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“A morte do cisne”

“A morte do cisne”

Tinha acabado de minimizar a tela do meu Blog opiniaosemfronteiras.wordpress.com e logo em seguida maximizei o Yahoo Mail. O relógio do sistema marcava 10h00min em ponto, quando cliquei na pasta de Entrada e estava lá, o e-mail do meu amigo Evandro Telles, trazendo como anexo uma verdadeira “obra-prima”. Assista ao vídeo.

Eu obedecia mecanicamente o comando da tela “Reproduzir novamente”, fiz isso várias vezes, e em todas elas eu me emocionei a ponto de chorar, dada a beleza do tema e intensidade da mensagem. Nesse mundo de correrias incessantes, não custa nada darmos uma paradinha estratégica, ainda que achemos que não dispomos de tempo para contemplar certas coisas que nos são oferecidas pelo acaso, circunstâncias que nos fariam refletir, meditar sobre o que estamos fazendo de errado e procurar alternativas que nos tornem pessoas cada vez melhores. Na verdade, inconscientemente, nos transferimos para aquele palco onde o solitário garoto representava magnificamente uma das mais difíceis danças já concebidas e, diante daquela majestosa atmosfera, vimos o nosso orgulho morrendo aos poucos como o cisne, debatendo-se, debatendo-se, até tombar sem vida. A grandeza do ser humano manifestando-se sob o feixe de luz divina, sublime. Ninguém, absolutamente ninguém, pode se considerar superior ou melhor do que o seu semelhante. Dentro de cada um de nós habita um cisne morrendo e não fazemos nada para salvá-lo, porque temos outras prioridades.

John Lennon da Silva, o amigo do Paul McCartney, do George Harrison e do Ringo Starr. Um garoto imberbe de 20 anos apenas, que produziu a sua própria roupa para o seu cotidiano, objeto de crítica declarada: “O figurino não tem nada a ver”. Um menino franzino que com sua força interior disse aos três jurados: “Vou levar para o palco todas as minhas possibilidades que tenho, toda a minha garra e todo o meu sonho”. Uma pessoa anônima, comum, como os milhares e milhões de rostos não identificados que cruzam as ruas das cidades todos os dias. Todos nós temos uma dose de talento que por vezes desconhecemos ou não sabemos de fato mensurá-la, mas que aqueles que nos cercam, de uma forma ou de outra, tentam diminuí-la. Um ar de desprezo e humilhação estava refletido no olhar dos jurados logo no início, mas em nada influenciou o seu desempenho, serviu para despertar a necessidade da superação. Se ela dança, eu danço. Neste caso, não se trata de dançar conforme a música; é fazer com que a música acompanhe a sua interpretação. Foi o que aconteceu. Essa obra-prima mexeu tremendamente comigo, com os meus sentimentos, mostrou-me como somos pequenos diante da vida e o quanto podemos crescer se mudarmos. Hoje é quarta-feira, dia 04 de julho de 2012 – faço questão de registrar o momento, ainda que a apresentação do John Lennon da Silva tenha acontecido em outra época. Aparência, mera aparência. Os aspectos traem os sentidos; a exterioridade revela o ser interior.

Em ambientes corporativos, deixar-se levar pelas aparências constitui regra de conduta, onde importantes valores humanos são desprezados, ou simplesmente renegados a segundo plano. Os impactos negativos são capturados logo no primeiro contato, quando a máxima se impõe: “A primeira impressão é a que fica”. Será? Por vezes, pessoas há que não têm a oportunidade de demonstrar efetivamente aquilo que são, de provar as suas habilidades, as suas qualidades, aptidões e tendências. E aí, sem que percebamos, perdemos excelentes profissionais porque julgamos precipitadamente, porque eliminamos etapas, construímos barreiras as quais nem mesmo nós não conseguimos transpor e nos achamos no direito de estabelecer referências para os outros.

Já vi ajudante de caminhão sugerindo soluções para a resolução de problemas de entregas, coisa que o Gerente de Logística não conseguiu fazer, e no seu elevado degrau de arrogância, não pediu ajuda a quem poderia fazê-lo, nesse caso, os seus comandados. Na paralela, o RH de muitas empresas tem errado grosseiramente em determinadas avaliações, motivado por variáveis, digamos, subjetivas, que levam ao segundo passo, ou seja, cometer injustiças. Caso pensado, o pior é que ao injustiçado não é dada uma segunda chance, nem que seja para o agressor pedir-lhe perdão por não tê-lo concedido uma única oportunidade que seja.

O físico desconforme não nos agrada porque o belo é cultuado, valorizado, agrega valor à imagem projetada ainda que afirmemos o contrário. A casca, a embalagem que cobre o corpo, também está em desacordo com os modismos e o costumeiro status exigido pelo convívio de grupo. Nem passa despercebida a prática da segregação – atos rotulados como involuntários tentam disfarçar tais atitudes, porém, singelos olhares revelam premeditações. Frase do dia:

“As sandálias da humildade não cabem em todos os pés”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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