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Problemas x Soluções

Problemas x Soluções

Para toda questão proposta há sempre uma solução a ser encontrada, seja de ordem intelectual (relativo ao intelecto; inteligência; entendimento), seja de ordem técnica (conjunto dos processos de uma ciência aplicada), seja de ordem material (recursos disponíveis; meios; condições), seja de ordem humana (pessoa ou grupo). As ideias formuladas para, digamos, a “saída” dos problemas podem ser compostas pelos 04 processos principais mencionados acima, não necessariamente todos e na disposição apresentada. As proposições podem ter origem diversa pelos seus vários aspectos, todavia, um componente é atraído ao centro da análise pela sua indispensabilidade: o ser humano.

Problemas? Por que existem? Por que criá-los? A vida não teria a mínima graça se não os houvesse, seria insossa, não teríamos o que fazer. Já imaginaram? A meu sentir os problemas estimulam a ação produtiva (independentemente dos critérios formais), que é motivada pela criatividade e técnica aplicada. Os diferentes graus de complexidade surgem na identificação dos problemas e devem ser encarados como desafios a superar. Tentando desenhar um esquema, imaginemos um triângulo equilátero; no seu vértice vamos escrever a palavra PROBLEMA; no ângulo esquerdo da sua base vamos escrever a palavra CAUSA; no ângulo direito da sua base vamos escrever a palavra SOLUÇÃO. E os agentes passivos e/ou ativos, os seres humanos? Então, vamos escrever a palavra AGENTE no centro do triângulo. Viram como é fácil entender o processo? Não há problema sem causa; não há causa resolvida se não houver solução; não há problema, causa e solução se não houver a figura do agente.

No ambiente corporativo alguns profissionais se destacam pela maneira como se antecipam aos problemas, conseguem prever possíveis falhas de processos, sobretudo industriais. É o caso do chefe de produção de uma fábrica de refrigerantes que descobriu uma ruptura em um setor da esteira de rolamento das garrafas, solicitando ao departamento de suprimentos que providenciasse a compra emergencial da parte danificada antes que a linha parasse. Lembram quando falei “os diferentes graus de complexidade surgem na identificação dos problemas e devem ser encarados como desafios a superar”? Pois bem, o chefe de produção (AGENTE), naquele momento, não estava preocupado com a CAUSA do PROBLEMA e sim com a rápida SOLUÇÃO do mesmo. Quem ou o quê causou o problema ficou para ser analisado em segundo plano. O importante era evitar um provável prejuízo de centenas de milhares de Reais à empresa pela paralisação da linha de produção, além do desabastecimento do mercado.

No exemplo acima concluímos que o AGENTE, no eixo do triângulo, faz girar os seus três ângulos em torno dele. Na verdade, é sempre o AGENTE quem estabelece o ordenamento das prioridades, colocando no vértice (em primeiro lugar) o que julgar de excelência. Nesse caso, o AGENTE tem a faculdade de “prever” a CAUSA de um PROBLEMA, de ter nas mãos a SOLUÇÃO antes que ele aconteça. Essa é a grande diferença entre os profissionais. Tudo isso pode ser passado para o plural – destaca-se.

As vaidades exacerbadas só trazem prejuízos em todas as pontas do processo. Empresas há que se preocupam em saber QUEM causou o problema e a cargo de QUEM ficará a solução do mesmo. Certa ocasião eu tive o desprazer de ouvir de um colaborador a seguinte declaração: “Se sou o causador do problema é mais fácil resolvê-lo, mas, se for outra pessoa certamente será mais difícil”. Esta colocação nos remete a uma reflexão simples e direta: ora, se não houver testemunha, o causador do problema “ficará na sua” e deixará que o colega inocente assuma a culpa. Pelo amor de Deus, não se espantem, tal procedimento é comum nos ambientes corporativos, desde que a qualificação profissional não seja tratada com a devida responsabilidade, o treinamento constante e o acompanhamento também não sejam. Importante salientar que os problemas, quando surgem, devem ser encarados objetivamente, sem covardia e fugas. Adiá-los pode ser o começo da gestação de uma serpente de sete cabeças. “Se não tenho problemas não preciso de gente para resolvê-los”. Um engano pensar assim. A ordem do dia estabelece uma gestão participativa, valorizando a “inteligência funcional”. Coisas de difícil solução precisam de várias cabeças pensantes. Nessa perspectiva, quando a explicação é exigida em reuniões de grupo os embaraços são recorrentes.

Problemas não são patenteados como as invenções, dependendo das circunstâncias, passam pelo crivo do “controle de qualidade” e são expostos nas prateleiras das conveniências. O lado obscuro de algumas administrações promove o seu agravamento – dar a exata dimensão dos problemas é ação dificultada, em decorrência, para se determinar a hora certa de agir requer não só experiência, aptidão e habilidade por parte dos engajados na resolução das questões, como, essencialmente, vontade expressa. Retomamos a leitura do primeiro parágrafo deste texto. A “bola de cristal” é plenamente dispensável se as pessoas certas estiverem no local certo e no tempo certo. Os nossos sentidos funcionam ao mesmo tempo e de maneira sincronizada, de tal modo que haja combinação dos movimentos. Muito embora não consigamos detectar todos os sentidos nessa mesma escala de exatidão, cada uma das formas de receber sensações interferirá positiva ou negativamente no resultado final.

É muito provável que você já deva ter ouvido, ou dito, a expressão popular “Estou em papos de aranha”. Isto significa que a pessoa está atravessando um momento extremamente delicado, perigoso, sentindo-se num beco sem saída. O problema pelo qual passa um paraquedista no seu primeiro salto é um exemplo. Para romper a barreira do medo ele só tinha dois caminhos, fechar os olhos e saltar, ou pedir a alguém que o empurrasse do avião. Veja que no início da indecisão parecia um problema de difícil solução, coisa que os pássaros não sentem porque agem pelo puro instinto. Ouvir opiniões é importante, de onde menos se espera pode surgir uma ideia brilhante e gerar bons resultados. Cuidado, mas também nesse jogo de xadrez, que consiste o exercício das atividades profissionais, o cavalo pode tropeçar, pisar em falso. Por outro lado, as soluções podem estar em coisas simples a fazer. Dificultar os procedimentos, como aquele funcionário que queria a todo custo encontrar cabelo em ovo, pode levar ao estresse prematuro. Encasquetar-se, ficar remoendo (alguns chegam a ruminar) de nada adiantará. Nesse caso, veja onde você está errando e como acertar. Aceite conselhos de quem já passou por problemas similares aos seus ou de quem tenha uma experiência tal de vida que o habilite a dar sugestões e, um conselho, não tenha medo de assim proceder.

O melhor de tudo, como ponto de partida, é saber da existência do problema sem procurar culpar o causador dele. Tentar resolvê-lo é a melhor coisa a fazer, sem apontar dedos na cara de ninguém. Persistir no erro, sim, é problema. Problemas de várias ordens, psíquicas, físicas, emocionais, operacionais, econômicas, financeiras, conjunturais, relacionamentos, cultural, educacional, sociais, etc, sempre acontecerão. Os problemas são atemporais, intermináveis do ponto de vista que eles apenas se renovam, apresentam-se com outras configurações. O importante é que nessa ciranda não devemos, e não temos o direito, de levar problemas para os outros, que podem achar que o problema somos nós. Há quem afirme que se um problema não tem solução, o problema deixa de existir. Problemas sem solução continuam sendo problemas sem solução na ótica de determinadas pessoas. Lembre-se de que sempre há uma solução, ainda que paliativa, para cada questão proposta. Às vezes uma solução pode resolver vários problemas de uma só vez; também é verdadeira a premissa de que um problema para ser solucionado depende de várias soluções. Pense nisso.

Frase do dia:

“A qualquer ronco de trovoada não precisa chamar por Santa Bárbara”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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