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Política

Ouro Negro – 4ª parte

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Os “probleminhas” que o Doutor Honoris Causa, Luiz Inácio Lula da Silva, andou causando à estatal durante o seu reinado de 08 anos como presidente da República Federativa do Brasil serão tirados de letra. Em se tratando da Petrobras, tem muito petróleo e gás para queimar – gordura nem tanto. Problemão é o que Lula e seus comparsas terão de enfrentar se algum dia surgir alguém com coragem suficiente para levantar os tapetes persas do Palácio do Planalto, sobre os quais repousam mãos importantes na tentativa de evitar que isso aconteça. Debaixo dos tapetes, além da normal imundície que sai das solas dos sapatos de cromo alemão, escondem-se os pactos comerciais com as grandes corporações, que dominam a economia mundial e os governos. A ingerência de Lula na Petrobras foi uma ação articulada? A ignorância perde o caráter de “inocente” em determinados casos, e Lula sabe perfeitamente agir ora como uma pessoa que não tem conhecimento de determinada coisa, que não tem instrução, que não sabe de nada; ora como uma pessoa que faz de conta que o mal não existe, político puro, ingênuo. As conveniências políticas mostram o caminho a seguir. Daqui pra frente não me atrevo a dar palpites, entretanto, muitos “mistérios delicados” estão protegidos por redomas de cristal.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, chegou a negar novo prejuízo na estatal numa audiência nas Comissões de Assuntos Econômicos e de Infraestrutura do Senado: O prejuízo de R$ 1,3 bilhão registrado pela empresa em 2012 não vai se repetir. […] O resultado foi consequência de fatores como a desvalorização cambial e a devolução de poços secos à Agência Nacional de Petróleo, Gás e Bio­combustíveis (ANP). […] Nós acreditamos que esse resultado não se repetirá. É muito improvável que todos esses efeitos aconteçam ao mesmo tempo. A prioridade absoluta da Petrobras é a produção de petróleo, com uma carteira de investimentos de US$ 14,8 bilhões. O orçamento da estatal para 2012 era de R$ 87,5 bilhões. No primeiro semestre, a empresa cumpriu R$ 38,7 bilhões do total (44,2%). […] Estamos fazendo trabalhos para que os projetos aconteçam no prazo e atendam às curvas financeiras. A Petrobras saiu de um lucro líquido de R$ 1,8 bilhão em 1999 para R$ 33 bilhões em 2011, com dívida contratada em Dólar de 74% de sua dívida total.

As pessoas podem achar que esta é matéria de jornal velho. Pode até ser, mas, o que importa de fato é o lado conceitual do problema levantado e que, na maioria dos casos, os seres normais não conseguem enxergá-lo como deveriam, por isso, assuntos de interesse coletivo acabam caindo no esquecimento e volta-se à estaca zero, ou pior, as mazelas do governo continuam soltas e a todo vapor, livres de questionamentos e/ou críticas – o tempo passa e não se forma juízo de valor. Por outro lado, a imprensa especializada não se cansa de publicar artigos meramente técnicos, recheados de índices estatísticos, e deixa de esclarecer o “X” da questão, o que está realmente por trás das “manobras governamentais” com a explícita finalidade de beneficiar grupos de interesse em detrimento da coisa pública. Vamos ser honestos, também não vamos responsabilizar só a mídia pelas informações incompletas (as “fontes” têm o direito de se omitirem ou de serem parciais), até porque os profissionais da comunicação, e a própria indústria cultural, sentem-se ameaçados de todas as formas. Importante ressaltar que o Poder constituído “trabalha” previamente a informação que será divulgada – isso não é novidade.

A politização das empresas estatais, repito, tem gerado problemas de toda ordem. A não exigência de currículo técnico aos ocupantes de cargos de direção tem contribuído para o descompasso (falta de regularidade) em diferentes setores da economia pública, notadamente na questão da exploração das reservas petrolíferas e gás natural, do refino, da produção estratégica de derivados e biocombustíveis. O caso da Petrobras Distribuidora nem cogitamos levantar, aqui e agora, porque é mais lenha na fogueira. O loteamento da máquina governamental para os apadrinhados políticos é um negócio muito sério; os emblemas das agremiações partidárias são colocados nas portas dos gabinetes, ainda que na virtualidade, porém, na prática, o que tem prevalecido nas administrações das empresas públicas é o que determina a cartilha do partido político, segundo interesses de grupos. O quadro tende a se agravar pelo fato do PMDB ter assumido o comando do Congresso Nacional, nas duas casas, Senado Federal e Câmara dos Deputados. Como maior partido político e, portanto, maior aliado do governo, o PMDB certamente quererá retomar o seu espaço na Petrobras para “prospectar” novos poços de dinheiro público. Colocar gente de cara feia na presidência da Petrobras não resolverá os seus problemas cruciais, de modo que só servirá para “espantar neném”. Graça Foster não tem culpa, muito embora seja uma funcionária de carreira na estatal. A competência é quesito exigido, ou deveria ser. O povo, perdão, a parcela mais esclarecida da população, no seu turno, não dispõe de medidores de eficiência; caso os tivesse, seria impelida no sentido contrário. Como avaliar desempenhos se nas mãos do governo federal estão as chaves das portas que conduzem às pessoas e às informações? Como funcionários públicos medíocres conseguem se firmar nos cargos que ocupam por longo tempo? Política e seus derivados; essa é a resposta.

Voltando à vaca fria, havia comentado em artigo anterior que a presidente da Petrobras subiu nas tamancas tão logo tomou conhecimento que os partidos de oposição denunciaram o superfaturamento das obras da refinaria Abreu e Lima, localizada no Município de Ipojuca, região metropolitana de Recife, capital de Pernambuco, Estado natal de Lula. O TCU (Tribunal de Contas da União) deu a dica. Esta é uma prova de politização do cargo público. Maria das Graças Silva Foster saiu em defesa do governo, sem mencionar que apuraria o caso. Aproveitou para cobrar da PDVSA, empresa venezuelana do setor petrolífero, maior participação nas obras de construção da refinaria binacional, e tinha até novembro de 2012 para apresentar garantias bancárias. “Se até lá não apresentar as garantias, vou discutir um novo prazo. Não quero que eles digam: não, eu não vou. Quero que eles digam que vêm”. Considerou Maria das Graças Silva Foster. O episódio da PDVSA é um “mistério delicado” preservado sob uma redoma de cristal.

Eu diria à petrolífera venezuelana “vem sim, assumir, de fato e de direito, a propriedade da refinaria Abreu e Lima”, assim como fez o governo boliviano com a nossa usina de gás natural, expropriada da Petrobras com o pleno aval concedido pelo ex-presidente irresponsável e tresloucado Lula. Tá tudo bem, tá tudo legal, a Copa do Mundo de 2014 vem aí e seremos hexacampeões no campeonato das omissões. O Estado Boliviano jamais poderia expropriar uma empresa de bandeira estrangeira alegando e julgando ser de “interesse social”. A Bolívia simplesmente desempossou o Brasil do seu patrimônio ocupando a refinaria com tropas militares e tudo ficou por isso mesmo, não houve retaliações por parte do governo brasileiro à altura do golpe.

Outro golpe pode estar sendo tramado no submundo da política brasileira. No último ano o empresário Eike Batista perdeu US$ 23,8 bilhões da sua fortuna estimada em US$ 34,5 bilhões. Ficando com “apenas” US$ 10,7 bilhões nos bolsos, Eike Batista saiu da lista das 100 criaturas mais ricas do Planeta Terra. O motivo da drástica perda verificada no valor das suas empresas foi a péssima performance no volume de produção, sobretudo nas empresas de extração mineral, com destaque a petrolífera OGX. Eike Batista adiou o seu sonho de ser o homem mais rico do mundo, e, como não conseguirá sê-lo em 2015, conforme sua previsão, aposta na sua estreita amizade com o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, que já deve ter prometido a ele a recuperação da sua fortuna com o fruto da “expropriação” de boa parte da Petrobras aqui dentro do nosso próprio território.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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