>
Você está lendo...
Política

U,U,U, Dilma comunista, vai tomar no CU!

1Em tempo real, eu estava lá, na Avenida Paulista (SP), naquela tarde de sábado, no meio da multidão pacífica, convocada pelas redes sociais para protestar contra a reeleição da petista presidente Dilma Rousseff, para pedir o seu impeachment e implorar a volta dos militares ao poder da República. O dia 01 de novembro de 2014 era pra ser dedicado à solenidade do “Dia de todos os Santos”, para celebrar os mártires religiosos, conhecidos e desconhecidos, que deram a vida por uma causa reconhecida pela religião cristã. Durante a manifestação nenhum nome de santo foi pronunciado, quem pensou em algum nome resolveu guardá-lo para as orações do dia seguinte, 02, dedicado aos mortos. Entre outros, se ouvia em bom tom o grito U,U,U, Dilma comunista, vai tomar no CU!. Virou moda. Um grito de guerra não compatível para o “Dia de todos os Santos”, mas que expressou o sentimento de revolta das pessoas – um grito preso na garganta, um desabafo que milhões de brasileiros gostariam de ter. A imprensa também está dividida, cada veículo deu a sua versão, sobretudo a respeito do número de participantes na manifestação paulista – 1000, 2500, 10.000, 20.000 pessoas. A verdade é que tinha muita gente na Avenida Paulista e no entorno; pessoas de vários matizes, credos e níveis sócio-culturais. Para não perder a oportunidade, simpatizantes do PT deram o ar da graça, não só nas janelas dos prédios como em grupos isolados nas esquinas, torcendo para que algo desse errado, que os santos mandassem chuva forte.

 2Os meios de comunicação divulgaram pouco o evento, notícias foram dadas em espaços diminutos, salvo nas redes sociais onde a repercussão foi bem maior. Centenas de cartazes e faixas com palavras de ordem coloriram a manifestação – “Imprensa livre”, “SOS Forças Armadas”, “Intervenção militar já”, “O PT é o câncer do Brasil”, “Fora Dilma”, “Eleições, maior fraude da história”, “Pé na bunda dela, o Brasil não é a Venezuela”. Discursos inflamados no carro de som ecoaram por todos os cantos (trechos): “É inegável que o PT constrói uma ditadura no país”, “Se você acha que democracia é isso que temos aqui, então sou a favor da volta do militarismo”, “Ele (Jair Bolsonaro) teria fuzilado Dilma Rousseff se fosse candidato este ano. Ele tem vontade de ser candidato mesmo que tenha de mudar de partido”. “O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, José Dias Toffoli, é um estagiário do PT”, “Eu voto no Marcola (um dos chefes da facção criminosa PCC), mas não voto na Dilma, porque pelo menos o Marcola tem palavra”, “Vai para Cuba”. Artistas, cantores, autoridades e afins juntaram-se à massa, e como massa que se transformaram, prefiro não citá-los, porém, alguns Blogs oficiais não abrem mão de divulgar os seus nomes com o objetivo de criar “situações” desagradáveis. Outros atos anti-Dilma aconteceram em algumas cidades do Brasil, como em Belo Horizonte (MG), onde cerca de 400 manifestantes se concentraram na Praça Sete, também na tarde de sábado, 01, e depois seguiram pacificamente em caminhada pela Avenida Afonso Pena, uma das principais da capital mineira, até a sede da Prefeitura de BH, gritando palavras de ordem e frases contra a presidente Dilma Rousseff, reeleita no 2º Turno das Eleições ocorrido em 26 de outubro passado.

Tenho por hábito deixar a primeira onda passar para depois surfar na segunda. É prudente. Sob clima de tensão e no calor das emoções há sempre o risco de a gente falar o que não deve, mas que gostaria; escrever então aumentaria o perigo. As manifestações “Fora Dilma” aconteceram no sábado, dia 01, portanto, há quatro dias, tempo suficiente para refletir um pouco e se acalmar. Não é tarefa fácil porque a agenda 2015 será totalmente diferente dos discursos de campanha – a realidade já se revela assustadora: aumento dos combustíveis, da conta de energia elétrica, mais inflação, menos consumo, menor crescimento; mais lenha na fogueira, mais desconforto, ânimos acirrados. Vamos aguardar. Sabe-se que artistas, cantores, autoridades e afins juntaram-se à massa de manifestantes, e nela se transformaram, por isso, prefiro não citá-los para não correr o risco de esquecer alguém em especial. Um nome não passou despercebido pelo Brasil, foi o cantor Lobão, que além da bandeira do Brasil que carregava nos ombros, segurava um barril de pólvora. Segundo ele, a recontagem dos votos válidos das Eleições para presidente (105.542.273) é necessária para acabar com a dúvida da existência de fraude na apuração geral pelo TSE, coisa já descartada pelo tucano Aécio Neves, que também afastou qualquer possibilidade de defender movimentos pró-militares. Depende. “Não tem ninguém aqui golpista”, gritou Lobão.

O vão livre do MASP (Museu de Arte de São Paulo) foi escolhido como ponto de reunião dos manifestantes. Era pouco mais de 16h00min quando os manifestantes deixaram a Avenida Paulista e seguiram pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio em direção ao Parque Ibirapuera. Ao contrário das manifestações promovidas pelo Partido dos Trabalhadores, nas quais as bandeiras vermelhas formam um verdadeiro “rio de sangue”, nas manifestações de sábado via-se um número bastante considerável de bandeiras do Brasil e dos Estados onde ocorreram. As manifestações pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a intervenção militar em função da crise de governabilidade pela qual passa o país. Importante ressaltar que os protestos nasceram de sentimentos legítimos do povo, surgiram espontaneamente motivados pela indignação de pelo menos metade do Brasil que não se conforma com os desmandos do governo, com a corrupção sistêmica e com o cenário de trevas na política. Dependendo do que ocorrerá daqui pra frente, sobretudo quanto ao tratamento dado ao escândalo do Petrolão, o movimento “Fora Dilma” tenderá a tomar corpo em uma das metades do Brasil, que clama por um governo legítimo, honesto, que trabalhe em prol do desenvolvimento, que não seja corrupto e conivente com os políticos aéticos e sem moral; um governo que efetivamente represente os cidadãos e que respeite a Constituição Brasileira. Toda a luta para a moralização do Brasil não é e não será em vão.

Augusto Avlis

Navegue no Blog  opiniaosemfronteiras.com.br e você encontrará 591 artigos publicados em 14 Categorias. Boa leitura.

Anúncios

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 155 outros seguidores

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: