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Política

Ouro Negro – 2ª parte

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A Petrobras é uma empresa de capital aberto (sociedade anônima), portanto, de economia mista, e o seu maior acionista (majoritário) é a União. Fundada pelo Governo do Brasil em 03 de outubro de 1953, neste ano de 2013 completará 60 anos de atividades ininterruptas na área de energia, abrangendo a exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo e seus derivados diretos. A Petrobras é exemplo de ‘excelência tecnológica’ para o Brasil como para o resto do mundo, com capital humano de ponta. Com toda essa história a Petrobras mostrou fragilidade, deixando exposto o seu calcanhar de Aquiles, justamente o ponto fraco na área econômico-financeira. A matéria editada pelo Jornal O Estado de S.Paulo no dia 06 de fevereiro de 2013 / 2h10min, de título “O desmonte da Petrobras” (leia abaixo em parágrafo único/itálico), reforça o artigo de minha autoria que publiquei neste Blog – Ouro Negro – 1ª parte.

Com lucro de R$ 21,18 bilhões em 2012, 36% menor que o do ano anterior e o mais baixo em oito anos, a Petrobras paga um preço devastador pela sujeição aos interesses político-partidários do Palácio do Planalto. Investimentos mal planejados, orientação ideológica, loteamento de cargos e controle de preços de combustíveis comprometeram a eficiência e a rentabilidade da empresa e a desviaram de seus objetivos principais. Os danos impostos à companhia são parte da herança desastrosa deixada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessora. Desde o ano passado a nova presidente da estatal, Maria das Graças Foster, vem tentando corrigir seu rumo. Mas a interferência nos preços permanece, os reajustes são insuficientes e a geração de caixa continua prejudicada. Mais dificuldades surgirão neste ano, avisaram ao mercado, nessa terça-feira, dois dos principais dirigentes da Petrobras. Pelo menos esse dado positivo acompanhou a divulgação das más notícias: a presidente da empresa e o diretor financeiro, Almir Barbassa, falaram sobre a situação e as perspectivas da companhia com uma franqueza incomum durante a maior parte dos últimos dez anos. Os problemas vão muito além de uma piora temporária das condições financeiras. A produção de petróleo e gás no Brasil, no ano passado, equivalente a 2,35 milhões de barris diários, foi 0,9% menor que a de 2011. Com a parcela produzida no exterior a média diária alcançou 2,59 milhões de barris equivalentes, volume 0,8% inferior ao do ano anterior. A meta de 2,02 milhões de barris diários, fixada para 2012, continuará valendo para este ano, com possibilidade de desvio de 2% para mais ou para menos. Se o desvio ocorrer, advertiu a presidente, será provavelmente para baixo. Não há possibilidade física, deixou claro a presidente, de um aumento de produção. As previsões para o ano incluem também, segundo Maria das Graças Foster, mais R$ 6 bilhões de baixas correspondentes a poços secos. Além disso, nenhum novo projeto deverá ser iniciado em 2013. A empresa continuará empenhada em realizar os investimentos já programados, mas o total aplicado, de R$ 97,7 bilhões, deverá ser R$ 5 bilhões maior que o anteriormente previsto. A empresa continua analisando a qualidade econômica dos projetos enquadrados em 2012 como “em avaliação”. Ao assumir o posto, a nova presidente anunciou no ano passado a intenção de rever os planos e prioridades. Não se anunciou, na ocasião, o abandono de nenhum projeto, mas ficou clara a disposição de submeter o programa da empresa a uma revisão crítica. Sem perspectiva de maior produção em curto prazo, a empresa terá de continuar importando grandes volumes para atender à demanda crescente de combustíveis. Isso será inevitável mesmo com o aumento da parcela de álcool misturada com a gasolina. A necessidade de maior importação foi uma das causas da redução do lucro no ano passado. O controle de preços foi um complicador a mais. A presidente da empresa reafirmou a intenção de continuar buscando o realinhamento de preços. Mas isso dependerá de como o governo pretenda enfrentar a inflação. Se insistir na manipulação de preços, os problemas da Petrobras poderão agravar-se. Com dificuldades de geração de recursos, a companhia foi forçada a aumentar seu endividamento. Com problemas de caixa, a diretoria decidiu pagar dividendos menores aos detentores de ações ordinárias do que aos demais acionistas, explicou Barbassa. Disso resultará uma economia de R$ 3 bilhões para investimentos, acrescentou. A Petrobras necessitará de novo aumento de capital, segundo alguns analistas. A presidente da empresa negou essa possibilidade neste ano. Seja como for, o passo mais importante deve ser a consolidação de um novo estilo administrativo, moldado segundo objetivos típicos de uma empresa de energia. A Petrobras será beneficiada, também, se as suas encomendas de equipamentos e serviços forem decididas com base em critérios empresariais. Não é sua função assumir os custos de uma política industrial. Ter sucesso como uma gigante do petróleo já é um desafio mais que suficiente.

Administrar uma casa com muitos cômodos não se constitui tarefa das mais fáceis, mas também não impossível. Manter a limpeza impecável é um desafio constante. Ora um dos quartos está sujo, ora a sala está desarrumada, ora a pia está cheia de louça para lavar, ora o banheiro está imundo e alguém se esqueceu de puxar a descarga. É assim com o Brasil, com seus 8.514.876,599 km², com Poder Executivo central e seus 39 banheiros, perdão, 24 Ministérios, 09 Secretarias (com status de Ministério e ligadas à Presidência da República) e 06 Órgãos (também com status de Ministério e ligados à Presidência da República). Sabemos que cada ministério é responsável direto por uma área específica da “Casa Brasil” e é liderado por um ministro. Os ministros – mormente conhecidos pelo sugestivo nome de “empregados domésticos”, dado ao tratamento dispensado pela dona da casa – são escolhidos a dedo pelo Presidente da República a cada mandato, e este, por sua vez, eleito pelo povo em pleito democrático, com votação direta em dois turnos. A atual “dona” da Casa Brasil pegou as suas chaves em 01 de janeiro de 2.011 e desde então está vendo que administrá-la não se constitui tarefa das mais fáceis. Falei sobre isso no início. Os tais “empregados domésticos” reclamam das dimensões continentais do imóvel, por outro lado, acham até bom porque a patroa não pode estar todo o tempo em todos os lugares. Além disso, o atual Síndico, Luiz Inácio Lula da Silva está torcendo para a bagunça continuar porque assim consegue carregar alguns objetos junto com a sua trupe sem ser notado – e ninguém sentirá falta deles; só a Petrobras até agora.

Por conta disso, quando eu digo que o Brasil está infestado de ratos, não há nenhum exagero nisso, muito pelo contrário, é um sinal de alerta para os brasileiros, sobretudo para aqueles que não se julgam analfabetos funcionais, portanto em condições de compreender, em parte, a real situação do cenário político do seu país. É estarrecedor o fato do pouco caso, da inércia, da passividade, do descompromisso dos cidadãos que habitam esta pátria amada tão gentil, tão assolada, tão saqueada e vilipendiada pela súcia que detém o poder da governança abastada à custa da Mãe-Estado. Sei que a população jamais se interessou por assuntos de Economia, salvo minoritária parcela que dela se sustenta, todavia, para ilustrar algumas mentes não econômicas, trago à baila grave problema levantado pelo Tribunal de Contas da União recentemente: “Superfaturamento na construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco”. Segundo o que declarou na ocasião a presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, o Tribunal de Contas da União (TCU) emprega uma metodologia diferente da estatal (Petrobras) para medir os valores, o que provocou a inclusão da mencionada refinaria na lista das obras consideradas irregulares pelo TCU. Tudo bem que existem outros problemas de igual ou maior gravidade, todavia, não vamos tapar o sol com a peneira.

A presidente da estatal pode dizer o que quiser, alegar o que quiser, arrumar a desculpa que quiser, para justificar os inúmeros prejuízos, os desmandos e os desvios de recursos públicos comprovados na Petrobras, porque o povo não se interessa por essas notícias, não quer saber de nada. É melhor Maria Foster economizar palavras e resumir o seu discurso evasivo e ir direto ao assunto: “O petróleo é nosso, não temos competência suficiente para explorá-lo, gastamos mais comprando combustíveis fora do país e o caixa da empresa está vazio”. A destruição anunciada da Petrobras pode ser um ato premeditado para entregar a estatal nas mãos de grupos econômicos “selecionados” pelo governo e que aguardam apenas a hora certa para dar o bote. Ora, se o governo quer “vender” a sua parte para grupos privados a preço de banana, com o propósito de aumentar o índice da propina, então, é só desvalorizar o produto vendido, no caso, a Petróleo Brasileiro S/A. Isso não é “Teoria da Conspiração”, é doideira mesmo!

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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