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Esportes

Todos gritam, e ninguém tem razão

Todos gritam, e ninguém tem razão

As discussões acaloradas que acontecem nos botequins têm sempre uma razão, ou vários motivos. O principal deles é o futebol, paixão nacional. Quando o assunto é futebol as mulheres são colocadas em segundo plano. Normalmente, as discussões dão-se porque os torcedores, que discutem, vêem jogos diferentes, ainda que o mesmo jogo. Explico. Tem gente que assiste, mas não vê. Tem gente que vê, mas não enxerga. Moral da história: cada qual fala o que quer segundo a sua ótica, a sua visão particularizada do fato. Na verdade, falam, em geral, aquilo que gostariam que acontecesse na partida. Daí partem pra porrada, doa a quem doer, quando as partes querem fazer prevalecer o que supostamente viram. Se não houver um juiz de direito para separar os torcedores exaltados, inevitavelmente as facadas acontecerão sob os olhares atentos da torcidas adversárias. Os donos dos botecos acham graça.

Depois do jogo de ontem, quarta-feira, 13 de junho de 2012, entre Santos e Corinthians pela semifinal da Libertadores, desci até o Bar Escritório para tomar umas cervejas como de costume faço ao término de partidas tensas como foi o caso desta, quando o Corinthians venceu o Santos em plena Vila Belmiro pelo placar de 1 a 0, com direito à interrupção do jogo no segundo tempo por falta de energia elétrica durante praticamente quinze minutos, mas continuou a seguir. O Corinthians bateu pra valer, armou uma defesa quase que intransponível e o FDP do juiz, como sempre, foi conivente com uma série de delitos esportivos – esse soprador de apito deveria ter saído do campo algemado diretamente para a delegacia mais próxima. Como não sou Santista, muito menos Corintiano, deixo a análise final para quem torça por um dos dois times, até agora igualmente vítimas. Vamos ver no jogo da volta na casa do Corinthians.

Pensei que fosse ter alguns instantes de paz no Bar Escritório, mas me enganei redondamente. Tinha torcedor em cima do balcão fazendo discurso, o assunto do dia ainda era o Campeonato Brasileiro de 2011, mais precisamente os dois jogos entre Vasco e Flamengo. No primeiro turno, o árbitro Péricles Bassols deixou de marcar um pênalti claríssimo de Léo Moura no Bernardo nos acréscimos após o término do tempo regulamentar da partida, que acabou em 0 a 0. Esse mesmo árbitro foi novamente escalado para apitar a segunda partida entre Vasco e Flamengo, já no segundo turno, repetindo a cagada que fez no primeiro turno, ou seja, não marcou um pênalti escandaloso a favor do Vasco; todo o Brasil viu o Willians puxando a camisa do Diego Souza dentro da área a ponto de rasgá-la e o infeliz não fez absolutamente nada, ou melhor, roubou 4 pontos do Vasco (2 no 1º Turno e 2 no 2º Turno), porque se marcados os dois pênaltis certamente o Vasco faria os gols. Esses 4 pontos dariam o Campeonato Brasileiro de 2011 para o Vasco da Gama. Esse segundo jogo acabou 1 a 1, classificando o Flamengo para a Libertadores das Américas. O Corinthians sagrou-se campeão gozando com o pau dos outros e considerando o árbitro Péricles Bassols o melhor do mundo.

Vascaíno: Foram dois pênaltis não marcados, vocês viram?

Flamenguista: Mas que Mané pênalti, seu otário!

Vascaíno: Qual é, vocês têm a mania de inverter as coisas. Até a minha avó que já morreu viu os pênaltis. Quebraram o Bernardo dentro da pequena área e rasgaram a camisa do Diego Souza!

Flamenguista: Não foi pênalti não. O juiz não marcou é porque não foi. Tá legal?

Vascaíno: Tá legal porra nenhuma. Vocês compraram a arbitragem seus babacas. O Flamengo não tinha chances de ser campeão do Brasileirão, mas queria se classificar para a Libertadores. Essa roubalheira só vai ajudar o Corinthians, que está construindo um novo estádio de futebol para a abertura da Copa de 2014, que precisa de Marketing Esportivo para convencer o governo federal a soltar mais grana.

Flamenguista: Fod@#$%$#a-se. O que importa é que vocês serão vice de novo. Pra nós da “Urubuzada” o mais importante é não perder para o Vasco, ser campeão não fazemos questão.

Vascaíno: Enfia esse urubu no C*$#@…U seu filho de uma égua.

O diálogo não foi bem assim ao pé da letra, foi muito pior. Aqui no texto fui obrigado a empregar um palavreado “menos agressivo” porque donzelas vascaínas e flamenguistas podem lê-lo. E aí, meus amigos, a coisa ficou feia. Garrafadas, cadeiradas, mesadas, enfim, um Deus nos acuda. Perneta correndo sem muletas, mudo falando, crente xingando, prostitutas distribuindo dinheiro, gay falando grosso, ladrão devolvendo o que roubou, policial fardado enchendo a cara, sogra beijando a nora, enfim, até o Roberto, dono da espelunca, não sabia pra qual time torcia.

Enquanto isso, o mui amigo Ricardo Teixeira está mamando por fora; o Aldo Rebelo, atual Ministro dos Esportes, com cara de campeão de cuspe à distância, faz sala para os dirigentes da FIFA; o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva, está livre das acusações de envolvimento com um esquema de desvio de recursos públicos. O presidente da Comissão de Ética da Presidência, Sepúlveda Pertence, disse que a denúncia foi arquivada “por absoluta falta de provas”. A decisão foi tomada na última segunda-feira, dia 11 de junho de 2012.

Enquanto isso, na 171ª Delegacia de Polícia, chamada Congresso Nacional, ninguém trabalha; a CPI do Carlinhos Cachoeira está produzindo rios de lágrimas nos brasileiros; o julgamento do Mensalão terá cobranças de “mesadas”.

Viva o Rei! Viva!

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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