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Política

Metrô de São Paulo – 2ª parte / Estação “Cartel”, próxima parada

1Era o mínimo que poderia acontecer depois desse gravíssimo escândalo de formação de cartel no Metrô de São Paulo. O governo paulista deveria pensar nisso, antes que os trens saiam dos trilhos numa ação popular. Um escândalo nas cores azul e amarelo, tudo o que o Partido dos Trabalhadores queria neste momento de crise de identidade, neste instante de deterioração da sua imagem pública; provar que o PSDB também tem telhado de vidro e não é melhor do que os demais partidos políticos, contrariando o seu discurso moral e ético. Na verdade, nenhum político tem corpo fechado e à prova de bala. De igual modo todos os partidos políticos têm seu cabedal de pecados e não se arriscam a lançar a primeira pedra na dúvida se outra foi ou não lançada em sua direção antes. A crise alheia caiu no colo do PT e não há dúvida que irá sangrá-la o máximo que puder até ver o corpo oposicionista totalmente desfalecido sem nenhum poder de reação. A vingança tem sabor de mel. Quando a situação exige não há opção, até porque “vale tudo” nas campanhas políticas e, sobretudo, quando no centro da disputa está o cargo de presidente da República.

Era esperado que a suposta formação de cartel em licitações de obras do Metrô e da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos se tornasse a “Bola da vez”. Todos os partidos políticos têm à disposição um esquadrão especializado em levantamento de, digamos, “coisas erradas”, que foram praticadas pelos seus opositores na gestão pública ou fora dela. Cartas nas mangas, assim chamadas, sacadas no tempo certo e colocadas sobre a mesa do jogo, neste caso, jogo sujo. A Siemens AG (Indústria de Infraestrutura dos setores de energia e transportes públicos. Equipamentos hospitalares e outros) foi motivada a botar a boca no trombone, não só porque viu os seus interesses sob iminente risco, mas porque um “poder supremo” deve ter dado um empurrãozinho na hora certa, a troco de quê eu não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Atrás de uma grande fortuna existem grandes crimes, muitos dos quais compartilhados por agentes públicos. Não se trata de mera sobrevivência financeira; o ato da denúncia de cartel, em si, vai muito além disso. Só se sabe que partiu da multinacional alemã. Empresas fornecedoras que participam de licitações de obras públicas estão preparadas para todo o tipo de jogada.

A regra é bem clara, ou entra no jogo, ou está fora. Como o volume de dinheiro enche os olhos, obviamente que as companhias privadas entram em campo sabendo de antemão o resultado da partida. Muitos jogos acontecem sem a presença do juiz e dos bandeirinhas, e de nada adianta xingá-los, porque não estarão lá para ouvir. Quando não se chega num acordo existe o tapetão para dirimir questões de ordem. Aproveitando o cargo de prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad (PT), deve estar “cascavilhando” o submundo da política e passando as informações para Brasília que sabe mais do que ninguém utilizá-las. Quem está por trás disso? Lula, com certeza. Ele quer o governo de São Paulo em 2014 e aposta num candidato, o ministro da Saúde Alexandre Padilha. O ex-presidente Lula, perdão, o atual presidente Lula, é o único jogador que dá as cartas em todas as rodadas promovidas pelo Partido dos Trabalhadores. O Estado de São Paulo é o maior colégio eleitoral do país com 31,3 milhões de eleitores, dos quais 8,7 milhões estão na capital paulista – conquistá-los é a meta. Lula sabe que este é o prêmio para o campeão da Copa Política de 2014.

A derrota do arquirrival PSDB, há quase 20 anos governando o Estado de São Paulo, significa muito para o PT que, valendo-se da habilidade peculiar, começou a jogar merda no ventilador. A indústria dos escândalos políticos costuma entrar em atividade um ano antes das eleições, 06 meses depois a produção das denúncias atinge a sua plenitude e vai nesse ritmo até esgotar os estoques de “matérias primas”. Aí chega a hora de a porca torcer o rabo (pode ser o porco também), o momento de apertar a tecla CONFIRMA, e se os eleitores deixarem-se influenciar pelos noticiários negativos os denunciados vão se ferrar de verde e amarelo – a tal visibilidade inversa que provoca rejeição. A mídia da denúncia, atrás de audiência, concede importantes espaços na sua programação diária. O problema é que todo mundo fica com cara de espantado como se fosse anormal, por exemplo, a corrupção em licitações do governo, seja ele federal, estadual como municipal. Esse câncer é secular. Inimigos clássicos na política costumam trocar farpas, mas podem comer farelo juntos na perspectiva de estranhos porcos invadirem a pocilga. De cara suja, põem-se a falar mal uns dos outros – os vícios se repetem e o ciclo se reinicia.

O território brasileiro é uma gigantesca toca de ratos. A superpopulação de roedores está desafiando as leis da natureza e para exterminá-los condições não há mais. Ou a população convive com essa praga, ou muda de país. Importantíssimos brasões de família chancelaram crimes de toda espécie. O mesmo acontece com as siglas partidárias que apostam na máxima “Quanto pior melhor”. Escândalos de corrupção fazem parte do nosso cardápio diário, de sorte que sentamos à mesa e saboreamos o prato principal. O superfaturamento do cartel de trens atingiu a casa dos R$ 577,5 milhões, correspondendo à cobrança a maior de 30% (em média), pelo menos em cinco contratos suspeitos firmados com empresas nacionais e estrangeiras que operam no setor metroferroviário. É a “Ponta do iceberg”.

“São Paulo já está fazendo investigações. Se for confirmado algum cartel, o Estado é vítima e entrará imediatamente com ação de indenização e ressarcimento de possíveis prejuízos. […] O Estado é parceiro do governo federal e o maior interessado na investigação. Não haveria nenhuma razão para São Paulo não ter acesso às informações da investigação. O CADE diz que pode ter sigilo. Um sigilo estranho. As informações todas estão na imprensa. […] Temos confiança de que a Justiça dará acesso ao conjunto da investigação para que o Estado possa atuar no sentido de punir as empresas caso se confirme o cartel”.

Geraldo Alckmin (PSDB) – governador de São Paulo.

Contrariando as expectativas do PT, a Justiça Federal autorizou o governo de São Paulo a ter acesso à ação do Metrô, às investigações feitas pelo CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica a respeito da suspeita de formação de cartel por parte de empresas fornecedoras de trens do Metrô e da CPTM. O CADE é um órgão ligado ao Ministério da Justiça. José Eduardo Martins Cardozo (PT/SP) é o ministro da Justiça; caiu nas graças de Lula e está na fila de candidatos ao governo de São Paulo.

“Tivemos a decisão judicial que autoriza São Paulo a ter acesso a todo o processo do Metrô que está no CADE. Infelizmente, não conseguimos administrativamente, mas conseguimos judicialmente. […] Sempre entendemos que nem seria necessário entrar na Justiça porque o Estado de São Paulo é o maior interessado na investigação e será o governo do Estado que entrará na Justiça, caso seja confirmado o cartel, para exigir a indenização dos prejuízos ocasionados. […] Não é possível o Estado não ter informações e todo mundo, como a imprensa, ter. Se confirmado o cartel, as empresas que participaram vão responder e vão indenizar o Estado, além das outras sanções; se o agente público participar ele será responsabilizado”.

Geraldo Alckmin (PSDB) – governador de São Paulo.

Não falo mais sobre o assunto. É pura perda de tempo. Sabe o motivo? Vá perguntar ao Paulo Maluf, depois de tantos escândalos de corrupção, continua exercendo o cargo de deputado federal PP/SP, com mandato até 2014. Paulo Maluf foi eleito em 2010 com 497.203 votos. Provavelmente será reeleito se o eleitor paulista não for substituído por seres mais sérios. Nada contra paulistas, pelo amor de Deus, mas corrijo a frase: “Provavelmente será reeleito, e muitos outros corruptos, se os eleitores BRASILEIROS não forem substituídos por seres mais sérios”. Continuo acreditando que tem trigo bom no meio do joio. Trunfos e cartas marcadas são para poucos jogadores.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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