesso constitucional – isso se não ficar nada resolvido na sessão de amanhã. Aprovar a proposta do governo é o mesmo que alterar a LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias com graves consequências para o país. Estados e municípios terão a seu favor jurisprudência firmada; governadores e prefeitos sentir-se-ão no direito de descumprir também as suas metas. O efeito cascata trará prejuízos irrecuperáveis para o país; imaginemos todos dentro do mesmo navio perdido no oceano em meio a uma tempestade com raios não intermitentes. Agora, se o Congresso não aprovar a redução da meta de superávit primário dentro da LDO, a presidente Dilma Rousseff será acusada de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e responderá por crime de responsabilidade, podendo até perder o mandato. Aguardemos. O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar os juros da sua dívida interna; como juros de BC, Tesouro e INSS, que já são piores desde 2002, portanto, em toda a gestão do PT no governo. Falta humildade à Dilma para reconhecer que o seu governo errou, e feio. Quem acha que ela ainda possa vir em rede nacional para dizer “menti companheiros, foi mal”, pode tirar o equino da precipitação pluviométrica, ou melhor, da tempestade oceânica.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Farelo aos porcos – 2ª parte

  1. Paciência é o que o brasileiro mais tem com os políticos,agora resta esperar pelo desfecho de tudo isso. Vamos torcer para que esses mesmos políticos tenham bom senso.Tomara que não troquem ALHOS por BUGALHOS!!!

    Publicado por Nair Santos | 01/12/2014, 23:43

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