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Política

2006 x 2014 – Reeleição de Lula x Reeleição de Dilma

1Oito anos se passaram e o “filme eleitoral” foi reprisado para o deleite dos eleitores, que não mudaram de canal ou de cinema nesse período, muito pelo contrário, ficaram mais obtusos e sem perspectivas de futuro. Muitos eleitores que não votaram em 2006 votaram em 2014, todavia, esta afirmativa também vale para os pleitos anteriores a 2006. Importante lembrar que no dia 02 de março de 1988, a Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988) aprovou por ampla maioria o “voto facultativo” para menores a partir de 16 anos completos. A emenda, de autoria do deputado federal Hermes Zanetti (PMDB-RS), foi votada por 491 parlamentares, teve o apoio de 355 deputados constituintes, recebeu 98 votos contrários e 38 abstenções. Ficou estabelecido, ainda, que o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de 18 anos e facultativos para os analfabetos e para os maiores de 70 anos. Dois pontos são extremamente questionáveis: 1º. A maturidade política de uma pessoa de 16 anos; 2º. O “voto qualitativo” de um analfabeto, mas que é considerado voto útil pelo TSE. Por essas e outras é que metade do Brasil está amargando uma das piores (talvez a pior) eleições para presidente da República, a de 2014. Provavelmente o excesso de informações tenha provocado uma nova doença nos eleitores brasileiros, ou seja, uma grave “Congestão cerebral”. Vamos assistir, abaixo, à reprise do “filme eleitoral” em duas sessões, deixando de lado as rimas.

Numa terça-feira, 03 de outubro de 2006, eu escrevi:

1º Turno das Eleições 2006 – Coca-Cola na mamadeira

O resultado que saiu das urnas nesse domingo, 1º de outubro de 2006, permite várias leituras. Mais uma vez os institutos de pesquisas fizeram um relativo trabalho – os acertos superaram os erros. A imprevisibilidade também faz parte do jogo eleitoral. Eleitores deixaram para a última hora a sua decisão em quem votar, como de praxe, segundo cultura já arraigada na sociedade brasileira. Essas pessoas, potencialmente indecisas, viram presas fáceis dos que fazem boca-de-urna, seja distribuindo santinhos, ou “cola” já preenchida. Isso tudo sem contar com a tradicional pergunta do vizinho: “Você vai votar em quem?”. Os que permanecem em cima do muro, optam por anular o voto, ou simplesmente votar em branco. Há também os eleitores que fazem isso por falta de intimidade com a urna eletrônica, sentem vergonha em confessar e não pedem ajuda por não confiarem nos outros. Claro. A soma dos votos válidos é mera operação matemática, e isso é inquestionável. A votação em si traz uma “relatividade operacional”, na medida em que a fidelidade ao candidato é dúbia – na hora “H”, o coração do eleitor pode bater mais forte por outro nome, levando-o a mudar de opinião. Aderir à causa do partido político, não quer dizer, necessariamente, tradução em votos reais/úteis e a garantia de vitória da legenda.

Surpresas aconteceram, por isso, acho que o efeito do 1º Turno das Eleições revelou o renascimento de uma variável adormecida: confiança na mudança; ainda que não totalmente. Quantos eleitores votaram por convicção? Quantos acompanharam as tendências das pesquisas? Quantos seguiram opiniões alheias, dando uma de “Maria-vai-com-as-outras”? Quantos eleitores usaram os seus votos como arma de protesto ou de vingança? Aqui no Estado do Espírito Santo, não houve muitas surpresas, senão a discutida reeleição do deputado estadual envolvido no “Mensalão capixaba”, Luiz Carlos Moreira (PMDB), que foi cassado no final do seu mandato (2003/2006) por veredito do TSE. Com cara de ovelha tosquiada ficou Nilton Baiano (PP), talvez o maior perdedor. As sanguessugas Feu Rosa (PP), Marcelino Fraga (PMDB) e José Carlos da Fonseca Júnior (PSDB), ficaram a ver navios. O ex-deputado federal, Marcus Vicente, cansou o eleitorado, porque fez pouco. No cenário Nacional, o voto debochado garantiu a Clodovil Hernandes (PTC) desfilar de salto alto na passarela da Câmara Federal, e ao cantor Frank Aguiar (PTB) vociferar na tribuna da mesma Casa de Leis. Paulo Maluf (PP) volta ao Congresso aclamado por um número impressionante de doidivanas. Os figurões petistas João Paulo Cunha, José Genoíno e Antônio Palocci retornam à cena do crime, pelos votos de beócios. Mesmo por mal, quando se fala demasiadamente no nome de um político, fatalmente ele será lembrado no dia das eleições, no momento de apertar a tecla “CONFIRMA” – o subconsciente se manifesta em frações de segundos conforme o volume da carga de mensagens subliminares absorvidas (vide o Recall).

Por sua vez, a percepção das pessoas é construída a partir de observações extremas. Em geral, o cidadão comum não é notado – embora honesto, na política não tem vez. Muitos dos que votaram no ex-presidente Collor (para Senador), na época do seu impeachment há 14 anos, eram apenas crianças, e nada como o tempo para apagar os registros históricos, ou criar níveis de desinteresse. Algumas células cancerosas reaparecem no corpo da política – o bisturi supostamente não foi manejado pelas mãos certas; nesse caso, dos eleitores. O Marketing que induz as mamães a colocarem Coca-Cola na mamadeira dos seus bebês, com o intuito de formar uma nova geração de consumidores fiéis à marca, é o mesmo que leva o eleitor a comprar o produto político, independente da sua data de validade ou estado de conservação. A mensagem fica mais fácil de ser absorvida porquanto os eleitores se renovam com uma velocidade bem maior do que a dos políticos – sobra platéia para os mesmos artistas. Lula cantou de galo antes da hora e caiu do poleiro. É muito provável que faça uso da propaganda do CCAA: “No matter what happens, it was not my fault” – Não importa o que tenha acontecido, não foi minha culpa. Terça-feira, 03 de outubro de 2006.

Numa segunda-feira, 30 de outubro de 2006, eu escrevi:

2º Turno das Eleições 2006 – A Decisão

A propaganda política é uma arma de destruição em massa. O Marketing político comunicou-se pelo contágio – estratagema que decidiu o resultado das urnas no 2º Turno das Eleições ocorrido neste domingo, 29 de outubro de 2006. Mais uma vez, a boçalidade foi explorada com requinte de candura; friamente calculada. A privação voluntária de vergonha é abstinência democrática. Perdemos a capacidade de nos indignar. Para a ignorância da massa, a indulgência e a jaculatória dos vitoriosos. As campanhas dos dois candidatos a presidente da República tiveram alguns tóxicos ingredientes: falsidades, sarcasmos e verdades escamoteadas, que construíram paladinos de papel. Esses esforços conjugados, ou movimentos comuns, só serviram para esfumar a caricatura do eleitor. A incompetência matemática na hora de apresentar resultados dos governos se somou ao produto intelectual resultante da inspiração do momento, e nesse caso, Lula levou vantagem pela performance empolada.

“Lula de novo, com a ignorância do povo”. Do meu livro (não editorado) “Política & Políticos, em quem acreditar?” – escrito entre 2002 e 2003 –, extraio excerto do artigo “Oitavo pecado – mesmice agravada” (segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003); no que diz: “… por incrível que pareça, há quem admita que Lula possa se reeleger em 2006, com facilidade, e ultrapassar os 52,8 milhões de votos conseguidos em outubro de 2002. Não acredito que tamanha sandice tenha partido de algum cientista político, até porque o autor deste pensamento precoce não deveria estar no seu juízo perfeito. Além do mais, na média do julgamento racional, devemos achar que o infeliz assumiu a condição de cavalgadura logo após ter pronunciado a referida aberração”. Acreditava, até então, ser isso impossível, porque até a parvoíce tem limite, mas agora dou as mãos à palmatória, e me rendo submisso a esse infeliz estúpido que previu o futuro.

“Ouro para o rei, e circo para o povo”. Mesmo com toda a corrupção entranhada no Governo federal, a base da pirâmide social não perdeu a confiança no seu presidente da República, no achavascado ‘Lulalá’, reeleito no 2º Turno com 58 milhões de votos (61%), contra 37 milhões conseguidos por Geraldo Alckmin (39%). O fatídico domingo, 29 de outubro de 2006, certa e definitivamente, entrará para a história política brasileira. Um ex-torneiro mecânico venceu pela segunda vez o “canudo de doutorado”, muito embora José Serra venha a reafirmar que “a reeleição de Lula é o segundo estelionato eleitoral depois de Collor”. Sacripantas e outros abandalhados petistas comemoram com soberba. Como o eleitorado de Lula forçou a continuidade do relacionamento por mais quatro anos, uma certeza: os dois beberão café requentado o tempo todo. Moral da conversa: o sabor jamais será o mesmo, ainda que insistam em degustá-lo.

Não foi um acontecimento casual, foi um acidente provocado. O desastre causou a morte da ética pública, da decência parlamentar e da honestidade política. A reeleição de Lula representou um aval popular liberando de vez práticas escusas na condução dos mandatos. De nada adianta mandar recados para os parentes das vítimas. O Brasil está de luto. Os condutores dos veículos dos votos provavelmente estavam entorpecidos pela fluorescência das mensagens políticas colocadas ao longo da estrada eleitoral, e por essa razão, colidiram de frente. Mesmo sentindo-se mal ao volante, os responsáveis pela desgraça foram os únicos que se salvaram. No velório democrático, não são permitidos choros compulsivos, apenas admitidos soluços disfarçados em bocejos inocentes. Como foi dispensada missa de corpo presente, lembrança dos mortos só na missa de 7º dia. Os cadáveres serão exumados para cremação, em noite de lua cheia, antes que ressuscitem e venham assombrar os donos da funerária. Os lobos uivam no Congresso Nacional.

Eu costumo dizer que “para aprender tem que exercitar”. Exercitar não quer dizer, necessariamente, acertar sempre. Para votar bem, com consciência democrática, o povo ainda vai errar muito. A partir do momento que os partidos políticos dos candidatos derrotados no 1º Turno, PSOL, de Heloísa Helena, e PDT, de Cristóvam Buarque, triste e lamentavelmente, posicionaram-se neutros (em cima do muro) com relação ao apoio no 2º Turno, “deram” liberdade aos correligionários eleitores para votarem segundo a sua consciência, ou “vontade própria”. Logo, a tendência mostrou a opção pela esquerda. O PSOL e o PDT não precisavam negar a Cristo três vezes, bastou negar uma só vez ao PSDB para crucificar Geraldo Alckmin. Não sei se a covardia rendeu moedas de ouro, e se rendeu, também desconheço o quantitativo. Na última hipótese, tanto o PSOL quanto o PDT, poderiam, como deveriam, ter ficado com o candidato “menos pior”, que jamais desprezaria expressiva parcela dos 10 milhões de votos. A merda toda é que os apoios políticos sempre foram questionados e a neutralidade mostra o caminho contrário. Cambada de “Filhos da Puta”, com letras maiúsculas.

Se, hoje, o Pelé repetisse a sua bestial frase “O brasileiro não sabe votar”, certamente ele seria execrado pela boiada de eleitores cônscios da burrada assertiva, como clara proposição afirmativa. Caso pensado, cara limpa. Porém, o somatório das imbecilidades provoca prejuízos globais, e todos acabam perdendo de alguma forma. Paradoxalmente, somos clichês estereotípicos do medo. Não aprendemos a apostar no presente; deixamos escapar as oportunidades para a moralização de sistemas. No governo petista, os cofres públicos foram arrombados, e o que se fez nesses quatro anos, foi confeccionar e dar cópias das chaves aos ladrões, que passaram a agir à luz do dia, sem escrúpulos. Tem muita gente boa que gostaria de estar no lugar dos envolvidos para sentir um pouquinho daquela sensação de roubar dinheiro público, dinheiro sem dono. Uma emoção que precisa ser realimentada, por isso, os eleitores “roubam virtualmente” por eles quando reelegem a nata da corrupção sistêmica. O “Projeto de Poder” do PT ampara-se na cegueira e na negligência do povo, arrestando-lhe a boa-fé. Ele, o povo, não mudou, não mudará tão cedo.

O PSDB preferiu assegurar o governo de São Paulo com José Serra, praticamente um candidato invencível, e indicou Geraldo Alckmin para disputar a presidência da República, já sabendo de antemão que Lula seria páreo duríssimo, portanto, favorito na bolsa de apostas, perdão, de votos. Alckmin surpreendeu e é uma referência nacional. Sem correr riscos, o PSDB saiu ganhando o maior colégio eleitoral do país – terreno fértil para plantar as suas pretensões políticas com vistas à colheita de 2010. Verdade é que a oposição não tinha no seu quadro político nomes à altura da disputa presidencial. A militância do PSDB foi pálida em toda a campanha, talvez acuada pelas passeatas petistas, que mais pareciam fanfarras da bestialidade assistida, formadas por fanáticos sequazes, por tresloucados barulhentos. Quando vieram alugar os meus ouvidos, na fugaz tentativa de me convencer a adorar um “Messias” que perdoa salteadores, toquei um “foda-se solene”. Ser cúmplice dessa súcia é torcer contra o Brasil.

O sistema subversivo dominante nem precisou se dar ao trabalho de subestimar o povão na sua inteligência. Neste país das permissividades, raivosos cães de fila montam guarda, enquanto intenções angelicais constroem um novo inferno de poder absoluto. O populismo estatizante do PT vem desmoralizando o processo democrático, e a cada dia materializando o retrocesso institucional. Vivemos a síndrome do “lulismo teísta”. Lula, um ser idolatrado, nos convenceu que a utopia da libertação não passa do reflexo da nossa estupidez. O colunista Arnaldo Jabor acertou no alvo: “Os ladrões desse governo roubam de testa erguida, como em uma ‘ação revolucionária’. Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro”. Roubam para que Lula continue arrancando pedras preciosas da sua coroa para dá-las ao PMDB, e a supostos aliados, em troca de apoio político dentro de um Congresso fétido. E quando acabarem as pedras? E quando o Deus-Diabo Lula morrer?

No sábado, 21/10/2006, Lula fez um comício na Boca Maldita, centro de Curitiba (PR), e vociferou: “Eles sabem que não roubo e nem roubei”. Até pode ser. O Ali Babá tinha mãos limpas. Os 40 ladrões roubavam a mando dele. George W. Bush não é assassino. Ele pessoalmente não matou nenhum iraquiano. Foram as suas forças armadas que, fria e covardemente, dizimaram centenas de milhares iraquianos inocentes. Lulaéreo pode perfeitamente acabar se vitimando pela linguagem. A partir do presidente Lula, o Brasil deu início à produção de “políticos transgênicos”, aproveitando a excepcional safra de analfabetos: 16 milhões. Retiremos o filhote de equino da perturbação pluviométrica, ou melhor, “tiremos o cavalinho da chuva”, porque não há políticas públicas para acabar ou minimizar este quadro horrendo. A roubalheira é tanta que estão comendo até o bagaço da laranja. Não podemos errar na voz e nem no tom, por isso, repito com veemência: “Este é o retrato de um país que ainda não aprendeu a apostar no presente; os políticos só sabem falar do passado, que não soma, e do futuro, que nunca chega”.

O cenário político que se desenha é mais do que oportuno para a volta da inflação, para a desordem e o atraso, para a reedição das crises de governo. Os problemas de Lula serão agravados no segundo mandato – começar eles já começaram. Para a garantia do mínimo de governabilidade, o presidente da “massa falida”, perdão, dos pobres, ainda tem algumas portas de saída, ou opções metafóricas: trocar figurinhas com os, segundo ele, 300 picaretas (alguns novos) que habitarão o Congresso Nacional para a legislatura 2007/2010; agir como Getúlio Vargas, como Jânio Quadros, ou mesmo como algum dos presidentes militares. Acredito que Lula não vá se inspirar no Clodovil. Mas, para obter a maioria nas Casas de Leis, é recomendável uma parceria com a figura do Paulo Maluf, deixando com ele a administração de questões como Mensalão, Máfia dos vampiros, Sanguessugas, Dossiês, enfim, qualquer esquema de falcatruas oficiais – Ok, dos roubos em escala geométrica.

Virá a primeira reforma ministerial do segundo mandato. Com ela, pás de cal serão depositadas sobre defuntos vivos que, obviamente, livrar-se-ão dos procedimentos de autópsia. O Partido dos Trabalhadores, o partido da estrela não solitária, tomou o Estado Brasileiro de assalto, tornando-o paraplégico. O prometido crescimento sustentável não acontecerá. A falta de investimentos em infra-estrutura já colocou o desenvolvimento do país numa cápsula de congelamento. A economia entrará em queda livre, impulsionada por correntes de ventos contrários, perdão, incompetentes. Previsões sombrias dão conta que o ano de 2006 fechará nos mesmos moldes de 2005: o Brasil não crescerá 3%; entre os paises da América Latina, superará apenas o Haiti. A propalada reforma política e administrativa esbarrará no paredão das conveniências. De pronto, outras demolições terão consentimento do chefe da obra. Haverá tentativa de controle da mídia (Lei da mordaça no forno). Os gastos públicos permanecerão descontrolados para que a máquina governamental funcione de acordo interesses paralelos. A quadrilha petista também se especializará no roubo da esperança do povo. O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, continuará comandando a “SS” petista, e ditando, pela força das armas, o destino do partidão. Se não sofrer o processo de impeachment, Lula fará de Collor o seu sucessor em 2010. Políticos da mesma laia se entendem. Não pretendo pagar pra ver.

O Brasil precisa voltar a crescer e resgatar valores éticos. Deus permita que não surja outro maluco propondo fundar uma empresa chamada Brasil S/A, e colocar as suas ações à venda nas bolsas internacionais. Brincadeiras sérias à parte, não sabemos o que mais nos espera. O Brasil precisa urgente de um choque de gestão. Uma das saídas seria normatizar procedimentos em todas as esferas governamentais, visando à busca da qualidade e da eficácia dos serviços públicos e afins, objetivando a profissionalização da máquina estatal. A maioria dos homens públicos, infelizmente, não veste a camisa da decência e do compromisso com o destino da nação. Somente em longo prazo – não será na minha geração – que o povo brasileiro voltará a se orgulhar do seu país.

Tudo perpassa pela reforma político-partidária – e que esta seja tão profunda quanto necessária. Sem isso o Brasil não caminhará rumo ao desenvolvimento. Urge repensar o atual modelo de representatividade do Estado Brasileiro; ampliar os mecanismos de acompanhamento e cobrança dos atos públicos; estimular a ação participativa da sociedade civil nos programas governamentais em paralelo ao Congresso Nacional. Que a saia larga da Justiça não sirva para abrigar os políticos corruptos e envolvidos em ações criminosas. Questões como imunidade parlamentar; foro privilegiado; alternativa da renúncia para o político não ser cassado, e consequentemente não perder os direitos políticos, devem ter o tratamento adequado. Uma vez definidos os assentos no Congresso Nacional, antes da ratificação das alianças, os políticos partirão para a discussão prioritária das propostas de aumento dos próprios salários e verbas de gabinete, além de outras mordomias básicas, cujo vigor presume-se entrar a partir de 1º de janeiro de 2007. Vamos ter que botar a mão no bolso novamente para sustentar essa quase nova safra de um novo bicho conhecido pelo sugestivo nome “Rapogalinag” – uma fina mistura de raposa, galinha e águia. De nada adianta sacudir os ombros agora, ou dizer “bem-feito”, porque meter o dedo na urna eletrônica, só daqui a quatro anos. Tudo como antes, no quartel de Abrantes.

Imagina, Lula sendo reeleito sob a bandeira da suspeita e do descrédito. Não, um dia a ficha vai cair. Muitas perguntas que ficaram sem resposta no caso do fajuto Dossiê Vedoin, montado para incriminar políticos do PSDB na máfia das ambulâncias, encobriram o Governo federal com uma nuvem cinzenta, e dia menos dia, desabará sobre Brasília um dilúvio sem precedentes. O PT está providenciando barricadas de última hora. Deixar para após o 2º Turno das Eleições o desvendamento desse crime, sobretudo a verdadeira origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão), no mínimo, é brincar com a inteligência do povo brasileiro. Ou o “desconfiômetro” do PT falhou, ou estava desligado. A opinião pública, outra vez, foi achincalhada, e isso, com certeza, tem o revés da moeda. Percebe-se um drama de consciências. Pessoas em constantes atritos ideológicos não conseguem descansar. Memórias póstumas de um Brasil sem Leis.

As ações sociais do governo Lula estão tão bem pintadas com as cores da normalidade que os miseráveis acreditam que entraram na classe média. O programa Bolsa Família, que dá sustentabilidade à candidatura de Lula, ampliou ação um mês antes do início da campanha eleitoral – em todo o Brasil, no mês de junho, foram incluídas 1.784.624 novas famílias. Isto é ou não é compra oficial de votos? O seu efeito multiplicador é incalculável. Em algumas regiões o aumento da média mensal na distribuição dos cartões foi superior a 50%. O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias pobres com renda mensal por pessoa de até R$ 120,00. A esmola de R$ 50,00 (cinquenta reais), subliminarmente, impõe subserviência, denota política assistencialista e destrói a dignidade do cidadão. O povo brasileiro não quer caridade; quer oportunidade e emprego, para participar diretamente, como agente e não como objeto, da reconstrução de um Estado novo, da ordem e do progresso, e do desenvolvimento sustentável do seu país, tornando-o forte e respeitado na comunidade internacional. Lula esquece, de repente, que o flagelado brasileiro tem uma enorme capacidade para se recuperar como o rabo de uma lagartixa – eu disse isso em outro artigo. É por isso que os governantes ficam o tempo todo pisando nele, no rabo. Bonhoeffer tinha razão quando disse: “O mundo toma logo outro aspecto quando o estômago está satisfeito”.

A autoconfiança exacerbada dos governantes populistas, num dia qualquer gerará frustração multiplicada no povo dominado. Enquanto isso, no cinema Brasil entrarão em cartaz os filmes: “A volta do que não foi”“Naufrágio em terra firme”“A saga da burrice anônima”“Juro que eu não sabia de nada, companheiro”“A esquerda sem dedo”“Palhaços sem rosto”“Os filhos órfãos do patriotismo” – “Se gritar pega ladrão, eu fico”. Sucesso de bilheteria. A pipoca já está comprada. Segunda-feira, 30 de outubro de 2006.

Augusto Avlis

Nota de rodapé: Em termos eleitorais, os anos de 2006 e 2014 entraram para os anais da nossa história política; melhor dizendo, “entraram ânus adentro”, independente da redundância, e jamais sairão de cartaz – e o gênero mantido, “Sacanagem Explícita”.

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “2006 x 2014 – Reeleição de Lula x Reeleição de Dilma

  1. É pelo visto a sacanagem explicita continua, desde a 1ª vez que o lula candidatou-se, eu nunca consegui acreditar em uma única palavra dele, seu olhar frio denotava uma pessoa megalomaniaco pelo poder,invadiu poderes estragados da nossa velha república, aumentou a fúria do ego daqueles que um dia foram banidos da Pátria. Que maior ego poderia ter uma pessoa sem escrúpulos,fazia -se de pobre coitado, mas é uma raposa velha. Agora sua aluna tenta superar o mestre, acabando de vez com a democracia, implantando o comunismo disfarçado, levando o Brasil a banca rota. Era de se esperar, imagina uma pessoa que passa de 4 a 5 anos sentado numa sala de aula, dando duro para ter uma profissão, vem um fulano qualquer sem experiencia, e começa a achar que sabe mais do que aquele que estudou, vc confiaria nesse prático? ou naquele que dedicou seu tempo para ser alguém capacitado? e assim são os eleitores que preferem ir a uma farmácia, do que ir para um especialista no assunto!!
    Será que vamos ser curado, algum dia? Deram corda demais e agora não conseguem mais puxá-la!!! Que Deus nos ilumine.

    Publicado por Nair Santos | 11/11/2014, 01:29

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