>
Você está lendo...
Política

Polítitica – 23ª Crônica

O segundo turno da eleição para Presidente da República Federativa do Brasil rotulou a história política do país com números surpreendentes. Para o vencedor, saíram das urnas 61,27% dos votos válidos, equivalentes a 52,8 milhões de eleitores fiéis ao candidato – não ao partido político –, colocando-o no podium como o candidato mais votado em toda a história política do Brasil. Estamos falando quantitativamente, não em qualidade. Que isso fique bem claro.

No Estado dos eternos gozadores, o Rio de Janeiro, Lula recebeu 78,97% dos votos válidos e, na contramão, sua candidata do PT ao governo, Benedita da Silva, levou uma surra, também histórica, da Rosinha Garotinho (PSB) que se elegeu no primeiro turno com praticamente o mesmo percentual de votos válidos conseguidos por Lula no segundo. Deixando a gozação um pouco de lado, lembro que Lula é o 36º Presidente da República. Coincidência ou não, somando-se estes dois dígitos teremos como resultado o número 9. Nove fora = a 0 (zero). Este algarismo, sem valor absoluto, dependendo onde for colocado, se à direita ou à esquerda do principal, terá o seu juízo de valor determinado; aos olhos dos matemáticos e estatísticos da área econômica.

O dia 27 de outubro de 2002 selou o dia em que a chave inglesa venceu o canudo de doutorado. Quatro dias antes, numa quarta-feira, 23, em um comício na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, Lula desabafou: “Quero que minha vitória simbolize que ninguém é inferior a ninguém. Um torneiro mecânico pode ter mais competência para fazer política do que muito cientista político”. A bem da verdade, pressuponho que cada um dos 52,8 milhões de eleitores que deram os seus votos, com fidelidade, ao torneiro mecânico, espera dele, Lula, competência suficiente para gerir a coisa pública. Bipolaridade na discussão: uma coisa é saber fazer política, outra coisa é saber administrar uma gigantesca empresa chamada Brasil. A outra coisa, a “coisa pública”, é uma questão muito séria. Neste caso, não há espaço para amadores e também não há tempo a perder. Não há mais volta. Só o tempo vai dizer, realmente, se a “coisa barbuda”, vai dar certo. Se der, vamos ver com o tempo.

As eleições de 2002 foram profundamente influenciadas pelo Marketing. O poder do Marketing se deixou revelar. Esta “Ciência da Conquista da Mente” criou modelos de visual, de comportamento, de procedimento, de conduta. Faltou pele de cordeiro para tanto lobo. Lula não precisava vestir seu antigo uniforme de torneiro mecânico para subir nos palanques, tampouco fazer implante do dedo mindinho. O povo já estava totalmente anestesiado pelo Marketing do Duda Mendonça. A massa comprou antecipadamente a necessidade de mudança, fundamentada no “achismo” e na “visão forjada do caos”. Com a mesma facilidade com que essa massa não se lembra do que comeu no dia anterior, da data do aniversário do filho e que dia é hoje, esqueceu-se muito rapidamente dos avanços que o Brasil obteve nos últimos oito anos, sobretudo no que diz respeito ao combate e controle da inflação, na questão da educação e na área da saúde. É óbvio que, além de tudo isso, muita coisa ainda está por fazer – o sentido de perfeição inexiste na política.

O povo, na paralela, foi coroado rei da desinformação. FHC x 2, só não foi mais achincalhado porque os publicitários entenderam que o nível das campanhas jamais deveria descer a patamares ameaçadores, até porque o aprendizado do passado serviu para a adoção de novas posturas. Em tempos de “globalização da mídia”, a imagem, quando bem projetada, fala mais alto do que mil palavras. Uma lágrima aqui, outra ali, comove mais do que um discurso ecumênico. Ninguém queria correr riscos. No tempo certo, o Romanée-Conti foi divinamente bebido e o charuto cubano teve aspirado o seu fumo.

Devidamente embevecido por aquela atmosfera gregoriana, cada participante do pobre e carente povo, subliminarmente, também bebeu um gole do vinho Romanée-Conti e deu uma pitada no charuto cubano que Lula ganhou de Fidel Castro, da mesma forma como arrota diariamente quando assiste, submetido a uma completa hipnose (catarse coletiva), a um banquete na novela das oito. O Marketing político sabe que o povo é gregário, por isso, não tirou o embuço da cara do Lula. Nem vai tirá-lo nos próximos quatro anos. Cairá por si. O dia 1º de janeiro de 2003 vai ficar marcado definitivamente na história política brasileira como “O dia em que Lula foi empoçado”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

Trackbacks/Pingbacks

  1. Pingback: Livro Polítitica « Opinião sem Fronteiras - 29/07/2012

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 154 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: