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Política

Polítitica – 24ª Crônica

A propósito, a atual instabilidade econômica construída como bengala eleitoral ajudou a eleger Lula Presidente da República. Este foi um dos principais cabos-eleitorais do candidato petista. Entretanto, há quem aposte que a profetizada reedição desta instabilidade econômica, agravada, será responsável por sua monumental perda de popularidade e, quiçá, por consequências mais catastróficas como sua saída forçada do cargo, por exemplo. Isso vai depender da intensidade do grito dos excluídos, que já têm formado um movimento. Verdade que, o futuro, só a Deus pertence. Moedas de troca já estão sendo providenciadas.

Taxar os bancos, ou seja, lançar imposto sobre os lucros fáceis dos banqueiros; mapear a prática da corrupção sistêmica na administração pública e tentar acabar com ela; fechar os caminhos dos empresários inescrupulosos; cobrar na justiça com punhos de ferro os impostos federais, estaduais e municipais devidos pela sociedade desorganizada, perdão, organizada empresarialmente; tirar terras dos latifundiários e dá-las ao MST para que ele fique quieto; frear a especulação e o mercado de ganho fácil; prender os mercadores da desgraça alheia; dizer ao Tio Sam que ele só manda na casa dele; urgenciar a Reforma Política; implementar a Reforma do Judiciário; fazer a Reforma Tributária; providenciar a Reforma da Previdência Social, lado a lado com a força de trabalho; enfim, tudo isso se torna imperativo que seja feito em primeira instância para a revitalização da saúde da nossa economia e sonhar com os sonhados desenvolvimento sustentável e crescimento do país. Um coro canta: “O Brasil é o país do futuro”.

Qualquer Bobo-da-Corte sabe que em quatro anos a materialização desses programas é impossível, ainda mais que Lula – assim como os seus antecessores fizeram – terá que arrancar pedras preciosas da sua coroa e dá-las ao clero. No entanto, um velho ditado diz que “Pode-se comer um boi inteiro, só que aos bifes”. Lula está condenado a não errar. Seus três primeiros tiros têm que ser certeiros nos alvos que os eleitores indicaram. Lula é vesgo e a economia padece por ser órfã. Os oportunos economistas, de plantão em Brasília, recomendarão fórmulas mágicas e o coelho da cartola já prevê a sua substituição pelo Louro José.

Lula, lutando contra o relógio, tem quatro razões para se tornar um “case” na história política brasileira. Primeira, se o Marketing do Duda Mendonça convencer os ricos a dividirem sua riqueza com os pobres e os miseráveis, porquanto não vai ter emprego para todo mundo. Segunda, se o seu forte poder de negociação conseguir firmar compromisso com os “fast-foods” nacionais e internacionais para que estes forneçam, diária e gratuitamente, dois lanches a cada uma pessoa cadastrada nas classes descritas na razão primeira (só os pobres e os miseráveis), uma vez que vai faltar dinheiro para a sua campanha de combate à fome. Terceira, se realmente conseguir fazer com que seus ministros trabalhem em equipe, um corpo ministerial com perfil de unicidade, sobretudo quando é notório o fato de interesses escusos interferirem a favor da discórdia e dissolução do grupo. Quarta, se ficar comprovada a sua gigantesca falta de competência, ou, caso não realize, pelo menos, uma das três razões descritas anteriormente. De qualquer maneira, Lula vira “case”, realizando ou não alguma coisa.

Não há espaços, conforme insinuei, para irresponsabilidades e, sobretudo, hipocrisias de ambos os lados. Posto isso, não querendo dar uma de “Profeta do Apocalipse”, já dando, posso antever que a inocência e o despreparo político-administrativo de Lula poderão fazer dele uma espécie de peça decorativa, como um gnomo ou duende de jardim (eu, particularmente, já vi uma infinidade deles nos meus bem vividos 52 anos) ou, simplesmente, uma marionete nas mãos das raposas políticas que habitam o Planalto Central. Ministros e assessores muito próximos do presidente divergirão em público sobre a política do governo federal para determinadas áreas. Prevê-se uma mistura de “defesa de ideologias” com “posturas controversas”. Lula precisará endurecer o seu discurso sempre que críticas não veladas, ou não reservadas, colocarem em xeque o seu estilo de governar. Qualquer divergência tem que ser discutida internamente, ou seja, nos bastidores do palácio. Decisões soberanas só o Rei pode tomá-las – longe do Bobo-da-Corte.

Na vigília, uma nova geração de caras-pintadas. Tem gente pagando pra ver o circo pegar fogo; até quem é cego. Não sou cego, tenho medo de fogo e estou numa dureza terrível. O povo que votou no Lula, também; só na questão da falta de dinheiro, porque já nasceu cego, não tem medo de fogo e adora circo. Com ou sem a atração principal, o picadeiro segue o seu script. O espetáculo não pode parar, mesmo que a mãe do palhaço tenha morrido.

Respeitável público…

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

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