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Política

Manifestações da República

1Sábado, 15 de novembro de 2014, foi um dia comemorativo aos 125 anos da Proclamação da República Brasileira. Os bons alunos de História sabem que o evento foi um levante político-militar ocorrido no dia 15 de novembro de 1889 e, a partir dele, foi instaurada no país a forma “Republicana Federativa Presidencialista”, até hoje a modalidade de governo no Brasil. Com a derrubada da “Monarquia Constitucional Parlamentarista do Império do Brasil” foi oficialmente proclamada a República Federativa do Brasil, desse modo, o imperador D. Pedro II perdeu a soberania. O Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, comandando um grupo de militares do Exército Brasileiro, destituiu “Pedro II do Brasil” do seu posto de soberano de Estado Monárquico, assumindo o poder como primeiro presidente republicano do Brasil. O ato se deu na Praça da Aclamação, hoje conhecida Praça da República, localizada na região central da cidade do Rio de Janeiro, à época capital do Império do Brasil. Pensando bem, 125 anos não representam muito tempo; se a minha avó por parte de mãe, a portuguesa Thomázia de Jesus Ferreira, fosse viva ela teria um pouco mais de idade do que o nosso tempo de República. Eu convivi com ela durante 22 anos; num piscar de olhos passaram-se duas gerações, a dela e a de minha mãe. De fato, o tempo passou muito rápido, mas, com velocidade suficiente para percebermos que muita coisa aconteceu no Brasil – e até eu morrer acontecerá muito mais.

A situação política que vive o Brasil hoje está legitimando as manifestações populares que vêm tomando conta de várias capitais. As comemorações dedicadas aos 125 anos da Proclamação da República Brasileira, se acontecessem, seriam ofuscadas pelos protestos de sábado em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba. “Fora PT”, “Dilma e Lula sabiam do Petrolão”, “Impeachment já”, “Fora Dilma”, “Estelionato Eleitoral nunca mais”, foram algumas das muitas mensagens expostas em faixas, cartazes e camisetas. No dia 1º de novembro as manifestações aconteceram pela primeira vez após o 2º Turno das Eleições (26/10), dia 15 foi a segunda vez – milhares de pessoas estão aderindo cada vez mais aos movimentos e a tendência é que criem corpo, na medida em que o governo federal fique emparedado pelos escândalos de corrupção na Petrobras, na medida em que a presidente Dilma Rousseff demonstre problemas de governabilidade, na medida em que haja risco de corrosão do Estado Democrático de Direito. Por muito menos o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca mandou o segundo e último monarca do Império do Brasil, o ‘Magnânimo’ Dom Pedro II, de volta para a Europa, e assim morrer em paz na cidade de Paris no dia 05 de dezembro de 1891, deixando menos habitada a “Casa de Bragança”.

“Não concordo com o teor dos atos por impeachment. […] O Brasil não se abala por um escândalo. Nós temos hoje uma opção democrática consolidada. Não somos um país que se chegou ontem à democracia. Eu não concordo com o teor das manifestações, mas com a manifestação em si eu nada tenho contra ou a favor. […] O Brasil tem espaço para a manifestação que for mesmo uma que signifique a volta do golpe. Porque somos hoje de fato um país democrático. […] Reconhecer isso é entender que faz parte da nossa história seremos capazes de tolerar inclusive as manifestações mais extremadas. Um país democrático absorve e processa até propostas mais intolerantes. O Brasil tem essa capacidade de absorver e processar. […] Eu acho que isso (investigações da Lava Jato) pode mudar, de fato, o Brasil para sempre. Em que sentido? No sentido de que vai se acabar com a impunidade. Nem todos, aliás, a maioria absoluta dos membros da Petrobras, os funcionários, não é corrupta. Agora, têm pessoas que praticaram atos de corrupção dentro da Petrobras” – afirmou Dilma Rousseff numa entrevista após o encerramento da reunião de cúpula das 20 maiores economias do mundo, o G-20, no último domingo, 16 de novembro, na cidade australiana de Brisbane, que sediou o encontro.

Para quem faliu uma lojinha de R$ 1,99 a presidente Dilma Rousseff está bem preparada para discutir com o G-20 temas relacionados ao setor de energia, às reformas da “arquitetura financeira mundial”, assuntos relacionados à esfera fiscal internacional. O discurso de Dilma Rousseff foi marcado pela mesma retórica, que pode ser observada neste trecho: “Infelizmente o quadro econômico mundial não avançou muito desde julho último. Chegamos ao final de 2014 vendo frustradas nossas expectativas iniciais de recuperação da economia mundial. Em meio às dificuldades da conjuntura internacional, foi fundamental que, em nosso último encontro, em Fortaleza, no Brasil, tivéssemos aprovado a criação de dois importantes instrumentos – o Banco de Desenvolvimento dos Brics e o Acordo Contingente de Reservas -, para potencializar nossa atuação econômica e financeira. A partir de agora, vamos dar mais um passo na consolidação desses mecanismos. Amigos e líderes. Desde a nossa última reunião em Fortaleza, a situação da economia mundial, infelizmente, pouco avançou. Os países avançados não conseguiram uma recuperação consistente e o comércio internacional não cresce o suficiente para estimular os países emergentes. […] Pelo contrário, estamos assistindo a uma queda do preço das commodities, que sinaliza o enfraquecimento da economia internacional e vai comprometer a renda e o crescimento de alguns emergentes”. A incompetência de Dilma Rousseff na gestão da Coisa Pública é sempre disfarçada na tentativa de atribuir a culpabilidade dos problemas brasileiros às crises internacionais – o mundo leva a culpa da nossa falta de governabilidade e mazelas tupiniquins. O Congresso Nacional deve questionar a criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics e a modalidade de participação do Brasil nesse organismo financeiro internacional, de modo que isso pode ser terrível para a recuperação da nossa combalida economia.

Eu sempre falei que Lula só falava bem quando estava calado. À Dilma Rousseff também posso dizer a mesma coisa. Disse ela: “Eu não concordo com o teor das manifestações, mas com a manifestação em si eu nada tenho contra ou a favor”. Brincadeira. A presidente Dilma Rousseff perdeu a sabedoria – na verdade, ela não poderia perder algo que nunca teve. Ora, se ela não tem nada contra ou a favor das manifestações, então, que as deixe acontecer. Ora, se ela não concorda com aquilo que é protestado, então é contra. Manifestação sem teor não é manifestação. Se não há algo para reclamarmos, então fiquemos em casa. Na cabeça de Dilma, quem deveria ter sido alvo dos protestos era outra pessoa; sei lá, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), candidato à presidência da Câmara em 2015, por exemplo. Ou, a suposta “crise internacional” deveria também estar no escopo dos protestos. Dilma Rousseff é uma eterna dissimulada – teve bons professores. O alvo principal das manifestações é ela, e continuará sendo até que tudo se esclareça.

Só para refrescar a cabeça da presidente da Copa & Cozinha Dilma Rousseff: Manifestação sempre foi uma forma de ação legal, na qual, grupos sociais se agrupam para protestar contra aquilo que consideram errado, sobretudo com relação a decisões de governo que contrariem o interesse público; pessoas que se juntam em favor de uma causa que consideram justa, que acreditam. Portanto, qualquer manifestação é uma forma de “ativismo”, seja ele social, político, econômico, religioso, etc. Ainda que as manifestações sejam silenciosas, pelo imposto “uso obrigatório” de mordaça, as passeatas serão convenientemente decoradas com faixas, cartazes, distintivos, e até roupas, fazendo menção a palavras de ordem – isso só não será possível se o governo confiscar todas as “peças de publicidade” e ordenar a sua incineração na véspera dos protestos, ou, na pior das hipóteses, durante.

A mídia continua errando na dose e no conteúdo. Sobre as manifestações do dia 15, notícia relâmpago foi dada no JORNAL da BAND, edição das 19h20min. O âncora falou que a manifestação de São Paulo (Avenida Paulista) reuniu cerca de 3.000 pessoas e também diminuiu consideravelmente o público que participou de idênticos atos em outras capitais brasileiras. Por quê? Pedirei ao Ricardo Boechat que corrija as estatísticas, uma vez que em São Paulo o número de manifestantes passou de 40.000. A quem interessa a omissão dos fatos?

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Manifestações da República

  1. Dilma é uma pessoa vazia,cheia de recalques,debochada, que só esta no governo,para tampar buraco. Não é, e nunca foi uma boa oradora, assim como confessou no jô soares, que se enxergasse direito teria ficado mais nas farc. Que sentimento tem uma pessoa assim? o que pode querer para o povo a não ser desprezo e dinheiro.Pena que não temos um Deodoro da Fonseca para abdica-la do seu trono. Qto as passeatas elas são válidas qdo se tem motivos tão vergonhosos como estes que estamos passando. Nossos irmãos latinos que são muito patriotas, sabem fazer manifestações, temos que aprender com eles. Pena que comemoramos o 15 de novembro com um céu escuro de corrupção, oxalá conseguiremos limpar essa barbárie.Foco e força ao povo brasileiro.

    Publicado por Nair Santos | 18/11/2014, 00:11

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