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Política

Polítitica – 22ª Crônica

Ouro para o Rei, e circo para o povo. Brasília, Brasil. Vai começar a festa. Josés e Marias, Pedros e Helenas, Joões e Margaridas, Manés e Madalenas, Gonzagas e Oliveiras, Da Silvas e Pereiras… Amontoam-se, aglomeram-se desordenadamente; às dezenas de milhares, aos pares. Personagens sem rosto. Que desgosto! De certo, não há. Pessoas sem identidade própria! Que importa? Se dela precisar não vão.

 

Formigas carregadeiras de piano, privadas de ouvir a sinfonia. Adoradoras de ilusões. Que agonia! Cultivadoras da fé, no nada. Massa de manobra. De quem a obra? Seguem, cegamente, o soar do sino, feito manada de bois. Caravanas da esperança, na festança. Derrotadas pelo medo oculto, não revelado. Calado. Fiéis escudeiras. Simples olheiras.

 

Barriga roncando, não acorda a mente, na hora da decisão. E agora José? Nada o convence, nem de forma contente, desistir de apertar o botão. Votemos… Elegemos Lula Presidente. Confirma, confirmado. Amado, odiado… Erramos? E daí; se ninguém cobrará? Entre as falhas dos dentes, com barriga roncando, gritem: Viva o Rei! Viva!

 

Não falem comigo… Estou a comemorar. Não sei o que é Partido. Político? Nem arrisco falar. Câmara e Senado, Presidencialismo, Sopa de Siglas, Costuras Políticas, Inadimplência da Suplência… A moralidade decreta falência. Medidas Provisórias, Leis e Projetos de Leis; seus significados, eu também não sei.

 

A propaganda, máquina mortífera, já me dominou. Engulo sem degustar, arroto sem digerir. Estou robotizado; deveras idiotizado. Aceito como verdades as mentiras descaradas, deslavadas, mas, só se bem trabalhadas, com pitadas de imaginação. Neste país, com escassez de heróis, político corrupto o povo destrói (?). O negócio é mudança. De onde pra onde? Não sabemos. Se nem ao menos temos; o que queremos. O que merecemos? A esperança de um futuro melhor.

 

Cidadania passiva. Ela não é exclusiva. Continuo obedecendo, balançando a cabeça, fazendo o que os políticos querem que eu faça. Arroto satisfações virtuais. Que pilhéria! Como no banquete da miséria… Novamente, vou me deixar enganar. Para onde vamos; não sei! Só sei que condenado estou a esperar. Como povo, continuo esquecido, encarnado, derrotado… Até que venham outros seres encantados fazer-me sonhar. Viva o Rei! Viva!

 

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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