>
Você está lendo...
Consultoria & Marketing

Esta empresa não serve pra mim

Esta empresa não serve pra mim

Quando o funcionário chega à conclusão que a empresa, da qual faz parte, não atende mais às suas expectativas, o melhor a ser feito é pedir o boné. Conheço pessoas que ficam marcando passo, continuam desempenhando as suas funções roboticamente. Quais as razões disso? São muitas; veja algumas: Avaliações erradas; ambiente de trabalho; culturas discordantes; relações humanas e funcionais; juízo de valores; questões salariais; falta de perspectivas; mania de perseguição; insatisfações generalizadas; cansaço da rotina – este fato tem um peso extraordinariamente importante, de modo que, quando o funcionário chega à depressão das forças físicas a coisa fica bastante complicada –, compromissos contratuais, e tantas outras. Seja como for, o indivíduo continua empregado caso não tome nenhuma decisão.

Vou ater-me tão somente à causa “Avaliações erradas”. Um pouco de história não faz mal a ninguém, por isso contarei uma. Passado e presente estão separados pelo tempo cronológico, porém, um procedimento não é contrastante na comparação direta entre empresas que se estabeleceram nessas épocas: a relação entre empregadores e empregados, a vinculação entre aquele que emprega (empresário, patrão) e aquele que se empregou (aplicado, utilizado) não apresentou diferenças notáveis – apenas a metodologia tenha se sofisticado no decorrer dos períodos em decorrência da evolução dos mercados, em função dos conhecimentos e técnicas adquiridos sobremaneira por ambos. A ordenação das ações nas duas pontas, a disciplina, a técnica, a organização e a ordem seguida na consecução dos objetivos nem sempre surgem como fiel da balança quando o assunto for trato pessoal, e / ou frequência social. Outras variáveis exercem pressão nesse contexto, a exemplo, os interesses bilaterais.

Hoje, ainda se vê, de um lado, empresas autocratas, de outro, funcionários que se submetem a sistemas absolutos regidos por déspotas com poderes ilimitados. Assim como o candidato é avaliado pela empresa contratante desde o processo de seleção, este também pode avaliar a empresa no decurso do seu trabalho, o que poderia tê-lo feito antes de nela entrar. Trabalhava numa multinacional do segmento cervejeiro no início dos anos 2.000, quando participei de um inovador processo de avaliação promovido por executivos do grupo atuantes na área de RH. Consistia no seguinte: Numa sala fechada, o chefe chamava os subordinados, um por um, e pedia ao da vez que respondesse a determinadas perguntas comprometedoras, tais como “O que você acha do seu chefe imediato, pessoal e funcionalmente?”. “O que você recomendaria a ele para consertar os pontos negativos identificados?”. “Se você fosse chefe do seu chefe, como procederia?”. “E com relação aos demais superiores hierárquicos?”. “Quem dos seus colegas de trabalho eliminaria da equipe, e por quê?”. “Como você compararia o trabalho que executa e o seu desempenho global com o resto da equipe?”. E assim por diante. O primeiro erro capital foi o criador desse macabrismo subestimar a inteligência de todo mundo que participou do processo e ficou exposto por decorrência. Em segundo lugar não se admite portas fechadas quando o assunto é avaliação de grupo, ainda mais um assunto delicado como esse. Em terceiro lugar, o processo deveria ter sido discutido antecipadamente com todos os colaboradores nos seus pormenores; o que não foi, motivo pelo qual quase pedi o meu boné e minha reação me rendeu algumas fraturas expostas.

Descobri mais tarde, valendo-me de informações privilegiadas, que aquele era um simples balão-de-ensaio, só que escolheram o departamento errado como cobaia – o departamento comercial. O resultado final dessa paranóia foi a instauração de um clima de terror e fofocas; jogaram uns contra os outros; um fuzuê danado na empresa dada a repercussão do evento. Levamos algum tempo para o restabelecimento da normalidade. Ora bolas, não tenho nada, absolutamente nada contra processos de avaliação, eles têm que coexistir. Sempre defendi que essas avaliações devam ocorrer de duas maneiras, ou seja, tanto verticalmente como horizontalmente. No primeiro caso, de cima para baixo e de baixo para cima numa via de duas mãos (chefes avaliando os seus subordinados diretos e vice-versa; é o esquema pingue-pongue). No segundo caso, horizontalmente, os colaboradores avaliam-se mutuamente na presença do superior imediato e de uma banca de observadores dentro de técnicas aplicáveis e comprovadamente testadas em outras empresas. Processos mal conduzidos, na maioria das vezes, levam a desgastes desnecessários, provocam demissões, criam serpentes de sete cabeças e causam prejuízos para ambos os lados. Comumente, os mecanismos empregados pelas empresas para a medição da produtividade dos seus funcionários são empíricos.

Por cultura, entendo que todo o indivíduo que se candidata a emprego formal deveria promover uma avaliação das empresas de sua lista de preferência, antes da primeira entrevista; levantar informações valiosas tais como: 1º) Tempo de fundação da empresa; 2º) Ramos de atividade; 3º) Capital social; 4º) Participação no mercado de capitais; 5º) Composição social; 6º) Linha de produtos; 7º) Mercados de atuação e participação; 8º) Visibilidade institucional; 9º) Relação com a comunidade; 10º) Programas de crescimento / expansão; 11º) Número de funcionários. Deixar esta avaliação para depois de contratado pode não ser uma atitude inteligente; fazê-lo antes é prudente – pode-se chegar à conclusão que não era bem aquilo que procurava, foi mera perda de tempo, e só isso. A necessidade faz a pessoa segurar a primeira oportunidade que aparece, sobretudo quando a premência em saldar compromissos o obriga a isso. Mas, escolher melhor a empresa que queremos trabalhar, selecioná-la segundo nosso perfil de aptidões ainda é o melhor caminho a percorrer até o sucesso profissional, para que no futuro o funcionário não tenha que dizer: “Esta empresa não serve pra mim”. Frase do dia:

“Em casa de ferreiro só tem ferro”.

Augusto Avlis

Sobre augustoavlis

Augusto Avlis nasceu no Rio de Janeiro na metade do século XX. Essa capital foi antes o Distrito Federal e o Estado da Guanabara. Profissionalizou-se em Marketing Operacional e fez parte, como Executivo, de multinacionais do segmento alimentício por mais de três décadas, além de Consultor de empresas. Formado em Comunicação Social, habilitou-se em Jornalismo. Ocupou cargo público como Secretário de Comunicação. Hoje dedica-se às atividades de escritor e cronista.

Discussão

2 comentários sobre “Esta empresa não serve pra mim

  1. E se vc fosse um cara de 41 anos com 2 filhos pra criar pediria o boné?

    Publicado por André Norbim | 20/03/2012, 10:50
    • Eu fiz isso com 50 anos, estava como executivo de uma multinacional de refrigerantes e senti a necessidade de “desocupar a moita”. O salário não me prendeu na empresa. Depois de desligado, exerci várias atividades, entre elas, comerciante, Secretário Municipal de Comunicação, Consultor de Empresas, Jornalista, Escritor, enfim… Não há preço que pague a dignidade e, sobretudo, a plena satisfação do exercício do trabalho remunerado. O salário percebido entra em segundo plano quando fazemos o que gostamos e comprovamos os seus efeitos e resultados – este é, sem dúvida, o principal tempero da motivação. A comodidade nos coloca na retaguarda, impede-nos de tomar iniciativas e esta falta de atitude quase sempre nos faz perder excelentes oportunidades que estão à nossa frente, e por um motivo ou outro, não conseguimos enxergar.

      Publicado por augustoavlis | 20/03/2012, 12:19

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se aos outros seguidores de 160

%d blogueiros gostam disto: