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Consultoria & Marketing

Separando as coisas

Separando as coisas

Conversando com um funcionário de uma grande corporação ele me fez a seguinte pergunta:

– Eu não estou conseguindo me desvencilhar de alguns problemas e por isso sinto que o meu desempenho no trabalho está sendo afetado a ponto do meu chefe perceber que algo anda errado comigo. Como eu procedo nesse caso?

Vamos por partes. Tentarei usar de uma linguagem simples e direta, até porque este tema foi debatido exaustivamente por Consultores de Empresas, quer em palestras como em literatura especializada, cada qual a seu modo, mas, no fundo, acabaram dizendo a mesma coisa. Em primeiro lugar, você precisa identificar a origem dos problemas, se um ou mais de um eles têm um princípio, uma causa, de tal modo que imperativo se torna descobrir o seu começo e os motivos; lembre-se que as questões a serem resolvidas não surgem do nada, há sempre uma fonte de nascimento. Em segundo lugar, procure descobrir quem os criou e constate se você não está inserido no contexto. Em terceiro e último lugar, veja em quais mãos está a solução plausível, ou as resoluções de dificuldades, se forem mais de uma. Os mais antigos já diziam que para tudo tem sempre uma saída. O único problema insolúvel, irresolúvel, é a morte.

Pois bem, para deixá-lo mais tranquilo, digo que problemas todos nós temos, com maior ou menor grau de intensidade, mas, saber como administrá-los é que são elas. A nossa vida pode virar de cabeça para baixo de uma hora para outra se não pararmos no tempo certo para separar, ordenar e compreender as coisas, estabelecer prioridades e encontrar o cachorro certo para entrar no mato certo. Se lhe faltar esta competência certamente virará caça. Por que digo isso? Partindo-se do princípio que os problemas nos acompanham, é importante tentar despistá-los, ou seja, deixar para pensar neles no fórum apropriado, cada qual ao seu tempo. Parece difícil, mas, na verdade, não é tão intrincado assim; é uma questão de treinamento mental. Imaginemos que estamos numa praia curtindo um chopinho gelado com camarão frito ao lado de belas gatas e bons amigos e, eis que de repente, ficamos tristes porque os cartões de crédito não foram pagos nas suas respectivas datas de vencimento e, o pior dos mundos, é que não dispomos de dinheiro. Entendeu agora como a coisa funciona?

Quando eu era funcionário de carreira em empresas privadas comumente dizia para os meus colaboradores “Olha, se vocês têm algum tipo de problema de ordem adversa à empresa, deixe-o do lado de fora da porta”. Mas isso não era tudo, eles sabiam que poderiam contar comigo sempre que precisassem. Eu era uma espécie de ‘amigo-chefe’, ou ‘chefe-amigo’, com quem poderiam contar e desabafar à vontade. Aliás, somos humanos e suscetíveis a toda sorte de fatos, sobretudo infortúnios, infelicidades, desgraças – ainda que consideremos que coisas ruins só acontecem com os outros. Porém, não sejamos inocentes a ponto de acharmos que todo mundo está disponível a fim de compartilhar problemas seja com quem for, muito embora haja predisposição nesse sentido, todavia, difícil de materializar pela atitude de autodefesa – com certa dose de egoísmo –, particularmente demonstrada pelo cidadão do século XXI.

Vamos admitir que a origem de um problema qualquer esteja no ambiente de trabalho e isso o está perturbando e influenciando diretamente no seu rendimento, então, volte a ler o primeiro parágrafo deste texto. Leu? Bacana. Agora, uma vez na empresa, faça um esforço no sentido de focar nas suas ações, não desvie um milímetro sequer do que está fazendo para que os resultados aconteçam a contento segundo critérios de produtividade. Deixe para mais tarde, preferencialmente depois do expediente, a necessária conversa com o superior imediato e/ou colegas de setor com o propósito de esclarecer e mesmo sanar contratempos. Na maioria das vezes dentro de nós está a capacidade para garimpar pedras preciosas e acabamos usando peneiras furadas. Perdemos excelentes oportunidades para a prática de consensos. Quando não há argumentos ou objeções inventamos.

O grande vilão dos imbróglios tem sido os problemas financeiros, se não o maior, um dos maiores, com certeza, que acaba com o equilíbrio emocional de qualquer pessoa; enredo truncado responsável por conversas atravessadas, sobretudo no âmbito familiar. E por falar nisso, levar trabalho da empresa para casa (basta o tempo de colégio quando o “dever de casa” era “dever de ofício”) é o mesmo que levar problemas para os familiares próximos. No sentido inverso, ou seja, levar problemas de casa para o trabalho é ação que só os potencializa, criando derivativos em ambientes corporativos. Problemas de ordem social, causados nos relacionamentos com os grupos de convívio, são fenômenos que interferem diretamente nos demais campos de atividades. Analise onde você se situa em cada um desses casos. Às vezes temos por hábito fazer tempestade com copo d’água, entretanto, achamos, por comodidade, que estamos nos afogando nas praias do Havaí.

Numa perspectiva racional, ao pensarmos demasiadamente em assuntos que não nos dizem respeito (e quando dizem também) não escolhemos local tampouco a hora certa para que isso aconteça, para que sejam manifestados. As interpretações geralmente não saem do campo da subjetividade, de modo que o sapato apertado aponta na direção do calo. Nunca é demais lembrar que tais conceitos e opiniões valem para o mundo corporativo de um modo geral, e para todas as pessoas que nele atuam, independente da sua constituição jurídica.

De repente, os problemas não existem na magnitude observada, e você pode estar vendo fantasmas, colocando chifres na cabeça de cavalo, enfim, acaba não se concentrando nas tarefas do dia-a-dia e o resultado não poderia ser outro senão um desempenho abaixo da crítica, que no processo contínuo pode levá-lo, por merecimento negativo, à demissão. Isso sim é um problema. Pense nisso! Afinal, não é todo mundo que possui a faculdade de soltar-se, de desprender-se dos problemas – e problemas que não têm saída não são problemas, são conjecturas, meras ideias com fundamento incerto. A hora do intervalo das suas aulas está acabando. Boa sorte e conte comigo!

Frase do dia:

“Quem deseja seguir em frente, fazer uma boa viagem, precisa olhar sistematicamente pelos retrovisores”.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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