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Política

Julgamento do Mensalão – Os corruptos continuam tecendo

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Na representação protocolada por partidos da oposição (PSDB, DEM e PPS) junto à PGR – Procuradoria Geral da República, na última quarta-feira, 12/12/2012, os seus líderes pedem que Lula seja investigado em função das denúncias feitas por Marcos Valério que o aponta diretamente como o “avalista” do esquema criminoso do Mensalão, que desviou recursos públicos para financiar o PT e comprar a base de sustentação do governo no Congresso Nacional, cooptando parlamentares. “O senhor Marcos Valério Fernandes de Souza denunciou formalmente o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o mesmo era o verdadeiro chefe da organização criminosa que operou o Mensalão, beneficiando-se inclusive pessoalmente dos recursos roubados”, destaque da representação.

“Cabe, sim, ao Ministério Público da União instaurar os procedimentos para a investigação judiciária, a fim de que, se delitos foram praticados, a responsabilização civil e criminal alcance também aqueles que se ausentaram neste primeiro momento do julgamento do Supremo Tribunal Federal. […] Este é o capítulo a ser escrito, este é o capítulo definitivo do Mensalão, a ser escrito agora pelo Ministério Público e Poder Judiciário”.

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

Todo mundo sabe disso, porém, na maioria das vezes, as coisas não funcionam do jeito que a gente quer. Entre o querer e o poder existe uma distância muito grande. Nesse percurso muitos obstáculos são encontrados, surgem reações das mais diferentes formas, há tentativas de desconstrução de teses, ameaças generalizadas com propostas definidas, enfim, verdade é que o lado requerido não ficará passivo e desencadeará movimentos no sentido de retaliar e enfraquecer o lado requerente. Prova disso, no mesmo dia em que a oposição protocolou a representação, a base aliada do governo adiou a votação em comissão do Senado no que tange à convocação de Marcos Valério para falar sobre as acusações que fez contra Lula. Nessa mesma quarta-feira, a tropa de choque governista também conseguiu junto à CMCAI – Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, cancelar a convocação de Luís Inácio Adams, Ministro da AGU – Advocacia Geral da União, de Gleisi Hoffmann, Ministra-chefe da Casa Civil, e de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República (escritório de São Paulo, atualmente extinto), portanto, temos três requerimentos da oposição que foram “derrotados” como exemplos do que acabei de comentar. Por outro lado, os governistas aprovaram “convite” formulado a Fernando Henrique Cardoso (para que fale sobre uma suposta lista de propinas em Furnas no seu governo) e ao Procurador-Geral da República Roberto Gurgel, mas, tudo leva a crer que talvez seja para participarem de um festival de retretas no Congresso que, aliás, está em evidência. A meu sentir, tem dedo do senador Fernando Collor de Mello nesse tal “convite”, porquanto é público e notório que nutre um sentimento de ódio por Roberto Gurgel, seu declarado desafeto – os fantasmas do passado o têm atormentado.

O governo de situação lança mão das suas reservas de “moedas de troca” sempre que se vê envolvido em escândalos de corrupção. Para se livrarem das acusações e saírem ilesos das incômodas denúncias os líderes governistas sabem por onde começar as negociações, de sorte que o Modus operandi está previamente desenhado facilitando as abordagens necessárias. As “moedas de troca” vão desde dinheiro em espécie até a possível divulgação de segredos que comprometem quem acusa; nesse intervalo, outros produtos trocados no mercado oportunista dos escambos, estão cargos estratégicos no governo, acordos econômicos em nome da paz, divisão de bens, etc. O silêncio tem o seu preço, cada boca fechada mais ainda, mesmo que para todo o sempre. Os órgãos de investigação tentam fazer o que lhes compete, a Justiça tropeça na interpretação das Leis, o Ministério Público se vê acuado, a imprensa divulga os fatos que pode, e por seu turno, a população não acompanha como deveria. Resguardando-se o conceito da exceção, válido para população, os demais institutos citados têm algum tipo de interesse junto ao poder público, e também participam das trocas diretas quando as conveniências assim o exigem.

ESTADÃOconteúdo: “O Ministério Público Federal (MPF) anunciou na tarde desta sexta-feira (14) que ofereceu denúncia criminal contra 24 integrantes do esquema desmantelado pela Operação Porto Seguro. Foram denunciados por formação de quadrilha o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Rodrigues Vieira, seus dois irmãos, o ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) Rubens Rodrigues Vieira e o comerciante Marcelo Vieira, além da ex-chefe do gabinete regional da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, e os advogados Marco Antonio Negrão Martorelli e Patrícia Santos Maciel da Oliveira”.

No desenrolar das investigações ficará comprovada a conexão dos envolvidos neste novo caso, batizado de “Operação Porto Seguro”, com alguns dos criminosos condenados no processo do Mensalão, bem como com os seus mandantes que ficaram temporariamente ilesos. A decretação de uma nova Ação Penal pode levar muito tempo. A teia da corrupção não pára de ser tecida com fio resistente. Como podemos observar, o país está parado, não se faz outra coisa que não seja jogar merda no ventilador, pedra em vidraça, xingar a mãe do outro de puta, o pai de corno e o irmão de viado, falar mal do vizinho, chutar o cachorro e comer as primas. A imprensa, cumprindo o seu papel, tem divulgado esses macabrismos com destacada competência – e somos obrigados a assistir como perfeitos idiotas. Brigas contumazes de meninos imberbes, que correm para debaixo da saia da mãe prostituta, que não trabalha, que não administra a casa, que deixa a geladeira vazia, que adora apanhar do marido bêbado e corno, que instiga a criançada a cair no pau, e ainda arma esquemas para ficar bem longe de tanta sujeira que, quiçá, ajudou a criar. E vamos levando, se organizar demais atrapalha, a fila dos brasileiros está andando, com mais gente fora dela do que alinhada. A moral e os bons costumes decretaram falência, as leis da honestidade e do pudor foram revogadas.

“É uma pessoa que foi condenada, que pode estar desesperada, levantando essas questões aí, acho que elas deveriam ser analisadas com mais cuidado. […] Olha, eu acho que as investigações não pararam. Faz dez anos que tem investigação sobre isso, né? Pelo menos nesses casos que vi citados rapidamente, não vi novidade nenhuma. […] Quanto à questão se Lula não devia vir a público e rebater as acusações, digo que não estou aqui para dar conselho para ele”.

Paulo Bernardo, Ministro das Comunicações, falando sobre Marcos Valério.

“Quando um político é denunciado, a cara dele sai de manhã, de tarde e de noite nos jornais. E vocês já viram a cara de algum banqueiro nos jornais? Sabe por que ele não sai? Porque ele é quem paga as propagandas dos jornais. […] Espero que, se um dia eu voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles, os empresários, que não tive nas outras eleições. […] Todos tinham medo de mim. Aqui tem empresários que certamente não votaram em mim por medo. Hoje, olho com orgulho, porque eles nunca ganharam tanto dinheiro, cresceram tanto e geraram tantos empregos como no meu governo”.

 Lula, no Fórum do Progresso Social, em Paris.

Tortura, nunca mais! Espero que você, Lula, jamais volte a ser candidato neste país, porque, sou eu quem vai ficar com medo das consequências caso seja eleito. Nesse sentido, o tempo é demasiadamente curto para se formar qualquer juízo de valor na massa de eleitores, base da pirâmide social, desinformada, despolitizada, carente de educação e de valores, além de vítima das mensagens comunicacionais, subliminares, produzidas pelo Marketing político nocivo. O pior é que essa mesma massa define as eleições. O voto quantitativo, desprovido de qualidade, vitamina a corrupção, é o antídoto que impede a ação daqueles que querem combatê-la, é o autorretrato da “Democracia de cabresto” – e forjada. Tudo pode acontecer.

Leitura recomendada (clique em): Livro Polítitica

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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