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Os Loucos

Os loucos – A barata

Os loucos – A barata

Zé – Oi, tudo bem?

Mané – Oi, tudo mais ou menos!

Zé – E aí, o que aconteceu?

Mané – Nada de mais…

Zé – Nada de mais o quê?

Mané – Vi uma barata.

Zé – Eu também.

Mané – Dizem que ela sobrevive a um ataque nuclear!

Zé – É mesmo?

Mané – É.

Zé – Como assim?

Mané – Como assim o quê?

Zé – Explique melhor essa coisa de sobrevivência.

Mané – Os homens é que falam essa besteira com relação às baratas.

Zé – É. Acho que eles querem encontrar um pretexto para provocarem uma guerra nuclear só para comprovarem essa teoria maluca.

Mané – Também acho. O Tio Sam está provocando a Coreia do Norte. Lá tem muitas baratas, muitas exportadas pela Coreia do Sul.

Zé – Se acontecer uma guerra nuclear de fato, não sobreviverá homem algum para comprovar a sobrevivência das baratas.

Mané – A gente pode se candidatar para analisar a experiência depois da guerra nuclear.

Zé – Como assim?

Mané – Como assim o quê?

Zé – É fácil. Não dizem que as baratas sobrevivem a uma guerra nuclear; então, vamos ficar junto com elas e aí a gente sobrevive.

Mané – Procede. Não tinha pensado nessa possibilidade.

Zé – Mas, tem um probleminha.

Mané – Qual?

Zé – A gente sobrevive junto com as baratas e os demais homens da Terra morrem. Então, vamos contar pra quem?

Mané – Procede. Contudo, vamos pensar numa alternativa para que a gente não se arrependa de termos ficado vivos junto com as baratas, mesmo porque as baratas não falam a nossa língua e não teremos com quem conversar nesse planeta solitário e desabitado.

Zé – Pois é cara! Pensemos então…

Mané – As baratas são nojentas, repugnantes, melequentas.

Zé – As mulheres têm muito medo delas.

Mané – Eu acho que é por causa das pernas das baratas; fazem cócegas pelo fato de terem espinhos, uma espécie de serrote, que quando encosta na nossa pele dá uma gastura danada, provoca arrepios.

Zé – É. Não é só por causa disso. Elas são nojentas mesmo porque vivem nos esgotos das casas, das ruas, estão presentes por todas as cidades, por todos os Estados, por todos os países. O planeta está infestado de baratas.

Mané – A população formada por esse inseto deve ser tremendamente superior a de humanos. Seriam talvez 10 bilhões de baratas para 7 bilhões de humanos. Resultado: 1,43 barata para cada ser humano, ou seja, menos de uma barata e meia.

Zé – É. Imagina se essa estatística fosse feita como o IBGE faz, considerando classes sociais de baratas, tipos, renda per capita, descendentes diretos, dependentes econômicos, enfim, as baratas também mereciam esse tratamento, independente se são nojentas.

Mané – As mulheres têm muito medo das baratas, lembrando este fato. Às vezes as mulheres são frescas, fazem estardalhaço por causa de uma simples barata e as cobras não as assustam.

Zé – As baratas são destemidas, não têm medo dos homens. Elas acham que os homens também são baratas como elas porque a maioria vive nos esgotos.

Mané – As baratas não fazem barulho, assim como os homens quando querem penetrar em lugares escuros como cofres públicos, ainda mais quando lá dentro tem alguma coisa que interessa a eles diretamente.

Zé – As baratas se comunicam através das suas grandes antenas, assim como as mulheres no ato de olhar outra mulher.

Mané – Você sabia que os orientais comem baratas?

Zé – É. Eu sei porque vi na televisão. Os nossos canais de TV estão sempre mostrando coisas nojentas pra nós, independente se em horários nobres ou não.

Mané – Procede. Veja o caso dos esgotos de Brasília, construídos pela tal de Delta e o escroque do Carlinhos Cachoeira.

Zé – Você acaba de me dar uma boa ideia. Por que a gente não convida as nossas amigas baratas brasileiras para mudarem a sua residência para Brasília e aí a gente pede ao Tio Sam para jogar algumas bombas nucleares sobre a cidade. Seria uma boa experiência quanto à teoria da sobrevivência dos insetos a um ataque nuclear. Faremos um bom relatório.

Mané – Relatório pra quê? Os humanos já terão morrido junto.

Zé – Aí que você se engana meu amigo. Os políticos sobreviverão ao ataque nuclear porque chegam a ser mais nojentos e resistentes do que as próprias baratas. Os políticos, uma vez vivos, pediremos a eles para construírem novos esgotos onde formarão novas lideranças de merda.

Mané – Valeu. As baratas não são malucas a ponto de discordarem dessa ideia. Algumas já me perguntaram quando esse projeto será implementado porque se candidataram à compra da “rejeitada” empreiteira Delta.

Augusto Avlis

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Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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