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Pensamentos

Imaginação Sociológica – 3ª parte

1Possamos nós admitir que o homem esteja se tornando vítima dele próprio? O progresso contínuo, desenfreado, a qualquer custo, pode provocar sufocamento? A decorrência seria o extermínio virtual das massas, em suas diversas camadas sociais? Seria o surgimento de uma nova era dos conflitos agravados e das incertezas no futuro? Estaria o indivíduo se afastando cada vez mais dos valores morais, éticos, deixando de compreender o sentido real da sua época e de sua própria vida? Verdade é que o homem não sabe mais no que acreditar ou em quem acreditar – o jogo está aberto, façam as suas apostas. Há o natural choque de ideologias; surge a crise do existencialismo; aparecem outros tantos subterfúgios, famosos em nossos tempos. Seria a descoberta de um novo estágio do “quem sou eu”? Quem somos nós? Uma repentina sensação de pânico se apodera dos meus pensamentos quando busco as respostas certas para essas perguntas. Os aguardados questionamentos plausíveis continuam ausentes. Será que verdadeiramente nos conhecemos? Séculos de seleção natural separam e ao mesmo tempo unem os homens aos animais. Atributos são divididos com toda a humanidade; sinais inscritos nos códigos genéticos identificados. Os homens são “produtos reagentes” ou cópias de “modelos desestruturados”? Involução? Retrocesso?

As interrogações dão o matiz da realidade aparente – matizes de opiniões seguem essa mesma tendência. Se existisse uma forma padrão para a carne e o espírito, ainda assim daríamos início à busca pelas desigualdades, começo das comparações, que se tornaram inevitáveis – nesse caso a “produção em série” é quebrada pela natural transmutação ou por efeito obrigatório. O corpo cansado deita na terra e a mente repousa no devaneio, os braços não reagem e as pernas vergam. Mudamos de uma forma ou de outra, seja através do desenvolvimento social e tecnológico da civilização, seja em decorrência do desenvolvimento dos sistemas (estruturas organizadas), dos costumes e hábitos. No curso do desenvolvimento humano importantes transformações ocorrem no corpo físico, no modo de vida e, sobretudo, no aspecto comportamental que, a rigor, pode provocar completa mudança no estado emocional ou no caráter do indivíduo, de tal modo que desenvolvimento não é só “transformação de ideias”. A evolução biológica, genética ou orgânica apresenta mudança das características hereditárias de uma sociedade; fenômeno observado de uma geração para outra, que exerce destacada influência na formação dos grupos sociais. A palavra-chave é “aceitabilidade”, a capacidade do homem em aceitar o próximo como se apresenta, como verdadeiramente o é.

Evidentemente que não considero esta minha posição uma “contradita a uma crítica” firmada anteriormente, sobretudo por especialistas na matéria. O homem tem participado intensamente das metamorfoses da sua época, sejam biológicas, psicossociais e físico-culturais processadas no mundo. Ainda que o progresso das sociedades não tenha a mesma velocidade apresentada pelo progresso da ciência, conforme afirmam determinados sociólogos, argumentos contrários reforçam a tese de que a sociedade científica está diretamente inserida na “sociedade comum” e dela depende para os seus experimentos. Posições secundárias serão sempre contestadas, assim como peças de arte não originais. O homem escreve a história do mundo, não resta dúvida sobre essa questão – essa história ele também a constrói. Como ponto pacífico, a Imaginação Sociológica, a meu sentir, é o fruto do momento, o indivíduo também é fruto desse momento. Que sociedade é essa da qual estamos falando? É da sociedade em que estamos inseridos? Da sociedade que apresenta grandes diferenciações nos seus aspectos e origem? Por natureza, o homem é um ser sociológico, talvez por isso não consiga se desvincular do seu meio – ele absorve diretamente todos os efeitos, ainda que não participe de todas as causas, positivas como negativas. Os valores se diferenciam no tempo.

Recuperar o homem dentro de uma sociedade doente e irrecuperável, que apresenta valores deformados na origem, é tarefa bastante difícil. Não obstante, o indivíduo tem livre arbítrio para escolher os caminhos a seguir. Questão de opção. Através do processo de socialização ou de ressocialização podemos apontar as necessidades de mudança, formar consciências e recuperar o homem sem arrancá-lo do seu habitat. O desafio é constante. Ainda não aceitamos a ideia de que somos, cada um de nós, fragmento de um todo, e, uma vez isolados, não representamos absolutamente nada. Oportunamente, como despertar no homem o interesse pelo estudo das Ciências Sociais? É sabido que o homem vive dentro de um processo histórico e, como já dissemos, ele é, ao mesmo tempo, o “agente” e o “objeto” de sua própria história. Conhecido esse aspecto particular, os planos individual e coletivo farão sentido, principalmente porque são indivisíveis, por isso não maculam a ordem natural das coisas. No círculo das relações humanas, cada indivíduo passa várias vezes pelos mesmos pontos. Perturbações ocorrem no âmbito doméstico (pautadas nos valores familiares), então, quando ocorre a falta de equilíbrio, a prática de condutas destoantes dos padrões regulamentares determina níveis comportamentais implicando na mudança de atitudes externas.

Levamos para a rua o que aprendemos em casa. Habitualmente assumimos a condição de algozes dos outros. Reações em cadeia processam-se num vazio absoluto. Por que o homem aprendeu a reagir vigorosamente a uma violência recebida? E quando ele é o autor do ato violento? Nessa perspectiva, urge a necessidade de um estudo mais humanístico do indivíduo no contexto da sociedade e dos grupos em que esteja inserido por contingência. Ainda que o foco muitas das vezes seja dirigido para o campo íntimo, há de se concluir que a melhoria das condições de vida diminui as perturbações de um modo geral. No âmbito mais generalista, podemos dizer, teoricamente, que no país que apregoa a paz, e ao mesmo tempo fomenta a guerra, potencializando a corrida armamentista, as contradições e os antagonismos ocorrem com mais facilidade e constância. É bem verdade que o indivíduo demonstra “não saber” como interpretar os sentidos subjetivos – ter consciência da ideia da estrutura social e utilizá-la com sensibilidade. A partir desse momento estaremos descobrindo dois importantíssimos fatores: 1º – A compreensão da vida em sociedade e 2º – A mensuração dos seus problemas cruciais, de modo que os de menor importância passam despercebidos nessa nossa análise.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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