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Política

Dilma e a Pesquisa

2Tenho dito e afirmado que toda a pesquisa pode ser comparada ao biquíni da mulher. Por qual motivo? Muito simples: “Mostra tudo, menos aquilo que a gente quer ver de fato e de direito!”. São pequenas coisas que ficam escondidas, mas que fazem grande diferença na hora do julgamento. Estava (prefiro “estar” a “ser”) executivo de Marketing numa multinacional do ramo de refrigerantes e tínhamos como contratada uma empresa de pesquisas de mercado, também multinacional, que periodicamente realizava, por amostragem, levantamentos básicos junto aos pontos de venda, informações como Cobertura Vertical, Cobertura Horizontal, Market Share (Participação de Mercado), Posição de Estoque Físico, Preços de Venda praticados, Merchandising, Análise da Atuação da Concorrência, etc e tal. Pois bem, o objetivo aqui não é explicar tecnicamente a metodologia aplicada pelo instituto pesquisador, mas sim a prévia “escolha qualitativa” da amostra pesquisada em termos de clientes (perfil), tamanho da fatia do mercado e momento exato para a realização da pesquisa, de modo que se alcançassem os resultados esperados. Quando a pesquisa era realizada após um trabalho de promoção de vendas (volumes comercializados x preço desconto x prazo), com o mercado abastecido, os índices da tabulação final eram significativos e totalmente favoráveis à indústria dos refrigerantes de marca famosa – quem pagava a dita cuja pesquisa. Quando não os “pesquisadores” seguiam um roteiro, digamos, recomendado pelo contratante. Interesses comerciais, neste caso, ditam sempre as regras das ações (faça isso, não faça aquilo). Então, as pesquisas eram manipuladas? Para quem sabe ler um pingo é letra. Falta de ética? Claro, de modo que se levantadas as informações nos locais de predominância da concorrência, os resultados seriam outros. A análise das tendências, reflexo dos números, a meu sentir, deixa dúvidas e denota “tendências”.

No caso específico das pesquisas de opinião política, geralmente realizadas pós períodos de crise – vide manifestações populares ocorridas nos últimos meses em todo o Brasil -, acontece a mesma coisa, de sorte que as enquetes podem seguir metodologias corretas, mas são direcionadas no sentido que se deseja. No Brasil, os governos podem encomendar as pesquisas que quiserem, aos institutos que quiserem, pagar por elas os preços que quiserem e instruir os resultados que quiserem. Alguma dúvida? Não? Então vamos em frente que atrás vem gente curiosa! Uma pesquisa realizada de 07 a 09 deste mês, envolvendo pouco mais de 2.000 pessoas, mostrou dados interessantes que melhoram um pouco a cara do governo e, sobretudo, a imagem desgastada do PT. As margens de erros, sempre duas, eu não considero por razões pessoais. A presidente Dilma Rousseff (PT) recuperou 05 pontos percentuais nas intenções de voto, passando de 30% para 35%. Em segundo lugar vem Marina Silva com 26% da preferência dos eleitores, crescimento de três pontos percentuais sobre a pesquisa anterior (23%). Aécio Neves perdeu 4%, caindo de 17% para 13%. Outras simulações eu desconsidero também; uma delas com a inclusão (sem autorização) do nome do presidente do STF Joaquim Barbosa. Se Lula entrasse na disputa presidencial teria 51% das intenções de voto e venceria no 1º turno. É muito pra minha cabeça, de modo que tenho que fazer um esforço danado para entender esse cenário. Tem gente que ainda acredita em Papai Noel. Pode? Como se de uma hora para outra, tudo que estava uma merda federal, eis que de repente, volta-se às mil maravilhas num simples toque de mágica, ou melhor, a partir de uma “pesquisa encomendada”? O povo está acéfalo, ou só petistas foram entrevistados? Se o saudoso Leonel de Moura Brizola fosse vivo mandaria quebrar todas as urnas eletrônicas porque denunciaria Hackers trabalhando para o governo federal nas eleições de 2014, manipulando os resultados a favor da situação dominante. O Poder não é relativo, ele é objeto de corridas mortais.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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