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Pensamentos

Imaginação Sociológica – 4ª parte

1Os princípios de hierarquia na cadeia sociológica promoveram significativas mudanças nas chamadas “Ordens Sociais” – essas regras fundamentais de conduta criaram novos modelos de representação pelo mundo afora. Na maioria dos casos, as lideranças estabeleceram-se através do emprego da força militar ou política, outras a partir de ações mistas direcionadas e determinados líderes do século XXI querem passar a impressão que as suas “escolhas” deram-se em ambientes livres. Não há o que se discutir no campo democrático, porque ele inexiste na plenitude que se apregoa, de modo que discutíveis são as metodologias e os critérios de comando e subordinação empregados por grupos obstinados com e pelo poder. A humanidade do passado experimentou os extremos, enquanto a humanidade sobrevivente, que chegou ao terceiro milênio, vive do rescaldo da “incineração social”. Onde está, portanto, a lógica disso? Não há lógica alguma, apenas a tentativa das pessoas em promover em tempo hábil um conjunto de operações no sentido de acabar com o fogo e impedir a sua reignição, o que é pior, sem evacuar as áreas atingidas. A subserviência – servilismo manifestado em todas as atividades humanas –, proveniente de todo esse processo, tem afetado substancialmente a maneira como se vive e as relações interpessoais.

Autonomia se conquista com liberdade. Sem liberdade tornamo-nos inaptos e incompetentes para administrar a nossa própria vida, faltam-nos os meios adequados, perdemos a vontade, negamos os princípios básicos, deixamos de tomar decisões importantes. Todo indivíduo tem a necessidade de se autogovernar segundo modelos comportamentais de moral e ética – padrões pessoais adotados sem interferências de pressões externas que reprimam a sua vontade. A independência da coletividade depende disso. Podemos nos considerar indivíduos livres? Inexoravelmente, estamos presos a valores. A sociedade que conhecemos, e que enxergamos, é formada por elementos de diversas naturezas, culturas e credos, por isso, essa diversidade faz com que dependamos uns dos outros, sobretudo pelo “Status socioeconômico”. Poderíamos afirmar que essa é a essência da evolução humana? Estamos, portanto, ligados aos semelhantes por um cordão umbilical virtual; rompê-lo significa ficar suscetível à natural rejeição. Filosoficamente, “liberdade” pode ser entendida sob dois aspectos, ou seja, tanto positivo quanto negativamente, mas, prefiro compreender a questão levando em conta outra perspectiva, a “liberdade parcial”, de modo que a ausência de submissão soa poética, enquanto o sentimento de liberdade da sociedade, em si, não determina e não qualifica a independência dos seres humanos, porque o egoísmo é desagregador – cada indivíduo pensa nos seus próprios interesses.

Segundo Thiago Pontara “O individualismo foi estimulado pelo capitalismo, que se fortaleceu, ironicamente, após o Iluminismo. Grandes movimentos de revoluções sócio-culturais apoiaram, sem querer, novos déspotas, que aproveitaram a oportunidade da mudança e o desejo de liberdade do povo. Quanto mais distantes uns dos outros, mais dentro de um mundo próprio de sonhos e desejos de consumo, do querer ter mais do que ser, torna os indivíduos mais suscetíveis à dominação”. Nesse sentido, oligarquias corruptas ditam as formas de governar e fazem prevalecer o poderio econômico, alienando pessoas, cometendo crimes contra a ordem pública. As questões públicas, por exemplo, não são resolvidas pela resolução de questões individuais, existe um grande complexo de grupo com os mesmos interesses. Estamos num período de transição; as questões dentro da sociedade são inquietantes. Não foram encontradas, ainda, dentro do contexto sociológico, fórmulas definidas que resolvam por vez esses problemas. Somos regidos, em verdade, por um sistema capitalista e a ele estamos pautados. Torna-se, sobretudo, difícil a formulação de diretrizes ideais provocadoras de mudanças sem que interesses maiores sejam diretamente afetados. A questão central está na indiferença das pessoas, é a falta de preocupação do homem para com o homem. Este não é um discurso de classes.

Temos um bom exemplo nas famílias mais abastadas, que se preocupam desmedidamente com a dieta alimentar enquanto a metade dos habitantes do planeta passa fome sob condições de miséria. Seria uma questão de darmos um grito de alerta? Despertaríamos consciências com esta consciência? Os problemas ocorridos dentro da nossa órbita não são iguais aos problemas dos semelhantes. O homem tenta desvendar outros mundos, quando, na verdade, ele não conhece a terra onde pisa. Assumir que o problema está dentro de cada um de nós não modificará o problema coletivo. As sociedades, desde que formadas, sempre foram classistas – percepções errôneas cultivam conceitos igualmente confusos, de tal modo que somos levados a nos adaptar a padrões advindos de clichês. De um modo geral, os problemas sociais deveriam ter primazia nas discussões? As descobertas científicas e tecnológicas deveriam ter menos importância? A preocupação exacerbada das superpotências em questões de defesa territorial é prioridade no planeta? Como promover um bem maior às sociedades com alocação de recursos primários à subsistência? Na política encontramos parte das respostas, basta querer encontrá-las dentro do holoedro de vontades. A análise compreensiva das Ciências Sociais é imprescindível a qualquer tempo, de modo que a história humana jamais seria escrita nos capítulos que conhecemos e que, de certa forma, inspiram comportamentos estruturados. Ao longo dos séculos, a sede de poder tem cegado o homem, gerando medo nas civilizações e causado graves desestabilizações dos sistemas de governo. Conflitos de toda ordem direcionando rumos, provocando radicais transformações no Modus vivendi dos indivíduos.

É verdadeira a premissa de que quanto mais o homem evolui torna-se mais impessoal, pouco original? Seria esse o preço do progresso? Na verdade, ninguém tem uma só verdade. Aliás, aquele que sente diretamente o problema provavelmente terá reais possibilidades de melhor entendê-lo, porque sofre as consequências; agora, buscar fórmulas de resolução só com uma visão prática do processo. No século XVIII a Sociologia encontrava-se na sua fase embrionária, estava se formando como ciência, de modo que naquela época histórica não fornecia as respostas para determinadas perguntas e certas questões sociais que surgiam naturalmente em decorrência das mudanças verificadas no processo das relações humanas – a Sociologia espelhava-se em outras ciências como a Antropologia e a Filosofia. No entanto, com o passar das décadas, ocorreu o resgate de importantes “conceitos sociais” que até hoje são aplicáveis nos estudos sociológicos, apontando o caminho para o entendimento dos problemas vividos pelos grupos sociais, independentemente da sua extensão e complexidade. Em nossa era é fato a existência de certos modismos determinando, delimitando e delineando as teorias para as chamadas “Ciências Humanas”. Tais linhas não se aplicam às “Ciências Exatas”. No ideário popular isto está bem definido; nele encontramos uma coletânea de ideias sociais, econômicas, políticas, científicas, religiosas, e por aí adiante. Determinadas sensações são abstraídas por indivíduos com um pouco de sensibilidade, que conseguem detectar onde estão as crises. É indispensável se dedicar maior seriedade à compreensão dos problemas que nos são colocados ou apresentados. A capacidade de o indivíduo tomar pleno conhecimento das coisas que estão acontecendo é um denominador comum na atualidade.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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