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Política

Ouro Negro – 3ª parte

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A ignorância assistida deixa um rastro de destruição, quando do Poder faz parte, os prejuízos são maiores. A retomada da normalidade leva algum tempo, a arrumação da casa imperativa, danos irremediáveis lançados no livro Lucros & Perdas. A depreciação afeta a moralidade e a coisa pública, que atingem a obsolescência prematura. Nesse festim licencioso que se converteu a administração do patrimônio nacional o povo não foi convidado para de ele participar, salvo quando da cobrança da conta. As nossas meretrizes políticas sabem a hora certa de mudar de cama, e de parceiro.

No último decênio o governo federal tem se utilizado do “desempenho” de algumas estatais como catapulta para projetar a sua imagem e com isso capitalizar dividendos políticos, como se a população fosse formada apenas por leigos. Só que se esquece de “ficar na sua”, deixando com quem entende do riscado a execução de determinadas tarefas, uma vez que nunca esteve preparado para isso. Uma delas é o Planejamento Estratégico, independente dos prazos, se curto, médio ou longo. Para produzir petróleo a uma profundidade de 7.000 (sete mil) metros de profundidade, a Petrobras precisou fazer muita pesquisa, cujo resultado se somou à sua experiência em águas profundas, desenvolveu tecnologia própria, além de firmar parcerias com centros de pesquisas especializados e universidades. O incauto governo insiste em se meter onde não deve e a falta de conhecimento parece não assustar os “bicudos”, os fuxiquentos.

Descobrir as reservas de petróleo do Pré-sal e operar com eficiência em águas ultraprofundas – que exige a contratação de sondas de perfuração, de plataformas de produção, navios (até submarinos) –, são ações, a meu sentir, bem definidas. Por outro lado, os tecnocratas do governo têm se comportado como baratas atravessando o galinheiro, quando o assunto é disponibilizar recursos que viabilizem toda a cadeia operacional da indústria de energia, de modo que a incompetência de gestão tornou a Petrobras incapaz de produzir mais derivados no curto e médio prazos, reprimindo a demanda interna. Reprisa-se o filme, assistido em várias oportunidades. O Brasil vítima dele mesmo, condenado a ver distanciado cada vez mais o seu sonho da autossuficiência em petróleo e derivados diretos. Escondem-se atrás das pilastras do Palácio do Planalto aqueles que se baseiam tão somente em conhecimentos teóricos dos mecanismos econômicos, mas que impõem diretrizes sem levar em conta os fatores humanos, sociais, desenvolvimento sustentável e crescimento sólido. A Petrobras está aprendendo a voar como as galinhas, enquanto a política oportunista atravancando o progresso.

Segundo o Plano de Negócios da Petrobras, os investimentos na área do Pré-sal – cuja exploração começou em 2008 – deverão chegar a US$ 69,6 bilhões até 2016, juntas, as bacias de Campos/RJ e Santos/SP, produzem mais de 200 mil barris diariamente, e estima-se que em 2017 esta produção poderá alcançar 1,0 milhão de barris/dia; previsão suscetível a drásticas mudanças. Muito embora o Pré-sal seja uma realidade estratégica para o futuro, entendamos que uma coisa é a existência de imensas reservas de petróleo em águas ultraprofundas, outra coisa é trazê-lo para a superfície e beneficiá-lo em quantidade suficiente para suprir o mercado brasileiro, cada vez mais dependente de combustíveis fósseis por falta de alternativas energéticas. O petróleo e o carvão mineral são fontes não-renováveis e poluentes em alta escala. No Brasil, as fontes condideradas não-renováveis representam mais da metade da matriz energética, sendo que o petróleo e seus derivados diretos têm a maior participação.

O Brasil exporta insumo, ou seja, óleo bruto de petróleo, o que deixa a balança comercial nessa classe de produto positiva em US$ 7 bilhões. Na outra ponta, o país importa combustíveis e lubrificantes (cerca de 11% do total consumido no mercado interno) e a balança comercial nesse grupo de produtos é deficitária em US$ 9 bilhões. Essa conta não fecha, mesmo considerando o entrelaçamento das estatísticas dos resultados obtidos em 2012 e 2013 (parte). A despesa oriunda da importação de gasolina vem se mantendo crescente. Em 2009 foi de US$ 70,6 milhões; em 2010 chegou a US$ 285 milhões; em 2011 atingiu o montante de US$ 1,6 bilhão. Em 2012 o Brasil superou as importações de gasolina realizadas em 2011, cujo índice se situou em + 73% no volume físico. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foram gastos US$ 3 bilhões para comprar 3,8 bilhões de litros do combustível no exterior, o maior volume da Agência.

A Petrobras sente um gosto amargo ao verificar o quadro negativo na balança comercial brasileira de petróleo e seus derivados por conta das importações e desembolsos em dólar decorrentes, que saem das suas reservas. Com a cabeça enfiada num balde de gelo, a Petrobras sente dificuldades na expansão da sua capacidade de refino, porque as refinarias planejadas não saíram da prancheta. Os planos de aumento de produção de petróleo também foram por água abaixo. Até Deus conspirou contra a Petrobras, prejudicada diretamente pelo aumento do preço do etanol (álcool etílico) em decorrência de uma safra ruim de cana-de-açúcar. Proprietários de carro Flex deram preferência à compra de gasolina. Entre mortos e feridos, o ex-presidente de mãos sujas, Lula, conseguiu assemelhar a Petrobras à sua imagem.

“Eu e a companheira Pretobrás semo deiz, óh…”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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