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Política

Fundo do poço

1Chegamos ao fundo do poço, ou melhor, caímos, e para sair dele precisamos de ajuda, não de uma simples ajuda, de alguém que corre com uma corda rota na mão para nos puxar de lá. Nesse caso, o socorro tem que ser dado por equipes especializadas em resgates difíceis e vir acompanhado de planos de ações emergenciais, caso contrário, estamos condenados a ficar onde estamos e não sair nunca mais. A Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal no dia 17 de março deste ano, foi o grito de que precisamos para chamar a atenção, nosso pedido de súplica, nossa oração rogativa. A Polícia Federal, em trabalho conjunto com o Ministério Público Federal, desmantelou um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, no primeiro levantamento, teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões, cujo valor pode ser bem maior no final das investigações, e tudo indica que será. Uma vez investigado um grupo formado por “especialistas” em mercado clandestino de câmbio, a nossa maior empresa estatal foi colocada no olho do furacão da Operação Lava-Jato. Diretores da Petrobras, ex-diretores, executivos de empreiteiras, Partidos Políticos, políticos, entre outros criminosos, foram apontados como participantes no mega esquema de propinas, cujas provas já colhidas até agora pela PF e pelo MPF nas sete fases do processo do Petrolão não deixam quaisquer margens de dúvidas – dependendo de qual margem os investigados estejam, o rio tanto corre no sentido da direita quanto no sentido da esquerda.

O governo federal vem jogando sistematicamente pó de arroz no caso Petrolão, talvez inspirado na torcida do Fluminense em dia de jogo decisivo. Contratos firmados entre a Petrobras e as empreiteiras tinham um objetivo formal (cláusula pétrea), subtrair recursos públicos para a quadrilha se locupletar. Os advogados de defesa dos futuros réus do Petrolão terão que mudar as suas estratégias, sobretudo quando forem à tribuna do STF defender os políticos com foro privilegiado. E por falar nisso, determinados advogados que defenderam alguns dos réus do Mensalão estão advogando para “presos suspeitos” de participarem do Petrolão – foi o caso do advogado Marcelo Leonardo, que defendeu o empresário Marcos Valério; ele foi entrevistado na tarde de ontem em frente ao prédio da Polícia Federal de Curitiba, Paraná. Não dá mais para engolir que o dinheiro desviado dos cofres da Petrobras tinha como destino a formação tão somente de Caixa 2 de campanhas políticas – mentira pura; esse dinheiro serviu para o enriquecimento ilícito de todos os cúmplices do esquema fraudulento. Boa parte da dinheirama roubada foi enviada para paraísos fiscais, serviu para a compra de imóveis, carros de luxo, jóias, obras de arte e outros bens valiosos. Argumentos esfarrapados, desprovidos de lógica, sem coerência alguma, certamente serão usados pelo PT, pelo partido que detém o poder da República e que está à frente do esquema espúrio. A nossa opinião jamais pode ser transformada em frangalhos, por isso, contamos com a clara divulgação dos fatos e a imprensa tem grande responsabilidade na imparcialidade em dá-los.

A última sexta-feira, para as pessoas presas na Operação Lava-Jato, foi dia 13, e não dia 14 conforme calendário. Na 7ª fase da Operação Lava-Jato, agentes da Polícia Federal cumpriram 23 dos 25 mandados de prisão e levaram para a cadeia 23 pessoas investigadas e com fortes suspeitas de envolvimento nos desvios da Petrobras. Foram 06 prisões preventivas e 17 prisões temporárias. Continuam foragidos Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA), subordinado de Alberto Youssef, “mula” transportadora das propinas, e Fernando Antonio Falcão Soares, o “Fernando Baiano”, lobista e operador do PMDB. A Polícia Federal está fazendo diligências na tentativa de localizá-los e prendê-los. Os nomes de Adarico Negromonte e de Fernando Baiano estão registrados na lista de “Alerta Vermelho” da Interpol. Com a captura dos dois, e após uma boa sessão de conselhos, muita coisa poderá ser revelada na Operação Lava Jato, cujas peças do quebra-cabeça começam a se encaixar. Na tarde de ontem, terça-feira, 18, o lobista Fernando Baiano se apresentou espontaneamente à Polícia Federal, sede em Curitiba; ele será ouvido na tarde de hoje.

Ouvido nesta segunda-feira, 17, pela Polícia Federal, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, engenheiro Renato de Souza Duque, negou todas as denúncias sobre o esquema de propinas na estatal. A meu sentir, a sua negação é a prova cabal de confissão de culpa. O PT nunca reconheceu a existência do Mensalão – os nazistas jamais admitiram o Holocausto. Esperar que o canalha, o pulha do petista Renato Duque fosse confessar de livre vontade alguma coisa contra o PT, convenhamos, é pura inocência. Cabe à PF e ao MPF reunir as provas que o incriminem diretamente. Renato de Souza Duque trabalhou na Petrobras por mais de 30 anos e foi indicado pelo ex-ministro José Dirceu (réu condenado no Mensalão) para a Diretoria de Serviços, ‘cargo de confiança’ que ocupou entre 2003 e 2012, ou seja, nos governos de Lula e Dilma Rousseff – esses dois também não sabem de nada, nunca ouviram nada, nunca viram nada e só abrem a boca para culpar os outros. A sociedade civil exige profunda investigação.

Fez oito meses, na segunda-feira, 17, que a Operação Lava-Jato foi deflagrada. A presidente Dilma Rousseff vem dando uma de “santinha” e cumpridora das suas obrigações constitucionais quando vem a público informar que é de sua iniciativa, e mando, todo o trabalho que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal vêm desenvolvendo para esclarecer o escândalo do Petrolão. “As investigações da Operação Lava-Jato criaram uma oportunidade para coibir a impunidade no país” – disse Dilma Rousseff a um jornalista. Então que ela comece a dizer tudo o que sabe a respeito do maior escândalo de corrupção da história deste país, enquanto não surgir outro. Dilma Rousseff canta aos mil ventos que a PF e o MPF estão investigando, e não engavetando as denúncias, porque o governo deu o aval decisivo. Nós não somos ingênuos a ponto de acreditar nesse conto do vigário. A PF e o MPF são órgãos que operam independentemente de vontades, sobretudo oriundas do governo, de Partidos Políticos, de políticos ou de quem quer que seja. Espero que no nono mês de gestação, 17 de dezembro, a Operação Lava-Jato faça o parto dos filhos legítimos da corrupção, que nasçam saudáveis e que sejam oferecidos à luz do dia para a saudação de todos.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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